Iron Maiden faz verdadeiro espetáculo em Porto Alegre

outubro 13th, 20190 Comments »Última Atualização: outubro 13, 2019

Cobertura Independente – Direto da Arena do Grêmio (RS)

Depois de 11 anos sem incluir Porto Alegre nas turnês, mesmo tendo feito diversos shows pelo Brasil nesse período, a última quarta-feira (09/10) foi o dia do reencontro dos fãs gaúchos com uma das principais (se não a principal) bandas de metal do mundo. Uma agradável noite de primavera reuniu cerca de 40 mil pessoas, na Arena do Grêmio, para fazerem parte do espetáculo que é um show do Iron Maiden. Desta vez, na Legacy of the Beast World Tour, inspirada no game de mesmo nome, lançado em 2016.

A noite teve início com a banda local Rage In My Eyes (antiga Scelerata), em um show que começou a aquecer o público a partir das 18h50. Jonathas Pozo (vocal), Magnus Wichmann (guitarra), Leo Nunes (guitarra), Pedro Fauth (baixo) e Francis Cassol (bateria) inovaram ao contar com a presença do acordeonista Matheus Kléber, acrescentando ainda mais originalidade ao seu heavy metal com o instrumento típico da música tradicionalista gaúcha.

Já com o local começando a lotar, às 19h40 foi a vez de The Raven Age, banda de metal melódico formada por Matt Cox (baixo), Jai Patel (bateria), Tony Maue (guitarra), Matt James (vocal) e ninguém menos do que George Harris (guitarra), filho de Steve Harris, que dispensa apresentações. Bastante simpático, o vocalista conseguiu atrair a interação de boa parte do público que, apesar de estar ali pela atração principal, também era composto por alguns fãs do Raven Age.

A ansiedade por ver e ouvir a potência do Iron Maiden tomava conta de todos os presentes quando, poucos minutos após as 21h, Steve Harris (baixo e backing vocal), Dave Murray (guitarra), Adrian Smith (guitarra e backing vocal), Nicko McBrain (bateria), Janick Gers (guitarra) e Bruce Dickinson (vocal) subiram ao palco. De largada, toda a energia de “Aces High” foi acompanhada por um enorme avião suspenso, que se movimentava sem parar sobre a cabeça dos músicos, dando uma amostra do clima do espetáculo.

Aliás, espetáculo é o mínimo que se pode dizer sobre um show do Iron Maiden. Música e cenografia atuam em conjunto, com efeitos de luz, chamas e criaturas gigantescas. O show é composto por 3 atos diferentes, marcados pela rápida transformação de elementos temáticos no palco. O primeiro faz referência à guerra, o segundo à religião e o terceiro ao inferno. É difícil falar sobre os pontos altos em termos visuais, já que a cada música, temos uma surpresa diferente e impactante diante dos nossos olhos. Além do avião do início, ganha destaque a entrada do mascote Eddie the Head em “The Trooper”, as chamas que tomam conta do palco em “Sign of the Cross”, o enorme Ícaro e o lança-chamas de Bruce em “The Flight of the Icarus”, e a gigantesca cabeça de um Eddie demoníaco que emerge em “Iron Maiden”.

Tudo isso, coroado pela interpretação de Bruce Dickinson, que se diverte com as trocas de figurinos para encarnar cada personagem presente nas composições. Aliás, todos visivelmente se divertem muito no palco, a exemplo de Steve Harris transformando o baixo em metralhadora imaginária, disparando notas “galopantes” no público, ou Janick Gers saltitando e fazendo suas ousadas piruetas com a guitarra.

Quanto às músicas de destaque, também é difícil elencar. Para uma banda com uma trajetória de mais de 40 anos, um set list de duas horas se torna pequeno para tanto hit. E isso dá a sensação de que o show passa voando. Para citar um momento em que se percebe uma agitação ainda maior do que nas demais, por ser uma das músicas mais populares (mesmo alguns fãs torcendo o nariz por esse motivo), “Fear of the Dark” agita o público de uma maneira diferente. Até os mais concentrados não resistem a bater cabeça, iluminar o estádio com a lanterna do celular e, claro, cantar junto do início ao fim.

Mas, voltando a Bruce Dickinson, ele é um elemento importantíssimo desse espetáculo. Aos 61 anos, consegue manter a potência vocal durante as duas horas de show sem escorregar. Carismático, conversou em diversos momentos com os fãs. E não parou de se movimentar, correndo de um lado para o outro e regendo o público com movimentos que arrancavam gritos. É uma energia que, com certeza, dá inveja a muito fã bem mais jovem. Ele se despediu prometendo voltar. Certamente, o público já aguarda ansiosamente a nova oportunidade de um espetáculo épico.

Nota: mudança de formato do estádio sem aviso

Fora tudo de maravilhoso que é uma apresentação do Iron Maiden, vale destacar uma questão específica deste show em Porto Alegre. A produtora que organizou a vinda da banda, havia estimado (ou subestimado, nesse caso), um público de aproximadamente 25 mil pessoas, prevendo formato anfiteatro (meio estádio). Na parte de pista, foi ofertada pista única, designada como Pista Premium, dada a proximidade de que se teria do palco, em princípio. Porém, com a enorme procura, foram sendo disponibilizados mais lotes e se chegou a cerca 40 mil ingressos! Dessa forma, o show mudou para estádio inteiro. O resultado foi uma desagradável surpresa para os fãs que estavam esperando ver o show de perto e se deparam, ao chegar na Arena, com o novo formato, que mudou drasticamente a visibilidade. A não divulgação da mudança gerou diversas reclamações entre o público, principalmente por não terem tido a oportunidade de fazer uma escolha diferente.

Por: Lisiane de Assis (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione
Foto – Iron Maiden em SP: Camila Cara

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