Roger Waters The Wall, o filme, mostra espetáculo e traumas do ex-Pink Floyd

setembro 30th, 20150 Comments »Última Atualização: janeiro 5, 2016

Opinião de Jamari França
Texto cedido ao Reduto do Rock

Assisti na noite de terça, no UCI do Norte Shopping (Rio de Janeiro), a exibição única de Roger Waters – The Wall. Como esperava, um som de merda, curioso que antes passam um filmeco demonstração do sistema Dolby com um puta som, mas o filme não tem volume, nem presença, nem baixo. Perdi quando aqui esteve em março de 2012 porque estava recolhido para reparos, então me valeu a pena pelo visual, algo nunca visto num show de rock, a não ser em turnês do próprio Pink Floyd.

Roger no Cemitério Militar de Anzio, o ator que representa seu pai não aparece no filme – cena deletada

Uma produção impressionante em som quadrafônico, mas, no UCI, em som merdafônico. A exibição se deu no mesmo dia em 2.200 salas em todo o mundo, mais 500 na América. Cogita-se de uma segunda sessão em outubro ou novembro, a depender do re$ultado desta. Onde vi estava quase lotado com ingressos a R$ 40 e R$ 20.

Depois do The End aparecem Nick Mason (bateria) e Roger Waters para responder perguntas de fãs enviadas pela internet. Aí há uma hilária e fina troca de farpas. A uma pergunta se havia algum arrependimento do que fizera no Pink Floyd, Roger Waters foi firme em dizer que não. Nick franziu o rosto, perguntou de novo e, diante da reiteração do outro, soltou um “deixa pra lá.” Waters fez muita merda na banda, era autoritário e despediu o tecladista fundador Rick Wright. Mais adiante Roger sacaneou Nick, dizendo que ele não era músico, só baterista. E quando Roger disse que a maioria das canções começava com improvisos dele e de Nick, este mandou um significativo “não é assim que me lembro.” Claro que não, Roger trazia tudo pronto.

O rock star convertido em líder fascista

Nick disse que gostaria de fazer uma turnê – “seria legal me tirar de casa”, acrescentou que Roger tinha tocado pelo mundo e indagou se não se sentia solitário. Roger admitiu que gostaria de fazer uma turnê com Mason e David Gilmour. “Por que David não vem tocar com a gente ou é a gente que não vai tocar com ele?”, indagou Waters, que ainda disse que a separação dele com Gilmour foi tranquila. Grossa mentira, teve uma brigalhada porque Roger tentou impedir que os demais usassem o nome da banda e perdeu. Mason disse que quando Waters saiu, ele sentiu como se tivesse perdido um braço, mas “nos saímos bem.” Roger entubou essa, nada comentou, porque ele não só foi aos tribunais contra os demais, como ameaçou empresários americanos de processo caso contratassem a banda sob o nome Pink Floyd, uma tentativa de sabotar a turnê do primeiro álbum sem ele, A Momentary Lapse of Reason, lançado em setembro de 1987. Não deu certo, a turnê foi um sucesso.

Roger Waters fez The Wall para exorcizar a perda do pai, o tenente Eric Fletcher Waters, na região de Anzio, Itália, em 18 de fevereiro de 1944, quando ele tinha cinco meses. O concerto é entremeado por cenas de uma peregrinação, com netos e bisnetos, ao cemitério militar de Anzio onde está a sepultura simbólica dele, porque o corpo nunca foi encontrado. O tenente Fletcher foi considerado MIA – Missing In Action – Desaparecido em Ação – o que alimentou a esperança de que estivesse vivo. No filme, Roger lê a carta de um militar que viu o pai ser morto, o que encerrou o caso.

No começo do filme ele toca num trompete no cemitério a introdução de In The Flesh, a abertura da ópera, com um corte para o mega espetáculo, mostrado na íntegra nas diversas etapas. Nunca vi projeções tão perfeitas e gigantescas no muro de mais de 100 metros, gradualmente finalizado por roadies com blocos brancos de isopor até fechar completamente no final da primeira parte com “Good Bye Cruel World”.

Tenho uma identificação muito grande com The Wall, nada relacionado à perda prematura do pai porque tive o meu até os 21 anos de idade, mas pelo conceito do muro que o personagem Pink Floyd constrói à sua volta. Um internauta pergunta à dupla se eles derrubaram os muros em suas vidas particulares. Respondem que alguns, mas nem todos. É por aí. Todos temos nossos muros e somos apenas tijolos de outros muros maiores, como diz um verso.

Não vou me alongar sobre a história, nem sou crítico de cinema para saber ler de forma técnica o filme. Foram duas horas e 50 minutos que não me cansaram, não sei se porque conheço a história de cor, tenho livro a respeito, revejo de vez em quando o grande filme de Alan Parker. Deixo links de dois posts que fiz no meu antigo blog, Jam Sessions. O primeiro conta toda a história em detalhes, o segundo é a ficha técnica da turnê.

Conheça em detalhes a história de The Wall

A ficha técnica da turnê The Wall

Por: Blog do Jama.com.br
Edição Reduto do Rock: Diego Centurione

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