Entrevista exclusiva: CPM 22 celebra 20 anos e sua primeira vez no Rock in Rio

junho 19th, 20151 Comment »Última Atualização: setembro 30, 2015

O ano de 2015 é especial para o CPM 22. A banda paulista está comemorando 20 anos de carreira e irá se apresentar pela primeira vez no festival Rock in Rio. O CPM 22 começou como um grupo independente e foi conquistando seu espaço no rock nacional. Após ter chegado à cena mainstream e ter anos de contrato assinado, a banda rompeu com a gravadora e em 2011, lançou o álbum Depois de um Longo Inverno, de forma independente após 4 anos sem inéditas.

Em 2013, Badauí (vocal), Luciano (guitarra), Heitor Gomes (Baixo) e Japinha (bateria) decidiram inovar o som do grupo com o projeto acústico e ainda contaram com o reforço de Phil Fargnolli (guitarra) para a turnê do álbum CPM 22 – Acústico, que foi lançado pela gravadora Universal Music. Durante as duas décadas de estrada, o CPM 22 passou por algumas mudanças na banda, mas nunca desacelerou o ritmo. Eles continuam levando a plateia a cantar os seus maiores sucessos e a abrir rodas punks nos shows.

O baterista Japinha conversou com o Reduto sobre os 20 anos do CPM 22, a expectativa para o Rock in Rio 2015 e os próximos planos do grupo. Confira a entrevista exclusiva.

Reduto do Rock: São 20 anos de carreira e algumas mudanças na formação do CPM 22, com Phil sendo o integrante mais recente da banda, depois da entrada do Heitor em 2011. Como foi a adaptação deles ao grupo, o que trouxeram de influência?

Japinha: A adaptação de ambos foi muito tranquila, em especial no sentido musical, pois eles já carregavam uma bagagem muito boa das bandas em que tocavam (Dead Fish e Charlie Brown Jr). Somaram muito em termos de influência e de musicalidade, pois têm talento de sobra. Logicamente, existem algumas dificuldades de adaptação em termos de ambientação, de clima, até porque as outras bandas, em especial o CBJR, possuiam outro tipo de característica, de forma de se apresentar, pensar o rock etc. Mas nada insuperável.

RR: Algumas gerações de fãs já passaram pelo CPM 22 ao longo desses 20 anos. Muitos permaneceram fiéis a banda e outros seguiram caminhos diferentes. O que vocês notaram de diferença e constância no público ao longo desse tempo?

Japinha:  Realmente há algumas diferenças que ocorrem em função da fase em que a banda se encontra, seja de exposição pública e de mídia,  seja pelo momento em que se encontra o nosso estilo musical no país, seja por outros fatores. Mas no geral, vemos uma constância na forma de se gostar do CPM 22, de curtirem os shows (cantando e gritando as letras, abrindo “rodas punk”), vestirem a camisa, viajarem longas distâncias pra ir ao show. O tamanho do público variou, mas sabemos que atualmente temos um público bem fiel.

RR: Quando falamos do rock nacional o CPM 22 é bem lembrado, principalmente por quem acompanhou no começo dos anos 2000. Vocês passaram um tempo longe dos holofotes, mas sempre em atividade, fazendo muitos shows. Como avaliam a trajetória da banda? Qual é o saldo após os 20 anos de carreira?

Japinha: O saldo é bem positivo, ao meu ver. Não é facil manter uma banda de rock profissionalmente por 14 anos, lançando vários discos e DVDs, percorrendo o Brasil inteiro e alguns países fazendo shows, sem parar. A gente só para nos finais de ano pra descansar (mas só por uns 20 dias). Foram 8 CDs (quatro de ouro), 4 DVDs e mais de 1000 shows. Passamos por Japão, EUA, Inglaterra, Portugal, Paraguai e no Brasil, só falta o Acre. Foi extremamente raro fazermos um show “meio cheio” (vazio nunca) e todos nos satisfizeram. Gostamos muito do que vivemos neste tempo e repetiriamos facilmente a nossa história.

RR: Outra comemoração marcada para 2015 são os 30 anos do Rock in Rio. Como é para banda tocar no Palco Mundo pela primeira vez, ainda mais abrindo a noite para Alice Cooper e Joe Perry, no Hollywood Vampires, além do Queens Of Stone Age e System Of A Down? O que podem falar sobre esse show que vocês farão no festival?

Japinha: Vai ser um ponto alto da carreira, provavelmente. Estamos ansiosos e contentes com este show. Estamos preparando um show diferente, mais especial, com algumas surpresas. Vai ser nossa primeira vez lá e sabemos da repercussão de um show deste porte. Iremos completar 20 anos de carreira, estreando no palco mundo do Rock in Rio, que faz 30 anos de existência (eu costumava assistir aos primeiros pela TV, pois não tinha tamanho para ir). Vai ser algo realmente diferenciado para nós.

RR: O último álbum de estúdio do CPM 22 foi lançado em 2011 e em outras entrevistas vocês afirmaram que pretendem lançar um novo trabalho ainda este ano. Já estão trabalhando nele? Como anda o processo de produção do novo disco?

Japinha: Pois é. A ideia era esta, mas o andamento das coisas (turnê, correria, festivais) acabou adiando nosso planejamento. Estamos ainda em fase de princípio de composições. Apenas esboços das músicas e também uma fase de definição do processo de como fazer as músicas, uma vez que estamos também como uma formação nova, integrantes novos e outros fatores. Ano que vem é o prazo.

RR: Além do álbum de inéditas Depois de um Longo Inverno, a banda ainda lançou o projeto acústico. De onde veio a ideia? Como foi adaptar as canções mais aceleradas para a versão acústica e como foi a recepção do público durante a turnê de divulgação?

Japinha: Não foi fácil, porque somos uma banda essencialmente baseada em guitarras, distorção, peso, velocidade e shows com energia. O acústico em teoria, é quase o contrário extremo disso tudo. Mas era uma ideia que já vinha sendo cogitada desde 2006, quando lançamos o nosso CD ao vivo, que a convite da MTV, era inicialmente um projeto acústico. Preferimos adiar e ano retrasado achamos viável a ideia, depois de termos lançado 7 discos de estúdio e termos mais experiência. A adaptação levou uns 6 meses, preparando repertório e formato, que depois passamos a curtir e ficamos satisfeitos com os resultados. O público recebeu super bem o projeto, em sua grande maioria. Fizemos uma turnê de mais de um ano, que foi bem sucedida. Até hoje temos pedidos de shows acústicos.

RR: Como foi a experiência de gravar um álbum de forma independente após tantos anos de contrato com gravadora? E como foi o processo de retorno para a gravação do acústico?

Japinha: Foi uma experiência diferente, pois não foi como no início, quando éramos independentes, mas sem projeção alguma, éramos apenas mais uma banda no “underground”. Desta vez, em 2009, já tínhamos uma carreira firme, com vários sons trabalhados em rádio e clipes, com um público bem grande que já frequentava os shows. Portanto, não foi tão complicado, tão partido do zero. Mas com o apoio de uma grande gravadora (como no Acústico), o trabalho fica mais facilitado, porque tem mais gente correndo pela banda e uma boa estrutura reforçando o trabalho que tem que ser feito. De forma independente, tivemos que pensar todos os passos do processo, o que por vários ângulos é interessante, mas muito mais trabalhoso e que corre riscos de não ser tão bem executado.

RR: Como já citamos, o CPM 22 comemora este ano 20 anos de banda. Há algum outro projeto especial para marcar a data?

Japinha: A princípio, nada de especial. Talvez lancemos uma coletânea com as músicas que mais marcaram nossa carreira. Provavelmente também, na época do aniversário, no segundo semestre, façamos algum show comemorativo, para não passar em branco.

RR: O que mantem a banda motivada, mesmo após 20 anos de carreira? Vocês conseguem eleger o momento de maior realização e maior decepção nesse período?

Japinha: Acredito que o amor ao que fazemos, o nosso gosto por tocar este tipo de som e tudo que isto nos proporciona, desde o estilo de vida (estrada, palco, emoção, som alto, poder trabalhar de bermuda) até o fato de sermos considerados e reconhecidos como uma das bandas mais importantes do cenário nacional. Além disso, poder viver de música, de rock no Brasil é algo super difícil, que valorizamos muito. A gente já teve muitos altos e poucos baixos, mas as maiores realizações são sempre relacionadas a grandes shows, ou a àlbuns que nos levaram a um patamar maior como banda e músicos. Poder tocar no Japão, para mais de 2 mil pessoas, por exemplo foi uma passagem marcante. E as maiores decepções sempre têm a ver com pessoas com as quais nos frustramos, em relação às atitudes tomadas para conosco. Prefiro não citar nomes.

RR: E após vivenciar e observar tantos altos de baixos no rock nacional, como vocês avaliam a cena hoje?

Japinha: O rock é um estilo muito perene, que tem força necessária para atravessar todas as ondas passageiras, tais como os estilos mais popularescos que sempre estão tomando conta dos veículos midiáticos. O bacana disso tudo é poder ir para a maioria das cidades do Brasil e independente do momento, ver aquele monte de gente de camisa preta, caras e garotas, todos esperando pelo show, cantando junto, vibrando e se emocionando com a gente. Nos melhores momentos, já enchemos arenas para 15 mil pessoas em cidades minúsculas – mas sabemos que a maioria nem sabia o que era rock – e sim estava lá pela fama do CPM 22. Hoje em dia, nestas mesmas cidades, colocamos de 2 a 5 mil pessoas, mas todos fiéis ao estilo, que esperam por anos pelo nosso show. Tudo tem seu lado bom.

Por: Ihanna Barbosa (Colaboradora RR) e Diego Centurione

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