Metallica: fogo, peso e intensidade em Porto Alegre

maio 7th, 20220 Comments »Última Atualização: maio 8, 2022

Cobertura Independente – Direto do Estacionamento da Fiergs (RS)

Como apenas quatro caras conseguem fazer tanto barulho em cima de um palco? Mesmo sem saber a resposta, uma coisa é certa: este é um dos motivos para continuarem arrebatando milhares de fãs por onde passam, ao longo de mais de 40 anos de estrada.

Foi em clima de festival que Porto Alegre recebeu o Metallica, na última quinta (05/05). Com pouco mais de dois anos de atraso, pelo adiamento em razão da pandemia, essa foi a terceira apresentação da banda na cidade. E por que clima de festival? Por conta dos shows que antecederam à atração principal: nada menos que Ego Kill Talent e Greta Van Fleet.

Já bastante conhecida do público, a representante local Ego Kill Talent abriu os trabalhos pouco antes das 18h30. Em um set de cerca de 30 minutos, Theo Van Der Loo (baixo e guitarra), Jean Dolabella (bateria e guitarra), Raphael Miranda (bateria, baixo e guitarra), Niper Boaventura (guitarra e baixo) e Jonathan Dörr (vocal) fizeram o que sabem de melhor: umas mistura de referências, que culmina em riffs marcados e peso na medida. Também apresentaram músicas do seu mais recente lançamento, “The Dance Between Extremes”. Uma pena o som do local não ter acompanhado a qualidade do que eles podem entregar.

Por volta das 19h30, foi a vez de Greta Van Fleet estrear em Porto Alegre. Embora parte do público parecesse desconhecer o som dos norte-americanos, boa parte dos presentes estava na expectativa por conferir os agudos marcantes de Josh Kiszka (vocal), Jake Kiszka (guitarra), Sam Kiszka (baixo) e Daniel Wagner (bateria) ao vivo. E eles não decepcionaram! Aliás, os agudos são tão intensos e no mesmo tom entre guitarra e vocal, que em alguns momentos temos dúvida se vêm de Josh ou Jake.

Em pouco menos de uma hora de show, o quarteto levantou o público, que soltou até um “Olê-olê-olê-olê! Greta! Greta!”. Destaque para o hit “Black Smoke Rising”. Muito simpático, ainda que discreto, o vocalista agradeceu algumas vezes em português e encerrou o show distribuindo rosas brancas para o público.

Depois disso, as cerca de 40 mil pessoas já estavam ansiosas para receber James Hetfield (vocal e guitarra), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra) e Robert Trujillo (baixo). Desde 2010 que os quatro não davam as caras pela capital gaúcha, que na época nem tinha espaço muito adequado para receber shows dessa magnitude. Apesar de o estacionamento da Fiergs ainda não ser o ideal, certamente, o público que presenciou a apresentação anterior percebeu a diferença e pôde sentir – não só ouvir – as notas pesadas vibrando, que é o mínimo que se espera de uma experiência em frente ao Metallica.

A impactante trilha de Ennio Morricone, da cena do filme “The good, the bad and the ugly” no telão, avisa que os quatro estão prestes a subir no palco. Logo após, chegam com “Whiplash” quebrando tudo. Sem tempo para respirar, vem porrada atrás de porrada: “Ride the Lightning”, “Harvester of Sorrow”, “Seek & Destroy”, “No Remorse”.

Um momento para recuperar o fôlego e, com uma introdução impactante, chamas pelo palco, fogos de artifício, som de tiros e bombas, imagens de soldados no telão e lasers que passam por sobre o público, começa “One”. Sem dúvida, um dos pontos mais altos do show.

Para quem achava que já tinha visto efeitos e pirotecnia suficientes na apresentação da semana anterior, quando o Kiss esteve na cidade, pôde conferir ainda mais com o Metallica. Mas, claro, no estilo da banda, intenso e impactante, mesmo que a estrutura em Porto Alegre tenha sido menor do que a de outras apresentações da “World Wired Tour”, com dois telões no palco a menos, por exemplo.

Outro ápice absoluto foi “The Unforgiven”, com emoção pairando no ar e todos cantando juntos. “Master of Puppets” encerrou a primeira parte do show, antes do bis. Na volta, a bandeira do Brasil apareceu nos telões com o nome da banda. Não podia ser diferente e mais alguns clássicos arrebataram o público: “Blackened”, “Nothing Else Matters” e “Enter Sandman”, encerrando com um show de fogos de artifício. Mas, os caras pareciam não querer arredar pé, e ficaram um bom tempo no palco ainda distribuindo souvenirs, e cada um queria dar uma palavrinha com o público no microfone. Destaque para o Trujillo, que puxou um “Eu sou brasileiro! Com muito orgulho! Com muito amor!”.

Para quem vai acompanhar o Metallica em Curitiba (07/05), São Paulo (10/05) ou Belo Horizonte (12/05), um último spoiler do que esperar é: uma vitalidade indelével. Mesmo os quatro estando a um passo da casa dos 60 anos, não parecem ter envelhecido quando estão em cima do palco. Será o heavy metal uma fonte de energia inesgotável? Tomara!

Setlist

Whiplash
Ride the Lightning
Harvester of Sorrow
Seek & Destroy
No Remorse
One
Sad but True
Moth Into Flame
The Unforgiven
For Whom the Bell Tolls
Fuel
Welcome Home (Sanitarium)
Master of Puppets

Bis

Blackened
Nothing Else Matters
Enter Sandman

Por: Lisiane de Assis (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione

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