João Rock reduz um palco e cria uma verdadeira maratona de shows

junho 16th, 20150 Comments »Última Atualização: junho 16, 2015

Cobertura independente – Direto do Parque de Exposições (Ribeirão Preto)

No último sábado (13), a cidade de Ribeirão Preto recebeu pela 14ª vez o festival João Rock. Foram mais de 45 mil pessoas de várias regiões de São Paulo e de outros estados, para prestigiar os 16 artistas da programação. Na edição João Rock 2015 não faltaram hits para serem cantados em uníssono pela plateia. Passaram pelo Parque de Exposições, Frejat, Criolo, Brothers of Brazil, Skank, Mato Seco, Capital Inicial, Dead Fish, Urbana Legion, Pitty, CPM 22, Gabriel o Pensador, Planet Hemp, Móveis Coloniais de Acajú, Detonautas e Raimundos,  sugando toda a energia do público até os últimos segundos do evento. Foram mais de 12 horas de grandes shows, deixando quase impossível a tarefa de escolher a melhor apresentação do dia.

Mas infelizmente falhas também marcaram esta edição do João Rock. O Palco Universitário atrasou a sua programação em 3h. Marcado para começar às 16h20, a primeira banda Mato Seco só subiu ao palco às 19h20, durante o show do Frejat no Palco João Rock, que também não escapou dos atrasos. Diferente das outras edições, este ano era apenas um palco para os principais grupos, o que causou uma bola de neve de atrasos. O Raimundos, que iria fazer a apresentação de encerramento à 01h25, subiu ao palco apenas às 4h30, fechando o João Rock com o dia quase amanhecendo. Com todos os atrasos, revesar entre os palcos tornou-se uma tarefa quase impossível para a plateia presente.

Além dos problemas com os horários, a estrutura e organização também deixaram a desejar. As latas de lixos eram raras, a água acabou muito antes do fim dos shows e a comida, além de cara (o que já ficou comum no Brasil), também acabou cedo. Os esportes radicais também não escaparam dos problemas. Quem quisesse aproveitar as atividades tinha que desembolsar R$ 80, para a Queda-Livre, e R$ 120, para o Bungee Jumping, além da tradicional fila.

O festival acertou ao optar pelo esquema de moeda própria, a “baqueta”. Como o Lollapalloza, uma baqueta custava R$ 2,50, que apesar de disfaçar os altos preços, diminui as filas nas áreas de alimentação.

Shows

Abrindo as atividades do palco principal, a banda Samanah (Bauru), escolhida por votação popular, aqueceu o público que ainda chegava ao João Rock. Em seguida foi a vez do rapper Criolo, que tocou já com boa parte da plateia aglomerada neste palco. Frejat foi o terceiro a tocar e o primeiro a fazer o público inteiro cantar em uma só voz, com uma apresentação cheia de hits da sua carreira solo e da época do Barão Vermelho.

Pouco mais das 20h, foi a vez dos mineiros do Skank subirem ao palco para um dos shows mais animados da noite. O Skank com certeza não tem dificuldades em montar um setlist de sucesso, talvez o maior problema sejam as músicas que ficam de fora. O vocalista Samuel Rosa não deixou de ressaltar a importância do festival e criticar o descaso com a música nacional.

Após uma sequência de hits, incluindo canções no novo álbum Velocia, sobrou tempo para mais uma música, entregue como presente para os fãs que pediam mais Skank. “Vamos Fugir” foi a canção escolhida para fechar a apresentação e dar lugar para o Capital Inicial. Os brasilienses também não tiveram dificuldades para conquistar a plateia. Foram vários sucessos da carreira, a tradicional homenagem ao Aborto Elétrico, com “Fátima”, “Veraneio Vascaína” e “Música Urbana”, e ainda um discurso político antecedendo Que País É Esse?”. A surpresa da noite veio com o pedido de casamento que o repórter do CQC, Lucas Salles, fez para sua namorada no palco do João Rock.

Começando a segunda metade das atrações do palco principal, a baiana Pitty manteve o alto nível de energia do público. A cantora abriu com o álbum SETEVIDAS e depois desfilou por todo sua carreira, emocionando os fãs com a sequência “Equalize”, “Na Sua Estante”, e encerrando o show com a já quase épica “Serpente”. Na sequência era vez do CPM 22, que está comemorando 20 anos de carreira. A maior parte da apresentação foi baseada nos álbuns Felicidade Instantânea e Chegou a Hora de Recomeçar. O vocalista Badauí lembrou que o grupo esteve presente na primeira edição do João Rock, e como era importante para eles comemorarem 20 anos no palco do mesmo festival. O cantor também não deixou de criticar o espaço cada vez menor para o rock na mídia nacional.

Já passava das 2h da manhã, quando o Planet Hemp chegou ao Palco João Rock. Mesmo cansado, a plateia não desanimou e acompanhou Marcelo D2 e BNegão durante os três atos da apresentação, que passou por “Legalize Já”, “Dig Dig Dig”, “Queimando Tudo”, “Hip Hop Rio”, “Ex-Quadrilha da Fumaça”, “Samba Makossa” e encerrando com “Mantenha o Respeito”, que contou com a participação surpresa da Pitty que foi puxada para o palco pelo Marcelo D2.

Já chegando perto do fim do festival, o Detonautas se apresentou já no meio da madrugada, mas com o público animado e o Parque de Exposições ainda cheio. Os cariocas agradeceram a permanência da plateia com mais um show de hits para alegria da geração que viveu o começo dos anos 2000, além de algumas canções mais recentes, como “Quem É Você?”, lançada em 2013. Foi com o Detonautas o segundo grande encontro da noite, com o rapper Gabriel, O Pensador, cantando “Cachimbo da Paz”.

E por último, encerrando o João Rock com a pouca energia que ainda sobrava no público, a banda Raimundos subiu ao palco já mais de 4h30 da manhã. O fãs mais entusiasmados tinham forças para as clássicas rodas de bate cabeça. durante as canções “Esporrei a Manivela”, “Puteiro em João Pessoa” e “Eu Quero Ver o Oco”, além de entregar os últimos vestígios de voz com “Mulher de Fases”, “Me Lambe” e “I Saw You Saying”. O guitarrista Digão agradeceu várias vezes a permanência até o final da plateia, que deixou o Parque de Exposições de Ribeirão Preto com a lembrança reforçada de que o rock nacional tem muito valor. Agora, resta esperar que as próximas edições também possam ter outros nomes no seu elenco.

Por: Ihanna Barbosa (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione
Fotos: @caiorodriguez_ (Flickr)

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