João Rock realiza sua 16ª edição com retorno da Pitty e despedida d’O Rappa

junho 13th, 20170 Comments »Última Atualização: junho 15, 2017

Cobertura – Direto do Parque Permanente de Exposições (Ribeirão Preto)

Há 16 anos, o João Rock transforma Ribeirão Preto na Meca do rock nacional. Uma vez por ano milhares de pessoas de todo o Brasil se voltam para o interior de São Paulo, para pular e cantar junto com os maiores expoentes do rock brasileiro. Foram mais de 10h seguidas de música, três palcos, 18 bandas e algumas surpresas nesta 16ª edição do João Rock.

Dia 10 de junho, às 16h, o som já começou a rolar no Parque de Exposições com as bandas vencedoras do concurso promovido pelo festival, NDK e Machete Bombs, no palco principal, e com Selvagens à Procura de Lei no Palco Fortalecendo a Cena, dedicado a nova cena nacional. Às 17h, foi o reggae que tomou conta do espaço com Armandinho, fazendo uma viagem em seus 17 anos de carreira. Combinou bem com o clima de final de tarde que tomava conta de Ribeirão Preto.

Ao mesmo tempo, o cantor Zé Ramalho inaugurava o Palco Brasil, dedicado à música nordestina. Zé Ramalho conseguiu acumular um bom e participativo público em seu palco, com destaque para uma de suas canções mais famosas “Admirável Gado Novo”, lançada ainda nos anos 70, mas bem conhecida entre a jovem plateia do João Rock.

O próximo a tomar conta de uns dos palcos principais foi o gaúcho Humberto Gessinger, que há 12 anos não fazia parte do evento. O show de Gessinger era aguardado ansiosamente pelo público, que formava uma grande fila para ter acesso à pista premium ou preenchia cada espaço na pista comum para cantar em alto e bom som os clássicos dos Engenheiros do Hawaii, como “Infinita Highway”,  “Refrão do Bolero”, “Terra de Gigantes”, tocada no acordeon, e “Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles E Os Rolling Stones”. A apresentação contou ainda com um momento especial, quando Dinho Ouro Preto (Capital Inicial) subiu ao palco para cantar “Olhos Abertos”, ao lado de Gessinger.

Nando Reis e o pernambucano Alceu Valença dividiram o mesmo horário no festival. Nando é veterano no João Rock, marcando presença em diversas edições. Já Alceu estreava no evento com uma empolgada plateia, que acompanhava a energia eufórica do cantor no Palco Brasil. Já Nando Reis trouxe a turnê do seu mais recente álbum Jardim Pomar, abrindo o show com novas canções “Infinito 8” e “Inimitável”. Com uma apresentação muito visual, o público fiel de Nando Reis cantava seus hits a plenos pulmões, com destaque para a sempre emocionante “Segundo o Sol”, eternizada na voz de Cássia Eller. Não é difícil imaginar o sucesso que a cantora faria em um festival como o João Rock.

A próxima atração também já​ acumula grandes apresentações no João Rock, incluindo uma no palco comemorativo relembrando os 15 anos de história do festival, na edição passada. O CPM 22 desta vez priorizou a divulgação do seu novo disco Suor e Sacrifício, lançado este ano, com as canções “Ser Mais Livre”, “Linha de Frente” e “Honra Teu Pai”, dedicada ao pai de Badauí, que faleceu ano passado. Mas claro que os grandes hits do grupo paulista não poderiam ficar de fora. “Tarde de Outubro”, “Regina Let’s Go” e “Um Minuto Para O Fim Do Mundo” incendiaram a plateia na noite fria de Ribeirão.

Pouco depois do início do show de Lenine no Palco Brasil, a Pitty retornou aos palcos mais de um ano depois de anunciar uma pequena pausa para se dedicar a sua gravidez e à filha Madalena. O público estava ansioso para ver Pitty de volta ao João Rock e a cantora não decepcionou entregando uma apresentação intensa e som pesado. Começando com “Admirável Chip Novo”, era difícil entender o que era mais potente: a voz dos fãs ou da vocalista. “É uma honra e um privilégio dividir essa noite com vocês. Depois de tudo, depois de tanto, estamos aqui de novo, que lindo. Vamos juntos?”, convidou Pitty antes da canção “Setevidas” de seu último álbum.

O show seguiu com grandes os hits de sua carreira, sendo cantados a plenos pulmões pela plateia. “Memórias”, “Serpente”, “Equalize”, “Na Sua Estante”, “Máscaras”, é quase impossível eleger a canção mais memorável em uma das melhores apresentações da noite.

Pitty já se consagrou como um dos grandes nomes do rock nacional e umas das poucas mulheres representando a cena. Em uma rápida olhada no line-up dos últimos anos, chama atenção a falta de representatividade de mulheres nos palcos do João Rock. Ano passado, quando Pitty não estava fazendo show, nenhuma mulher foi escalada para o palco principal do evento, e este ano retomando a carreira, Pitty era a única mulher no line-up. A cantora chamou a atenção para o assunto e pediu mais representatividade nas próximas edições do festival.

A apresentação do Capital Inicial foi tudo aquilo que o público esperava. Inúmeros hits da carreira de mais de 30 anos, como “Independência”, “Quatro Vezes Você”, “Natasha”, “Olhos Vermelhos” e “Primeiros Erros”, as composições de Renato Russo eternizadas por Dinho Ouro Preto, como “Música Urbana”, “Fátima” e “Veraneio Vascaína” e a clássica “Que País É Esse?”, entoada após o previsível discurso político do Dinho. Porém, mais previsível ainda é a entrega da plateia que cantou junto cada verso tocado pelo grupo de Brasília.

Se a Pitty foi recebida por um público ansioso por conta da sua pausa dos palcos, O Rappa era muito aguardado por estar se despedindo deles. A banda carioca anunciou que cumprirá a agenda de shows até fevereiro de 2018 e vai parar, desta vez, sem previsão de volta. Sendo assim, aquela poderia ser uma das últimas chances de ver a banda ao vivo, sendo mais um motivo para que os fãs aproveitassem e curtissem cada segundo da apresentação. “O Salto”. “Homem Amarelo”, “Lado A Lado B”, “Reza a Vela” e “Súplica Cearense” foram tocadas quase na sequência deixando a plateia mais que aquecida na noite, que ficava cada vez mais gelada. “Pescador de Ilusões” emocionou o público, quando o Parque de Exposições apagou suas luzes para que todos acendessem seus isqueiros, celulares e cantassem em plenos pulmões em meio àquela constelação.

E para fechar a noite, o rapper Emicida subiu ao palco para um show cheio de energia, surpresas e críticas sociais. Os convidados não decepcionaram, começando com Pitty para música “Hoje Cedo” gravada em parceria entre os dois músicos. Em seguida foi a vez de Vanessa da Mata para cantar “Passarinhos” e ainda presenteou a plateia com a canção “Ai, ai, ai”.

Emicida não deixava o público esfriar, interagindo o tempo todo. Ensinou passos de danças e emocionou a plateia ao lembrar do Chorão, contando que em sua última conversa com o vocalista do Charlie Brown Jr, os dois prometeram gravar uma música juntos. Para homenagear o amigo, Emicida cantou “Como Tudo Deve Ser”. E completando o time de convidados, o rapper chamou todos que colaboram na canção “Mandume”. Drik Barbosa, Rico Dalasam, Amiri, Muzzik e Raphão Alaafin entregaram uma interpretação poderosa da música. Emicida encerrou a noite com “Levanta e Anda”, deixando todos no ponto para o João Rock 2018.

Mais fotos exclusivas (clique na imagem ou nas setas):

Festival João Rock 2017 (Exclusivas)

Por: Ihanna Barbosa (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione
Fotos: Camila Cara para Reduto do Rock

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