Entrevista: Perfil de Fabiano Carelli, guitarrista do Capital Inicial

julho 14th, 20140 Comments »Última Atualização: setembro 6, 2014

Aterrizamos na escola EM&T (São Paulo) para entrevistar um dos guitarristas mais conceituados da atualidade. Aos 36 anos, Fabiano Carelli (Capital Inicial) acumula muita história para contar desde sua infância, em uma casa cheia de influências, até hoje com seus vários projetos e ideias.

Começamos conversando sobre como era o ambiente musical na sua casa e Fabiano Carelli logo menciona sua mãe, que tocava músicas clássicas como Bach, Beethoven e Mozart. Ela também tinha um gosto refinado pela música brasileira e sempre rolavam sons como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina e Rita Lee. Já do avô, recebeu influências de Jazz e Big Bands. Do pai, que desde criança tocava bateria, conheceu o som dos Beatles. Mas foi em 1987, aos 10 anos, que através de seus amigos começou realmente a conhecer o rock, ouvir rock nas rádios e seus primos também apresentarem a ele o punk rock do Ramones e The Clash.

Por sua própria escolha, nesta mesma época, começou a curtir Bon Jovi e Guns N’ Roses e a identificar o som da guitarra como instrumento que o interessava. Mas o divisor de águas veio mesmo ao mudar-se da zona sul de São Paulo para Guarulhos e conhecer uma banda de garagem, que fazia cover do Black Sabbath: “Os caras andavam cabeludos com umas cruzes, bota de couro e aí eu comecei a frequentar os ensaios dos caras e eles falavam: ‘o que você está fazendo aqui moleque?’ e eu falava que eu vim assistir. E foi a primeira vez que eu vi uma guitarra de perto”.

No mesmo período começou a comprar revistas em bancas de jornal e a praticar no violão do seu avô. Com 15 anos, começou a fazer aulas de guitarra com professores de bairro em Guarulhos. Um pouco mais tarde, por indicação de seu primo que também é músico, começou a fazer aulas com o Eduardo Ardanuy (Dr. Sin), porém durou somente uns 6 meses devido a agenda de gravações do disco da banda.

Fabiano ficou cerca de 2 anos sem fazer aulas, somente aprendendo via vídeo até que em 1995, voltou a fazer com Joe Moghrabi durante 4 anos. Depois, continuou o aprendizado com Mozart Mello, diretor da escola de música EM&T, durante 5 anos; ele o convidou para dar aulas nesta mesma escola.

Perguntamos ao Fabiano, qual foi a primeira música que tocou do começo ao fim e ele confessa que não havia dito isso a ninguém. A canção foi “Sociedade Alternativa”, do Raul Seixas, e rolou até palhinha! Sobre as músicas que cantava no início, Fabiano diz: “Uma coisa curiosa é que eu sou uma das poucas pessoas, um dos poucos brasileiros que gosta de rock e que não é fã da Legião Urbana. Eu sempre achei as letras muito bem escritas, mas musicalmente nunca me agradou muito. Só que a minha primeira banda o cantor sabia todas as letras da Legião, então a gente teve que tocar um monte de música ou a gente não tocaria nada né? Dessas bandas todas que saíram de Brasília, a única banda que tinha técnica mesmo eram os Paralamas. O Herbert toca guitarra pra caramba, até hoje!”.

Fabiano também nos diz que depois dessa fase Bon Jovi e Guns N’ Roses ele virou metaleiro e se abriu mais a diferentes estilos, quando começou a tocar com o Capital Inicial: “quando eu entrei para o Capital Inicial eu ainda era meio radical com todo tipo de rock. Até o Dinho tira um sarro com a minha cara, que ele fala que da banda e eu sou o cara que gosta de coisa velha (risos), porque até hoje eu ouço Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath e eu meio que tenho uma dificuldade em assimilar as bandas novas. Novas eu falo de 2000 para cá”.

Fabiano cursou Bacharelado em guitarra na Faculdade Santa Marcelina em 1997, mas saiu no último ano. Foi importante para ele aprender a ler música, não ligar distorção e ainda ganhou maior influência de músicas nacionais.

Sobre seus ídolos Fabiano Carelli diz: “No começo, quando eu comecei a estudar o rock com essas vídeos aulas que te falei do Yngwie Malmsteen e depois de conhecer ele, eu conheci a trilogia dos três virtuosos que vieram pós Eddie Van Halen. Depois eu fui para o Eddie Van Halen. O Eddie inventou uma técnica e depois vieram três caras e aprimoraram ela. Claro que cada um na sua onda: Daí tem esse cara chamado Yngwie Malmsteen, Joe Satrianni e o Steve Vai. Esses três levaram o instrumento ao máximo que ele é capaz de fazer. Eu fui ver shows ao vivo, comprava discos, lia músicas deles, aprendia um leak (uma frase musical). Acho que é assim que você é influenciado”.

Desde os 18 anos, Fabiano Carelli dá aulas de guitarra em escolas de bairro e também aulas particulares. Foi tocar na noite um pouco mais tarde aos 23 anos, que a média de idade dos músicos. E em outubro de 2002, foi chamado para ser professor na IG&T pelo Mozart Mello e foi aí que conheceu o Wander Taffo, guitarrista do Radio Taxi. Perguntamos a ele como, 10 anos depois, ainda acha vaga na agenda para dar aulas e ele diz que sua ligação com a escola será eterna tanto dando aulas, quanto fazendo workshops ou alguma outra atividade paralela. Um segundo motivo é que sendo professor, ele se motiva a estudar e a se atualizar. Ele toca todos os dias de 2 a 4 horas. Um dia dele em um hotel, em dia de show do Capital Inicial, é estudando as músicas que ele tem no iPad com sua guitarra – não é a mesma guitarra que ele toca nos shows do Capital.

Para quem pensa que sua primeira música instrumental foi “Pé de Boi”, tocada em um workshop em 2004, se enganou. Sua primeira canção se chama “Madrugada”. Ela estava na primeira coletânea que saiu dos professores do IG&T. Para vocês fãs que querem ouvir essa música, que não saiu em nenhum álbum do Fabiano, vá até o Google e digite “Madrugada” que vai aparecer. A primeira música gravada dele, que ele mesmo diz querer lançar em um site, tem a participação de Junior Lima, ex-estudante também da EM&T: “Ele fazia aulas de batera aqui. Estudou todos os instrumentos aqui. E aí ele passou um dia na porta da minha sala e eu estava estudando um Funk, e ele gosta muito de Funk, Black Music etc. Bom daí, ele me viu tocando e perguntou ‘e aí e esse som?’ e se ofereceu para gravar a batera. É tão louco que eu não tirei fotos e nem usei o nome dele em nenhum momento. Ele gravou comigo mas está lá, não coloquei no disco porque os caras que gravaram meu disco comigo não faziam esse som e achei que não tinha a ver misturar”.

Sobre o fato de fazer os backing vocals no Capital Inicial, Fabiano diz: ”Quando eu soube que teria que fazer backing vocals em uma banda, eu comecei a fazer aulas com professoras daqui como Vivi Keller, por exemplo. Então eu tenho noção de técnica vocal. Eu sou muito vagabundo, não estudo voz, tomo gelado, fumo e vou cantar (risos). Tô nem aí meu! Só que eu sei alguns exercícios para aquecer a voz e acho que isso me ajudou no começo, que eu era meio tímido, mas depois fiz ‘Primeiros Erros’ em 2008 no DVD/CD ao vivo e na ‘ A Máfia’ eu faço também!”.

Seu convite para entrar no Capital Inicial ocorreu pelo fato de o Dinho ser amigo do Wander Taffo, e o Dinho ligar para ele dizendo que precisava de um cara urgente na banda. Foi aí que o Wander chamou o Fabiano para fazer um teste, o qual aconteceu no antigo escritório do Capital em São Paulo. Haviam quatro pessoas prontas para fazer os testes. Fabiano conhecia cinco músicas do Capital, porque as tocava na noite e as tocou no violão somente para Yves Passarell neste dia. Depois teve uma segunda fase, onde ficou o Fabiano e um cara que era amigo do tecladista do Capital, o Robledo Silva. “Os caras iam conversar com a gente e ver quem que eles queriam. O cara entrou antes de mim no camarim em um show em Jacareí (SP) e eu lembro que fui de carro com o Flávio. Daí eu entrei e o Dinho disse: ‘Nossa não é que você é ruivo mesmo cara’ e os outros deram risada. No dia seguinte, me ligaram e me perguntavam se eu estava afim. E eu disse beleza”.

Fabiano faz também a feira Expomusic desde 2004, com exceção de um ano por causa da agenda do Capital Inicial. Sobre a gravação do DVD/CD de Brasília, em 2008, eles se prepararam muito para esse show para mais de 1 milhão de pessoas. Detalhe que o produtor falou para tomar uma cervejinha para ficar relax.

Um projeto que esta rolando há 2 anos e meio é “A Máfia”, onde Fabiano toca com Aaron Matsumoto (professor na IG&T), Gel Fernandes (Radio Taxi) e Pedro Cordeiro. “A Máfia” está gravando músicas autorais em estúdio, com o Caio Martin e o álbum está sendo produzido pelo Aaron Matsumoto. Há algum também um outro projeto experimental com voz chamado “Zinco” e também há planos de retorná-lo.

Perguntamos a ele quais os “Setups” utilizados para esses diferentes tipos de som. Fabiano Carelli tem 4 Endorsers de peso, que são Tagima, Giannini, Santo Angelo e cordas SG.  No Capital Inicial, Fabiano Carelli usa 2 guitarras Tagima Telecaster, 1 amplificador Marshall JCM 900, ligado numa caixa da meteoro equipada com falantes feitos por Inhá Marin, os pedais são 1 Tube Screamer 7808, 1 fonte Giannini e 1 delay também da Giannini. Os cabos são da Santo Ângelo. Para o projeto Instrumental independente e da “A Máfia”, Fabiano usa  2 Guitarras Tagima Telecaster,  1 Amplificador Fender Deluxe, pedais Giannini, os cabos são da Santo Ângelo e cordas SG. Fabiano usa 4 guitarras Tagima, que são customizadas para ele. Perguntamos qual a importância de se ter bons cabos para guitarras, já que um outro endorser dele é Cabos Santo Angelo. Ele explica: É importante ter bons cabos, pois ele é o condutor do seu som. Se você tem um cabo ruim, ele vai desviar o sinal e vai até mexer na equalização do instrumento e o cabo sendo bom, você preserva o timbre do instrumento, mantém a qualidade dos instrumentos e dos periféricos que você está usando e poucas pessoas sabem disso.”

Para o futuro, Fabiano pretende gravar novas músicas instrumentais, fazer vídeo aulas, que ajudam muito os alunos (se possível com legenda em inglês para exportar o trabalho), gravar com “A Máfia” e tocar na Expomusic de preferência quarta e domingo, para não conflitar com a agenda do Capital Inicial.

Assista ao vídeo ao vivo, gravado na sua sala onde ele dá aulas na EM&T. Essa música faz parte do trabalho instrumental solo, que leva seu nome e pode ser encontrado na Galeria do Rock, na loja oficial do Capital nos shows, nos workshops e na própria EM&T.

Para mais informações e contatos com Fabiano Carelli, acesse:

Facebook: http://facebook.com/fabianocarelli
Twitter: http://twitter.com/fabianocarelli
Instagram: http://instagram.com/fabiano_carelli

Texto, fotos e vídeo: Joandra Lee (Colaborou com o Reduto do Rock)
Edição: Diego Centurione e Álvara Bianca

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