Boas doses de adrenalina com QOTSA e Foo Fighters em Porto Alegre

março 8th, 20180 Comments »Última Atualização: março 20, 2018

Cobertura – Direto do Estádio Beira-Rio (RS)

Parece que agora virou tradição chover forte em dia de show em Porto Alegre. Depois do temporal que antecedeu a apresentação de Phil Collins dia 27/02, no domingo (04/03), próximo do momento do Ego Kill Talent subir ao palco, novamente caiu uma forte chuva. É a segunda vez que a banda é responsável por abrir shows internacionais de peso. Da última vez, se apresentou antes de Korn, em abril de 2017. Agora, não apenas para um, mas para dois grandes nomes do rock: Queens of the Stone Age e Foo Fighters.

Ainda nem tinha anoitecido quando, pontualmente às 19h, Josh Homme e todo o peso do QOTSA estavam a postos. Muitas pessoas ainda chegavam ao estádio, já recebendo o impacto das intensas guitarras da banda, uma bela recepção para quem desejava uma noite de bater cabeça. A qualidade sonora no Beira-Rio estava ótima, digna do que o som dos caras pede, permitindo sentir no peito a vibração, a “porrada” de cada acorde. Aliás, porrada é a palavra que melhor descreve um show da banda. Não tem firulas, só potência e intensidade, sem muito tempo para pensar ou mesmo respirar.

Apesar de a atração mais esperada ser o Foo Fighters, é impossível ficar imune a uma apresentação ao vivo do QOTSA. Parte do público curtiu o show, principalmente na hora das unânimes “Little Sister” e “No One Knows”. No palco, muitas luzes, na maior parte do tempo em tons alaranjados, piscavam freneticamente, dançando no ritmo acelerado de cada música. Alguns bastões luminosos móveis também compunham o cenário e ficavam como “joão bobo” quando os músicos resolviam dar um “chega pra lá” em algum deles. Homme foi um pouco mais, digamos, intenso, e tratou de derrubar um deles em “A Song for the Dead”, que encerrou a apresentação.

Quando o público de mais de 30 mil pessoas já lotava o local, exatamente às 21h, uma figura cabeluda aparece correndo e gritando. Claro, Dave Grohl. Não à toa, começou com “Run”, música do álbum mais recente Concrete and Gold. Seguiram “All My Life”, “Learn to Fly” e “The Pretender”, com tantos hits, os fãs se empolgariam naturalmente, mas o vocalista parece fazer questão de injetar uma dose extra de adrenalina em cada um. Para quem já ouviu falar da fama de elétrico do músico em shows ao vivo, pode acreditar, é muito mais do que se imagina.

O baterista Taylor Hawkins é outro protagonista da noite. Após um duelo entre bateria e a guitarra de Grohl, logo na primeira metade do show faz um agitado solo. Neste momento, a plataforma onde se apresenta se eleva a alguns bons metros de altura. As imagens no telão pegam cada detalhe, apresentando, inclusive, um ângulo sobre o baterista, dando visão privilegiada os fãs, que conseguem conferir todas as nuances das baquetas.

Na hora em que Dave Grohl apresenta os músicos, cada um tem o seu momento e puxa um cover diferente, com direito a “Under My Wheels” (Alice Cooper), um mashup de “Imagine” (John Lennon) e “Jump” (Van Halen), “Blitzkrieg Bop” (Ramones) e uma verdadeira declaração de amor do vocalista a Taylor, com “Love of My Life” (Queen), quando ambos parecem realmente emocionados e até com os olhos marejados. Nesta hora, Dave assume a bateria e o parceiro canta “Under Pressure”. É um momento em que a gente se pergunta como que, com tantos hits, eles ainda conseguem achar espaço para covers…

Voltando à animação de Dave Grohl, que merece mais alguma atenção, ele conversa e comanda o público o tempo todo. Diversas vezes, fez com que o estádio fosse iluminado pelas lanternas dos milhares de celulares. Perguntou quantas pessoas estiveram na última apresentação da banda em Porto Alegre, no ano de 2015. Surpreendeu-se ao saber que a maioria estava assistindo ao FF pela primeira vez. Declarou que, o público desta turnê brasileira, incluindo os shows do Rio de Janeiro e de São Paulo, foram a melhor audiência (em termos de empolgação) que eles já tiveram.

Na hora do bis, do backstage, Dave apareceu no telão, “negociando” através de gestos com o público quantas músicas a mais tocariam e pedindo mais barulho. Quando voltaram, chamou para o palco um pequeno fã, de aparentemente uns 11 anos, e sua mãe para curtirem o finalzinho do show em lugar privilegiado. Finalizaram a noite, após duas horas e meia, com “Dirty Water”, “This Is a Call” e “Everlong”. O vocalista se despediu prometendo voltar.

Voltando à pergunta sobre os covers, a resposta talvez seja diversão. Fica claro o quanto a banda se diverte no palco, e esse talvez seja também o segredo para seu tempo de estrada. Se manter em alta durante mais de 20 anos requer uma boa dose de diversão, e o show é o momento em que compartilham tudo isso com o público. Sorte dos fãs.

Mais fotos exclusivas (clique nas setas ou na imagem):

Foo Fighters e QOTSA em Porto Alegre (Exclusivas)

Por: Lisiane de Assis (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione
Fotos: Alexandre Alaniz para Reduto do Rock

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