The Endless River: formato prejudica bom disco do Pink Floyd

novembro 14th, 20140 Comments »Última Atualização: novembro 14, 2014

Resenha – Pink Floyd: The Endless River (2014)

Opinião de João Victor Vieira (Colaborador RR)
Edição: Di Centurione

É muito difícil imaginar o Pink Floyd, com os músicos que tem e capitaneado por um homem exigente e competente como David Gilmour, seja capaz de fazer algo musicalmente ruim. Ou seja, fica aqui registrado, antes de mais nada, que The Endless River, disco derradeiro do grupo que acabou no século passado, e que chegou às lojas nesta semana (ouça e adquira aqui), é sim musicalmente bom, o que não necessariamente o torna completamente interessante.

Ouvi de alguns companheiros de profissão que um dos principais problemas do álbum é ser composto por (literalmente) sobras das sessões de The Division Bell (1994). E sim, em partes, é isso que faz dele um CD chato e menos produzido. A impressão que The Endless River passa é que foi feito no formato “colcha de retalhos” e, acima de tudo, que nasceu por qualquer razão, menos pelo prazer de se fazer (ou reciclar, no caso) música. Rick Wright merecia uma homenagem melhor.

E essa questão, a da fluência e construção do trabalho, é algo que merece mais atenção do que se imagina. O Pink Floyd é mundialmente reconhecido como uma das melhores bandas quando o assunto é relacionar uma música com a outra dentro de um disco. Os ingleses, liderados por Gilmour e Waters, eram mestres em fazer o ouvinte encarar um LP do grupo quase como uma peça de teatro, com melodia entrelaçando as letras de cada faixa e formando um enredo impecável, que chegou a criar teorias malucas (e eternas), como a que relaciona O Mágico de Oz (1939) com The Dark Side of the Moon (1973).

Essa característica é viva e pulsante em Roger Waters, visto o show de The Wall que o baixista trouxe ao Brasil em 2012. Se você parar para contar nos dedos quantos shows de rock chegam perto ou ultrapassam a qualidade visual e estrutural daquele de Waters, não completará uma mão. Não é o caso de The Endless River.

Com toda a capacidade musical que os anos de aprendizado deram à banda, é quase inadmissível para um fã de Pink Floyd (ou de música boa) que faixas como “Talkin’ Hawkin’”, na parte três do CD, que escancara a “colcha de retalhos” citada mais cedo neste texto, seja lançada com a assinatura do Pink Floyd. Não precisava “terminar” assim.

Apesar disso tudo, The Endless River é um bom álbum. São muitas as características perceptíveis de The Division Bell inseridas nele, até mesmo efeitos sonoros de algumas faixas famosas daquele trabalho, como “High Hopes”. David Gilmour lidera uma aula de harmonia e afinação nos pedaços que formam o “Side 2″, a segunda e melhor parte do CD.

O espaço entregue para os sintetizadores de Rick Wright nas duas primeiras canções de The Endless River não é só válido, como justo. Wright é um dos maiores tecladistas da história do rock, e é uma pena que essa liderança tenha lhe sido oferecida somente após sua morte.

Com todas as críticas, The Endless River está acima de mais da metade dos discos de rock lançados no ano, pois é resultado do trabalho de um grupo que, apesar de na época estar à beira de seu fim, esteve sempre acima da crítica. Ou seja, não poderíamos esperar menos do que um bom álbum. Mas, para o Pink Floyd, isso é muito pouco.

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