Nico 1988: cinebiografia da estrela do Velvet Underground está em cartaz nos cinemas

setembro 12th, 20180 Comments »Última Atualização: setembro 13, 2018

Imagem: Reprodução / Youtube

Os últimos anos de vida da lendária cantora alemã Christa Päffgen (1938 – 1988), também conhecida como Nico (anagrama para “icon”), foram revelados nesta versão cinematográfica ousada da diretora italiana Suzana Nichiarelli. O ponto alto do longa fica por conta da impressionante interpretação e da performance musical da atriz dinamarquesa Trine Dyrholm (Amor é Tudo o Que Você Precisa), que, apesar de não ter tanta semelhança física, reproduz com precisão a voz da musa de Andy Warhol. Além da trilha sonora, que é muito bem usada no roteiro, o filme conta com a fotografia belíssima de Crystel Fournier.

A produção ítalo-belga de 2017 segue o estilo road-movie, acompanhando a carreira solo de Christa Päffgen, entre 1986 e 1988, e a última turnê com sua banda pela Europa, às vésperas do fim da Guerra Fria. É como uma segunda história da artista assumindo uma identidade própria, onde deixa para trás o vício em heroína, a beleza e o glamour do passado para revelar suas faces de mãe e mulher, mas com a humanidade e a poesia que uma cinebiografia necessita.

Em cartaz no Brasil desde 30 de agosto, “Nico – 1988” começa com um flashback de Christa Päffgen, ainda menina, olhando para as ruínas cobertas por uma cortina de fumaça e ouvindo o som das chamas que consumiram Berlim, a capital alemã, após o bombardeio dos Aliados na Segunda Guerra.

Na sequência, o ano é 1986. Nico está com 46 anos, em Manchester, cidade da Inglaterra onde escolheu viver. Ao ser entrevistada numa rádio local, um DJ a apresenta como “femme fatale de Lou Reed”. Ela grita: “Não me chame assim”. Quando questionada se quer falar sobre o Velvet Underground, ela responde: “Não, eu não quero.” O enfático “Não” dito pela protagonista Trine Dyrholm determina o tom do filme. “Ela não tinha nostalgia, nem saudade sentimental da primeira parte de sua carreira musical em oposição à segunda. Talvez essa seja a principal razão para que eu tenha me apaixonado pelo que Nico se tornou nos anos 1980: essa mulher de 40 anos que eu vi nas entrevistas, tão irônica e tão forte, sem se importar nem um pouco com a superstar que ela tinha sido, sobre a beleza lendária que ela tinha parado de carregar. Como seu filho me disse uma vez: ela parecia indestrutível. Tão longe do clichê da estrela em decadência ou da quarentona frágil sentindo falta de sua juventude. Eu amei que ela era tão diferente do clichê.” Declarou Nicchiarelli à revista Variety.

Além de Berlim e Manchester, o longa-metragem foi ambientado em cidades europeias como Paris, Praga e Nuremberg, com cenas na zona rural polonesa e costa romana. Termina em Ibiza, ilha no litoral leste da Espanha, mesmo local onde Nico sofreu uma parada cardíaca enquanto andava de bicicleta.

Christa Päffgen “Nico” foi uma modelo e cantora de voz andrógina, coestrela da banda Velvet Underground, um dos símbolos da cultura pop no final dos anos 1960 e 1970. Começou sua carreira como modelo e logo ganhou um pequeno papel em “La Dolce Vita” (1960), de Fellini. A partir daí, assinou contrato com uma grande agência de Paris e seu rosto invadiu as capas de revistas do mundo todo. A artista, dona de uma beleza impressionante, teve uma longa lista de namorados no meio da música e das artes. Entre eles, Jim Morrison (The Doors); Lou Reed, seu companheiro dos tempos de Velvet Underground; e Alain Delon, pai de seu único filho Ari.

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Edição: Reduto do Rock

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