Novo disco do Foo Fighters é um divisor de águas na carreira da banda

novembro 10th, 20141 Comment »Última Atualização: novembro 13, 2014

Resenha - Foo Fighters: Sonic Highways (2014)

Opinião de João Victor Vieira (Colaborador RR)
Edição: Di Centurione

O Foo Fighters lança nesta segunda-feira (10), seu oitavo álbum de estúdio, Sonic Highways (ouça e adquira neste link). Gravado em oito estúdios de oito cidades diferentes, o disco representa muito mais do que apenas uma continuação na extremamente bem sucedida carreira da banda de Seattle. É, na verdade, um divisor de águas para ao grupo.

Desde os primeiros acordes de “Something From Nothing”, música de abertura e primeiro single do novo CD, é possível perceber que a característica de produzir hits de evolução previsível (porém eficiente) e potencialmente comercial ficaram para trás. A canção evolui magistralmente, de maneira ordenada e, em poucos minutos, muda totalmente de “vibe”, sem qualquer mudança de rumo drástica que possa se tornar perceptível ao ouvinte.

E é assim que o disco segue. Começando com um rock pesado, tradicional, cru e, aos poucos, adicionando novos elementos, instrumentos eruditos, fazendo do álbum uma experiência musical bastante visual. A partir de “What Did I Do?/God As My Witness”se torna quase impossível ouvir a faixa seguinte sem imaginar uma cena quase hollywoodiana para ela.

Musicalmente, a evolução também é inegável. O som está mais maduro, coordenado, com menos firulas e mais técnica. O FooFighters de Sonic Highways é uma antítese ao que vinha sendo proposto pela banda até então. Ficou para trás aquele compromisso com “o som do FooFighters”, aquele sentimento (e quase obrigação) de se fazer uma música de uma maneira que as pessoas reconhecessem, logo de cara, de quem era aquele som. O grupo deixa claro que não precisa mais disso.

Ancorado no fato de, hoje, ser uma das (se não a maior) maiores bandas do mundo, o Foo Fighters resolveu experimentar, dar chance ao lado criativo, fundamental para que grupos que já passaram de uma década de estrada tenham vida longa. Sonic Highways passa a impressão de que não há mais o compromisso da banda com a boa crítica, com o sucesso, com a aceitação do público, e é exatamente isso que faz dele uma experiência tão profunda e fantástica.

Falando de maneira prática, esse novo trabalho finca os pés de Dave Ghrol e sua turma no hall das grandes e históricas bandas do rock internacional e, finalmente, os tira por completo da sombra do Nirvana. Querendo ou não, por mais grandiosa que tenha sido a trajetória do grupo até aqui, vez ou outra surgiam comparações da banda com o antigo trio do qual Dave fazia parte. Afinal, seria o FooFighters uma continuação do Nirvana?

Sonic Highways prova, de uma vez por todas, que não é. O Foo Fighters tem som e atitude próprias e uma história hoje ainda mais potente que a do grupo que não resistiu ao suicídio de Kurt Cobain. Pode até não parecer, mas é essa a mensagem que, mais a fundo, o novo álbum passa. Pelo projeto audacioso de visitar oito cidades fundamentais para a música pop americana, gravar uma faixa em cada uma delas, construir uma série com a experiência e fazer um disco que, se ouvido da maneira correta, conta um pouco da história da música dessas cidades. Por isso tudo, Sonic Highways não é só o álbum do ano, como um trabalho de fundamental importância para a história recente da música pop. E do Foo Fighters também.

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