Bon Jovi em Porto Alegre: estreia tão contagiante quanto seus clássicos refrãos

setembro 20th, 20170 Comments »Última Atualização: setembro 24, 2017

Cobertura – Direto do Estádio Beira-Rio (RS)

A noite da última terça-feira (19) foi marcada por mais um grande show internacional em Porto Alegre, quando os americanos do Bon Jovi fizeram a sua estreia na cidade. Na véspera do Dia do Gaúcho, os apreciadores locais de hard rock não poderiam ter tido melhor comemoração, em uma apresentação repleta de hits e muito carisma.

Antes da atração principal, a plateia ganhou de brinde a abertura de ninguém menos do que The Kills. Infelizmente, é preciso dizer que a maioria do público aparentava desconhecer completamente a guitarra pesada e bateria marcante da banda, além do vocal gritado de Alison “VV” Mosshart. Muitas pessoas, entre suas rodas de amigos, criticavam a sonoridade e ansiavam pelo término da apresentação. Quem estava posicionado mais próximo ao palco chegou a ouvir vaias. Também seguiram reclamando no evento do show no Facebook, até confundindo a postura punk rock de Alison com antipatia. A vocalista, aliás, também faz parte da The Dead Weather, um dos projetos de Jack White, o que já dispensa qualquer comentário, porque tocar com este grande gênio do rock da atualidade não é pra qualquer um. Vale lembrar também que o The Kills tem quase 20 anos de estrada, cinco álbuns e sete EP’s lançados. Sabemos que abertura costuma ser uma coisa complicada, afinal, as pessoas querem mesmo é ver a atração principal. O que deveria ser feito é buscar um grupo com mais identificação com o som e com a maior parte do público do Bon Jovi. Quando não há esta conexão, plateia e bandas só têm a perder. Dito isso, vamos aos astros da noite.

Eram 21h19, mais de 10 minutos antes do previsto, quando as luzes se apagaram. Imagens de uma estrada sendo percorrida começaram a passar no telão, que culminaram em diferentes pontos de Porto Alegre, já conquistando a simpatia do público. “This house isnot for sale”, que dá nome à turnê e ao álbum mais recente da banda, abriu a apresentação. Já de início, deu para perceber que o som estava baixo, o que decepcionou um pouco, mas não a ponto de comprometer a energia do show ao longo da noite. Em seguida, trouxeram uma das clássicas dos anos 1980, “Raise Your Hands”. Após, Jon Bon Jovi cumprimentou o público com um carismático sorriso, que estampou seu rosto durante a maior parte do tempo. Na sequência, mais uma das novas, “Knockout” e, para alternar, “You Give Love a Bad Name”, um dos maiores hits da banda, botou o público abaixo.

A noite transcorreu de maneira agitada, pois são tantos clássicos, que o público não tem muito tempo para respirar entre um e outro, afinal, são 35 anos de carreira. E o front man, Jon Bon Jovi, sabe comandar a energia da banda e do público como ninguém. Com anos de experiência em cima dos palcos, parece ter decorado os movimentos, expressões e olhares certos para provocar as reações que deseja. Se conecta bem com todos os integrantes da banda, se empolga com cada acorde e faz gestos marcantes. Também sabe que continua fazendo o coração das fãs bater mais rápido e não deixa de dar “reboladinhas” para provocar ainda mais gritos. Não é novidade que não alcança mais as notas como antigamente, mas, nem por isso, demonstra menos vitalidade. Para compensar, conta bastante com a contribuição vocal de toda a banda, o que torna tudo ainda mais contagiante.

As imagens do telão, apesar de às vezes serem apenas fotos de cenários imóveis, como casas antigas, contribuem para uma bonita composição no palco. Destacam-se também as luzes douradas na hora de “Someday I’ll Be Saturday Night”, que apareceu em uma versão acústica, seguida pela balada “Bed of Roses”, entoada inteirinha pelos fãs. Foi o momento de maior calmaria do show, mas que logo foi quebrado por mais um dos pontos altos da noite, quando veio “It’s My Life”.

Quem estava apreensivo com a falta de Richie Sambora, não deve ter se decepcionado com Phil X. O guitarrista, aparentemente agradou, cumprindo muito bem o seu papel, além de ser extremamente simpático.

Para finalizar a primeira parte do show, antes do bis, veio “Bad Medicine”. No telão, cinco mulheres poderosas, em uma imagem com filtro ultravermelho, faziam danças sensuais, compondo perfeitamente com o clima da música. Nesta hora, Jon Bon Jovi, que usou apenas duas vezes a passarela que alongava o palco para mais próximo do público, não resistiu e resolveu retribuir toda o carinho que vinha ganhando até ali: desceu até os fãs. Caminhou por toda a extensão da grade da pista premium, de um lado ao outro. Voltou abraçado em uma bandeira do Brasil, deixando o momento ainda mais emocionante.

Após pequeno intervalo, a banda retornou sem a presença do vocalista e puxou um “Olê, olê, olê”, respondido pela plateia que se dividiu entre gritos de“Grêmio” e “Inter”. Logo após, já com a volta de Jon, o bis seguiu com “In This Arms”, Blood on Blood” e a clássica absoluta “Livin’ on a Prayer”. Visivelmente emocionado, Jon Bon Jovi se ajoelhou por um momento, demonstrando gratidão pela resposta dos fãs. Abraçado nos companheiros de banda, reverenciou o público e deixou o palco. Mesmo após a banda se despedir, alguns fãs clamavam por “Always” e, depois, um grupo entoou um trecho de “I’ll Be There For You”, que não entraram no setlist.

Vale chamar atenção para o fato de que, mesmo para os fãs dos tempos mais antigos, que poderiam não estar muito familiarizados com as músicas mais recentes que apareceram no setlist, elas não deixam a desejar – outra delas foi a animada “Roller Coaster”. Parece que Jon Bon Jovi e seus parceiros têm o dom de conhecer as notas e as palavras certas para arrebatar o público, sempre compondo melodias e arranjos que vão crescendo até explodir e contagiar completamente nos refrãos. Por isso que, ao longo de todas as décadas de existência, a banda vem enfileirando hits que se tornam verdadeiros clássicos. E é por isso que consegue proporcionar um show tão contagiante, que não tem como não pular e cantar junto. Se o primeiro desta vinda ao Brasil já foi assim, quem pretende assistir aos caras no Rock in Rio e no São Paulo Trip, pode criar boas expectativas.

Setlists

The Kills

 

Bon Jovi

Por: Lisiane de Assis (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione
Fotos: Edu Deferrari (Hits Entretenimento/Divulgação)

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