Phil Collins prova que “ainda está bem vivo” no show em Porto Alegre

março 4th, 20180 Comments »Última Atualização: março 4, 2018

Cobertura independente – Direto do Estádio Beira-Rio (RS)
Foto: Move Concerts Brasil (Divulgação RJ)

A previsão do tempo não anteviu o forte temporal que caiu em Porto Alegre, no início da noite da última terça-feira (27). Mas nem precisava, porque, independente de condições meteorológicas desfavoráveis, o prenúncio consumado era de que os fãs de Phil Collins teriam uma noite inesquecível.

O estádio Beira-Rio já contava com uma boa movimentação quando começaram os primeiros relâmpagos. O músico local Duca Leindecker se apresentava com seu violão, por volta das 18h45, e contagiava o público que ia se acomodando aos poucos. Aliás, atração muito bem escolhida como show de abertura (o que muitas vezes não acontece), que traz até determinadas semelhanças com o artista principal: um repertório de baladas suaves, que não precisa nem ser um super fã do músico para sair cantando as letras. Estava bonito de se ver, uma pena que, com a chuva, muitos começaram a se refugiar nos bastidores do estádio, “abandonando” o show.

Em seguida, uma pessoa da produção avisou que a primeira atração internacional da noite, nada menos do que The Pretenders, iniciaria com um atraso de 25 minutos, para que pudessem restabelecer as condições do palco após tanta água. Conforme prometido, pontualmente 20h10, Chrissie Hynde e toda a sua atitude punk rock subiram ao palco para surpreender os desavisados com um bocado de barulho. Ao longo de uma hora de show, o público, que na sua maioria aparentava ter idades a partir de 35 e 40 anos, foi sendo contagiado. Mesmo os que pareciam não fazer muita ideia de quem estava no palco (sim, muita gente vai pelo show principal sem se informar sobre quem vai abrir), começou a reconhecer os principais sucessos da banda, cantar e se movimentar bastante. A vocalista, aos 66 anos, mostrou ótima qualidade vocal e muita simpatia, conversou diversas vezes com o público, respondendo a pedidas de músicas com brincadeiras como: “No ano que vem voltamos para tocar esta”.

Depois de Pretenders e ainda mais empenho da produção para secar o palco, às 21h45, Phil Collins, devagarinho e com ajuda de sua bengala, adentra o palco. Antes de qualquer música, senta e cumprimenta o público em português. Começa com “Against All Odds (Take a Look at Me Now)” e “Another Day In Paradise”, dois dos maiores, se não os maiores, hits do músico. O que poderia vir depois?

Apesar de debilitado em razão de um grave problema de coluna, continua cantando com maestria. E, quem achava que o show seria desanimado por ele se apresentar sentado, se enganou completamente. Muito mérito da banda que conta com nada menos do que 14 músicos, que comandaram o ritmo da noite, se movimentando o tempo todo. A maior parte da banda fica sobre um degrau e, atrás deles, um painel de telão com imagens que variam em cores e formas acompanha toda a extensão do palco. Muito generoso, Collins faz questão de dar ênfase a cada um dos músicos. Se destacam o quarteto de sopro, daqueles que fazem até coreografias ensaiadas, e a potência dos backing vocals. Sem esquecer, claro, do talento precoce do baterista, Nic Collins, a quem o orgulhoso pai descreveu como “um bom garoto”.

Quem ficou surpreso com a “entrega do ouro” já nas primeiras duas canções do setlist, ao longo da noite, pôde entender a dinâmica do show. No ritmo do repertório, a apresentação segue em uma crescente contagiante, até atingir seu ápice. E é hit atrás de hit, para todos os gostos e capazes de causar diferentes sensações: desde nostalgia até completa empolgação. Alguns dos momentos altos (que não são poucos), foram com a música “In the air tonight”, que teve uma introdução mais longa do que o normal, acompanhada de um momento mais obscuro no palco, com lasers roxos, que deram o clima da canção. Outro destaque ficou para a contagiante “Easy Lover”. Quem permanecia sentando no setor das arquibancadas, até então, tratou de se levantar e não parou mais até o final. O estádio virou pista de dança. Depois, veio “Sussudio” e uma explosão de serpentina colorida vinda do palco em direção ao público. Mesmo com a dificuldade de locomoção, Phil Collins cumpriu o protocolo do bis, saiu e voltou para “Take me home”, encerrando o show e a passagem pelo Brasil com muita energia, provando para todos, como brinca o nome da turnê, que “Not Dead Yet” (não estou morto ainda).

Por: Lisiane de Assis (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione

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