KISS em Porto Alegre: mais que um show, uma experiência multissensorial

abril 28th, 20220 Comments »Última Atualização: abril 28, 2022

Cobertura Independente – Direto da Arena do Grêmio (RS)

Dez anos. Este foi o tempo que o público porto-alegrense esperou para rever a “hottest band in the world” ao vivo. Marcado inicialmente para maio de 2020, e adiado mais de uma vez em função da pandemia, finalmente aconteceu, na última terça (26/04), o show da turnê de despedida do KISS em Porto Alegre.

Mais do que a espera por assistir ao vivo, quem presenciou o show de 2012, certamente, também esperava por conferir a experiência completa que um espetáculo do quarteto é capaz de proporcionar. Da última vez, a apresentação havia sido no Ginásio Gigantinho, limitando parcialmente os efeitos que o estádio aberto possibilita.

Mas, primeiro, o esquenta ficou por conta da banda local Hit The Noise. Luciano Schneider (vocal), Marcel Bittencourt, Leonardo Theobald (guitarrista) e Daniel Sasso (bateria), em cerca de 30 minutos, mostraram muito bem por que estavam ocupando aquele palco. Com riffs pesados, vocal melódico e uma boa dose de barulho, fizeram seus fãs curtir o show e, quem ainda não conhecia a banda, possivelmente ficou interessado em conferir mais nos streamings por aí.

Passava um pouco das 21h, quando, ao baixar a gigante cortina preta com KISS estampado em prata, Paul Stanley (vocal e guitarra), Gene Simmons (vocal e baixo), Tommy Thayer (guitarra) e Eric Singer (bateria) desembarcaram no palco. A clássica entrada descendo de plataformas suspensas, ao som de “Detroit Rock City”, muita faísca, chamas – espalhando calor para além das primeiras filas -, estouros e, claro, muitos gritos do público, não deixava a menor dúvida de que estávamos prestes a testemunhar um dos maiores espetáculos que o rock pode proporcionar. Quem, no mínimo, não fica arrepiado neste momento, provavelmente não está vivo.

Nem baixava ainda a adrenalina da primeira, a segunda foi “Shout It Out Loud”, com refrão entoado com força pelo público. Em seguida teve “Deuce”, “War Machine”, “Heaven’s on Fire”… Isso mesmo, só clássico! É porque no show de uma banda com 49 anos de estrada, não tem espaço para lado B, tudo já é lado A.

Logo depois, Paul Stanley convidou todos a cantarem junto e alto, a deixa para a pesada “I Love It Loud”. Aliás, ele é quem mais interage com o público entre uma música e outra. Além de perguntar se todos estão se divertindo, puxar “ôôhs”, “hêêys” e qualquer onomatopeia que vier na cabeça dele na hora, falou repetidas vezes “Porrto Alegrre”, assim mesmo, com seu sotaque norte-americano. Deve saber que jogar com o bairrismo é o que melhor funciona para gerar identificação com o público local. Ele esbanja simpatia e carisma dignos de um front man profissional e experiente, além de arriscar até umas dancinhas e reboladas. E não é que parte da sensualidade aflorada da juventude ainda está ali? Quem disse que o setentão não pode mais fazer sucesso com as mulheres, não é mesmo? E vamos combinar que a maquiagem ajuda a esconder muito bem as rugas (ou o botox), estratégia perfeita para manter a sensação de que estamos em frente àquele Paul Stanley que ainda vemos nos vídeos antigos.

Complementarmente, Gene Simmons, embora também interaja com o público, incorpora o peso característico do seu baixo, fazendo o personagem mais dark da banda. As músicas que ele canta são mais obscuras, em equilíbrio com o clima de quem cospe, literalmente, fogo e sangue na apresentação. Tommy e Eric não são, de forma alguma, coadjuvantes da banda – ambos têm seus momentos com solos, e muito bem executados. Para dar uma ideia, o ápice de Tommy é uma batalha de tiros imaginários, porém com muita faísca, para destruir minas também imaginárias, projetadas em telões em blocos suspensos no palco. Mas é inegável que a dinâmica do show alterna equilibradamente momentos entre os fundadores da banda, que parecem passar o bastão do protagonismo de um para o outro entre as músicas.

Depois de um solo de baixo, Gene sobe às alturas para cantar “God of Thunder”, em uma plataforma suspensa no palco. Logo após, é a vez de Paul atravessar sobre o público em uma tirolesa e cantar, de uma plataforma lá no fundo, “Love Gun” e “I Was Made For Lovin’ You”. Eles realmente levam os pontos altos do show ao pé da letra.

Ao retornar ao palco, “Black Diamond” encerra a primeira parte do show. Na volta para o bis, Eric Singer surpreende com um brilhante piano de cauda, voz suave e levemente rouca, na única balada da noite, “Beth”, iluminada por um mar de lanternas de celular. “Do You Love Me” vem na sequência e, obviamente, “Rock and Roll All Nite” encerra a apresentação com muita fumaça, papel picado, serpentina e a apoteótica destruição da guitarra de Paul. Pela última vez.

Muito além da música, um show do KISS é um espetáculo multissensorial, com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo no palco, encenação, figurinos impactantes, estímulos visuais e sonoros. E a execução de tudo isso permanece impecável ao longo dos anos. A idade desses veteranos – Gene 72, Paul 70, Eric 63 e Tommy 61 -, não parece limitar nenhum pouco a energia e nem a técnica. Apesar de se perceber uma voz um pouco mais enfraquecida em alguns momentos de Stanley, ele grita muito, o tempo todo. Fora isso, nada a se criticar, aparentemente, nenhum deles faz playback.

Em contrapartida, as cerca de 20 mil pessoas presentes não pareceram acompanhar o mesmo entusiasmo em algumas situações. O que surpreende, dada a entrega dos artistas.

Agora, a “End Of The Road Tour” no Brasil segue para: Curitiba, 28/04, na Pedreira Paulo Leminski, São Paulo, 30/04, no Allianz Parque, e Ribeirão Preto, 01/05, na Arena Eurobike. Se alguém tem ainda alguma dúvida sobre comparecer ou não a algum dos três shows – as últimas oportunidades de vê-los por aqui, saiba: mesmo quem não gosta das músicas, merece viver a experiência de um show do KISS.

Setlist

Detroit Rock City
Shout It Out Loud
Deuce
War Machine
Heaven’s on Fire
I Love It Loud
Say Yeah
Cold Gin
Guitar Solo
Lick It Up
Calling Dr. Love
Tears Are Falling
Psycho Circus
Drum Solo
100,000 Years
Bass Solo
God of Thunder
Love Gun
I Was Made for Lovin’ You
Black Diamond

Bis

Beth
Do You Love Me
Rock and Roll All Nite

Por: Lisiane de Assis (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione

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