Desert Trip: o festival que você e eu gostaríamos de ter ido

outubro 18th, 20160 Comments »Última Atualização: outubro 19, 2016

Opinião: Murilo Pappini Couto (Colaborador Reduto do Rock)
Edição: Diego Centurione e Ihanna Barbosa

Anunciado há alguns meses, o Desert Trip (Califórnia) prometia ser um festival para entrar na história da música como um daqueles inesquecíveis. Nada mais justo, afinal o line-up reunia apenas gigantes do rock: Bob Dylan, The Rolling Stones, Neil Young, Paul McCartney, The Who e Roger Waters.

A expectativa e a ansiedade dos fãs eram tantas que apenas um final de semana não deu conta, houve a necessidade de ser um evento com duas apresentações de cada artista. Assim como é no Coachella.

Tudo se cumpriu quando no dia 7 de outubro foi dado início e os sortudos, que conseguiram comprar ingressos, puderam assistir a verdadeiras lendas do rock tocando seus melhores sons de todos os tempos. Confira uma resenha de cada dia:

As sextas-feiras (7 e 14) – Bob Dylan e The Rolling Stones

Nada melhor do que abrir o grande festival com um dos maiores, senão o maior, compositor que existe: Robert Allen Zimmerman, ou simplesmente Bob Dylan. O artista norte-americano subiu ao palco para esquentar ainda mais o público que o esperava no deserto. O setlist do cantor veio repleto de clássicos e se manteve praticamente igual em ambas apresentações. Iniciando com “Rainy Day Women #12 & 35”, os shows passaram ainda por alguns clássicos como “Ballad Of a Thin Man”, “Tangled Up In Blue” e “Highway 61 Revisited”.

Diferente mesmo, apenas as duas últimas músicas: no dia 7 a apresentação foi encerrada com “Masters Of War” e, na semana seguinte, coube a “Why Try To Change Me Now” encerrar sua performance, não sem antes ser ouvida a clássica “Like a Rolling Stone” e jogar um balde de água fria em quem esperava uma parceria dele com a banda que vinha a seguir. Diferentemente da semana anterior, no dia 14 Dylan subiu ao palco já com seu Prêmio de Nobel de Literatura anunciado. Aliás, o artista é o único da história a ter um Nobel, um Oscar, um Grammy e um Globo de Ouro. Só isso.

Depois de Bob, a plateia esperava para ver os senhores do rock, uma das bandas mais famosas e bem-sucedidas da história. “Ladies and gentlemen, The Rolling Stones!”. Puxados por essa apresentação, subiram ao palco Charlie Wats, Ronnie Wood, Keith Richards e Sir Mick Jagger. Os setlists eram parecidos com os da turnê da América Latina, que ocorreu de fevereiro a maio deste ano. Porém, os Stones não deixaram de mostrar surpresas. Colocaram “Just Your Fool”, cover que estará em seu recém-anunciado álbum de blues; tocaram após muito tempo “Mixed Emotions”, no dia 7, e “Get Off My Cloud”, no dia 14; e talvez a maior surpresa: “Come Together”, aquela mesma dos Beatles, no primeiro show.

De resto, os grandes clássicos que estamos acostumados e que não podem faltar: “Jumping Jack Flash”, “Gimme Shelter”, “Brown Suggar”, “Sympathy For the Devil” e, logicamente, “(I Can’t Get No) Satisfaction”. Para uma boa parte da crítica, os Stones foram melhores no dia 14 do que no dia 7, pareciam estar mais focados e empenhados em levar o público ao delírio. Entretanto, te desafio a achar alguém que não tenha se divertido ao máximo em uma das apresentações. Digo por experiência própria.

Os sábados (8 e 15) – Neil Young e Paul McCartney

No segundo e quarto dias, Neil Young subiu ao palco antes do anoitecer juntamente com seu grupo, Promisse Of The Real. O artista pouco variou nos setlists e embalou a plateia com alguns sucessos, como “After The Gold Rush”, “Neighborhood” e “Rockin’ In The Free World”. Neil, apesar de um dinossauro do rock, não tem tanta publicidade quanto os outros participantes do festival, e assim foram seus shows. Você sabe exatamente o que esperar quando compra um ingresso para vê-lo: clássicos e uma performance memorável, sem muitas surpresas, mas com muitos pontos altos.

Depois de Neil, subiu ao palco a lenda, o beatle Paul McCartney. Continuando sua turnê “One On One”, Paul pouco mudou em seus shows. Embalou o público com muitos clássicos dos Beatles, Wings e de sua carreira solo. Estavam lá, em ambas as noites, “A Hard Day’s Night”, “Can’t Buy Me Love”, “Let It Be”, “Hey Jude”, “Maybe I’m Amazed”, “Band On The Run” e “Live And Let Die”, com sua tradicional pirotecnia de tirar o fôlego.

De surpresa mesmo apenas a inclusão depois de um bom tempo do medley “A Day In The Life/Give Peace a Chance”, que homenageou John Lennon antes do seu 76° aniversário (9 de outubro) e que contou com Neil Young se juntando ao beatle. No segundo final de semana, Rihanna subiu ao palco para dividir os vocais de “FourFiveSeconds”, música sua de co-autoria de McCartney e que foi tocada em ambas apresentações. De resto, nada mais do que os shows de Paul costumam oferecer: animação, emoção e um saldo mais do que positivo para a noite.

Os domingos (9 e 16) – The Who e Roger Waters

Para começar as noites que encerrariam os finais de semana, foram escolhidos os britânicos do The Who. Com dois setlists idênticos, os vovôs botaram pra quebrar como sempre e agitaram como se ainda tivessem seus 20 e tantos anos, levando a plateia de volta para os anos 60. Clássicos não faltaram, como “I Can See For Miles”, “Pinball Wizard”, “Baba O’Rilley” e claro seu maior sucesso “My Generation”. A banda conseguiu preparar bem o público para o grand finale, deixando todos dançantes e animados para a próxima atração, que também prometia ser espetacular.

E quem encerrou os fins de semana foi ninguém mais, ninguém menos do que Roger Waters, o lendário baixista e compositor do Pink Floyd. Trazendo dois sets idênticos, o britânico entoou diversos clássicos de seu antigo grupo, como “Time”, “Money”, “Comfortably Numb” e “Wish You Were Here”.

Logicamente que não poderia faltar “Another Brick In The Wall”, que veio acompanhada de um coral com crianças que cantavam lindamente um dos mais conhecidos refrãos da história. “Hey, teachers, LIVE THEM KIDS ALONE”, foi cantado em uníssono por toda a plateia. Além disso, o artista aproveitou para deixar seu protesto e repúdio pela candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

Assim foi o super Desert Trip, considerado já por muitos como o maior festival de rock do século. Ficou com vontade de ter ido, né? Sim, eu sei, fiquei com muita vontade também… Mas calma. A produção já tinha dito antes da realização que este poderá ser um evento anual. Também foi noticiado que ele rodaria o mundo, e o primeiro país especulado para recebê-lo foi o Brasil.

Claro que é só especulação e nada está confirmado ou mesmo rascunhado (pelo menos não que a gente saiba), mas nos resta torcer e começar a guardar as moedinhas. Afinal, vai que…

Pra encerrar, uma opinião: para mim seria sensacional se este festival aterrissasse no Brasil, logicamente. Mas, sinceramente, eu mudaria algumas apresentações. Meu line-up ideal manteria Stones e McCartney, acrescentando Red Hot Chilli Peppers, Foo Fighters, Queen e Guns N’ Roses. Ficaria mais balanceado de lendas com bandas da minha geração.

E para você? Qual seria o festival perfeito?

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