Fanfic: Elvis Presley, o Rei vira Lenda

agosto 18th, 20160 Comments »Última Atualização: agosto 18, 2016

Por: Murilo Couto (Colaborador Reduto do Rock)
Edição RR: Diego Centurione
Esta é uma fanfic e seus fatos não representam necessariamente a realidade

Era quase tarde do dia 16. Elvis se levantou um pouco mais cedo que o usual. Aquele velho problema para dormir o incomodava cada vez mais. Passara a noite anterior em claro, quando juntou os olhos já passavam das 9 da manhã.

Um pouco irritado e com ressaca da noite anterior, se levantou, olhou para sua namorada, pegou uma revista e disse “vou ao banheiro”. Ouviu uma brincadeira do tipo “não vá pegar no sono lá dentro” e entrou.

Ainda de pé, deu uma olhada na capa da revista. Uma manchete, ainda que pequena e de rodapé, o deixou ainda mais irritado. “O que acontece com Elvis Presley?” dizia a matéria. Se apressou para abrir na página indicada e começou a ler aquilo que parecia mais uma ofensa pessoal do que uma crítica ao seu trabalho. Sim, ele estava gordo. Sim, abusava do álcool e das drogas. Mas nunca desapontou nos palcos. Se seu gingado já não era mais o mesmo de antigamente, sua voz ainda estava impecável. E conseguia lotar qualquer casa no mundo!

Embora a matéria fosse sensacionalista, Elvis se sentiu verdadeiramente perturbado com ela. Começou a lembrar do começo de carreira, quando não era ninguém, apenas um garoto de Mississippi que sabia rebolar e cantar alguns blues em troca de míseros trocados. Quando fazia as viagens junto com sua banda em um carro velho, iam ensaiando os números durante o caminho, além de segurar o gigantesco baixo que ia no capô.

Lembrou-se quando o sucesso bateu a porta e começou a ganhar notoriedade em território nacional. O branco que dançava como negro,  adorava levar as garotas à loucura com seus passos ousados. Adorava leva-las à loucura depois dos shows também, é verdade. Mas seu maior tesão era soltar a voz. Apareceu muitas vezes no “Ed Sullivan Show”, o que fez sua popularidade internacional dar um salto gigantesco. Discos vendiam como água, shows apareciam numa quantidade absurda e o dinheiro começava a parecer infinito.

Até que chegou o exército. Elvis na verdade gostava da ideia de servir as forças armadas, era seu dever como cidadão. Mas sua estadia no serviço militar não foi boa para sua carreira. Quando voltou à sociedade, Elvis ligou a TV e viu junto com Ed Sullivan quatro rapazes de terno e cabeludos. O sotaque inglês dos moleques deduravam sua nacionalidade. “Ingleses nos EUA? Não vão durar, estou de volta!”. Mas Presley teve que admitir que eles cantavam bem. E deixavam as garotas até mais loucas do que ele próprio. O tempo foi passando e Elvis começou a sentir a dura realidade da indústria da músicas. Todos só queriam saber de Beatles, Stones, Who, Animals, ou qualquer outra banda de terno que tivesse um “The” a frente do nome.

Ainda assim, ele lotava shows por onde fosse. O problema é que estava começando a ficar gordo. Um sex symbol fora de forma é a última coisa que as revistas queriam. Assim, foi perdendo público, perdendo prestígio e perdendo a vontade. O uso de drogas começou a ficar mais frequente e mais intenso. As brigas com Priscilla, muitas por causa das drogas, também. Elvis sentiu que estava chegando ao fundo do poço. E resolveu mudar.

Começou a gravar músicas menos dançantes e que exigiam mais de sua voz, já que esta sim continuava impecável. “Já que a indústria não me quer mais, fodam-se eles. Agora vou cantar o que sempre quis e do meu jeito”. Suas roupas começaram ser extravagantes. Seu cabelo maior, com costeletas grossas. E quem gostasse, ótimo. Quem não gostasse, que fosse procurar outra coisa.

O público delirou! Seus shows estavam lotados de novo e Elvis estava feliz. Um rei nunca perde sua majestade! Mas perde o amor de sua vida. Priscilla fora embora com Lisa, e o Rei agora estava sozinho em sua mansão em Graceland.

Elvis passou os anos 70 lotando casas e fazendo o que sabia melhor: cantar. E sua carreira foi assim, cheia de altos e baixos, mas se tem algo que ninguém poderia contestar era seu talento para atrair multidões, e sua voz impecável.

Ainda com a revista nas mãos, uma lágrima caiu de seus olhos. Sentiu saudade dos velhos tempos de estrada. Saudade do exército. Saudade até do assédio incontrolável dos fãs. Saudade de Priscilla e de Lisa.

Sentiu também uma forte dor no peito. E por fim, sentiu que o fim estava próximo. Se ajoelhou de tanta dor e tentou controlar a respiração usando técnicas de karatê. Não deu certo, a dor aumentava e seu braço começou a formigar. Veio a falta de ar. Tentou abrir a porta ou gritar por socorro. Infelizmente, não tinha mais forças para nada. Caiu no chão e começou a agonizar. Tudo que conseguia agora era ouvir o rádio. Tocava uma música que ele já tinha gravado, mas essa era a versão com a voz de Frank Sinatra. E teve tempo apenas para ouvir os versos:

“And now the end is near
And so I face the final curtain
My friend, I’ll make it clear
I’ll state my case of which I’m certain

I’ve lived a life that’s full
I traveled each and every highway
And more, much more than this
I did it my way”

Era isso. A cortina estava se fechando.

Ladies and gentlemen, Elvis has left the building.

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