Rolling Stones em Porto Alegre: um show de lavar, literalmente, corpo e alma

março 3rd, 20160 Comments »Última Atualização: março 4, 2016

Cobertura independente – Direto do Estádio Beira-Rio (RS)

A última quarta-feira (2) ficará marcada na história e na memória dos gaúchos, pois memorável é o mínimo que se pode dizer de um dia em que se tem Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts na cidade. Os Rolling Stones encerraram a turnê Olé pelo Brasil, tocando pela primeira vez em Porto Alegre.

Após a apresentação do grupo Doctor Pheabes, às 19h02min, a banda Cachorro Grande, visivelmente emocionada, fez um show com clima de sonho realizado. Muito empolgados pelo merecido posto de abertura dos Rolling Stones, aliviaram um pouco a ansiedade de quem esperava para ver uma das grandes responsáveis pela existência deles mesmos.

Sabendo da pontualidade dos britânicos, fãs faziam contagem regressiva pouco antes das 21h. Às 21h02min, o psicodélico vídeo que vem abrindo os shows da turnê brilhou nos gigantescos telões. O quarteto entrou no palco e o público enlouqueceu com “Jumping Jack Flash”.

Muito simpático, Mick, que deve ter noção de português por ter um filho brasileiro, fez questão de ir mais longe e aprendeu um pouco de “gauchês”. Saudou os porto-alegrenses com “E aí, gurizada”, fez referência ao chimarrão, a passeios turísticos da cidade e ainda soltou um “tri foda!”.

setlist da noite foi quase o mesmo apresentado nos shows pelo Brasil. Se diferenciou por “Let’s Spend the Night Toghether”, escolhida pelos fãs em votação no site do grupo, e pela maior surpresa da noite, a maravilhosa “Ruby Tuesday” que, de acordo com os setlists divulgados no Facebook dos Stones, não era tocada desde 13 de julho de 2013.

Antes da metade do show, a chuva que caia em doses homeopáticas ganhou força e permaneceu pelo resto da noite. Quem pensou que isso impediria mister Jagger de desfilar e saltitar pela passarela que alonga o palco, estava muito enganado. Ele não se intimidou com a chuvarada e veio o tempo todo exibir seu rebolado ao encontro do público. Volta e meia, ainda trazia um companheiro de banda para se molhar também. A energia desse senhor de 72 anos é muito conhecida, mas não dá para ter a verdadeira dimensão até ver de perto, em suas coreografias elétricas, que fazem seus pés e pernas parecer ter vida própria.

Apesar de comandar a festa, Mick, claro, não ofusca o carisma e a guitarra de Keith. O grupo de apoio também não fica pra trás, com destaque para o groove do baixista Darryl Jones e para a potência vocal da backing Sasha Allen.

Um show impecável, energizante, pulsante, da banda mais antiga em atividade, responsável por reverberar o mais puro rock’n’roll, em uma noite de chuva torrencial. Sem dúvida, foi um show de lavar, literalmente, corpo e alma.

Por: Lisiane de Assis (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione
Foto: Duda Bairros (Divulgação/Rolling Stones in Brazil)

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