Com boa música e carisma, Vedder e Hansard deixam o Citibank SP intimista

maio 7th, 20140 Comments »Última Atualização: maio 9, 2014

Cobertura independente – Direto do Citibank Hall (SP)

Noite de terça-feira (6), em São Paulo. Segundo dia da semana ainda engrenando, cansaço já se manifestando e o trânsito sempre presente na vida do paulistano, deixando claro que o horário de pico é impossível para o deslocamento. Mesmo assim, aos poucos o Citibank Hall – antigo Credicard Hall – lotou: de fãs inveterados, de curiosos, de pessoas que esperavam músicas do Pearl Jam. O primeiro show solo de Eddie Vedder na capital paulista era tão esperado, que já estava ganho antes do eterno grunge subir ao palco. Mesmo assim, ele surpreendeu.

Para esquentar o público e segurar a espera, Eddie trouxe na bagagem seu amigo e parceiro musical Glen Hansard. O irlandês é pouco conhecido em terras brasileiras, mas quem já assistiu o belíssimo e poético filme Apenas uma vez (Once, 2006) com certeza nunca esqueceu o dono daquela voz e do timbre único de seu violão. A história é a de um músico de rua que se apaixona por uma cantora, se ajudam mutuamente a buscar seu talento e transformar o sonho da música em realidade. Nesta desta terça, às 20h30, o cantor que subiu ao palco do Citibank parecia em muito o personagem do filme: tímido, extremamente simpático e alguém que crescia a olhos vistos a cada acorde de suas músicas.

Arriscando um português previamente escrito, Glen conquistou o público logo no início do show. Por cerca de 30 minutos, apresentou seu repertório que foi muito parecido com o que Vedder tocaria a seguir: folk, sutil e vigoroso ao mesmo tempo. Uma música típica de um pequeno bar intimista, provando ser capaz de encher todo o Citibank. Entre os destaques, “Come Away to the Water”, intepretada por Maroon 5 para a trilha sonora do filme Jogos Vorazes, “Lies” e “Say it to me now”, presentes no filme Apenas uma Vez.

Antes do show principal, uma moça da produção avisa que não é permitido filmar ou fotografar. Seguida de vaias, avisa que a ideia é curtir o show como uma experiência real, sem telas e ainda pede que o público não seja “babaca”, que não é legal assistir a um show através da tela de um celular alheio; aí as vaias se transformam em gritos e aplausos. Obviamente uma quantidade considerável não respeita, no entanto o aviso era mais uma sugestão do que realmente uma regra; uma ideia da melhor maneira de ter uma experiência real. Sinal disso é que nem os telões da casa foram ligados.

Seguindo o clima proposto de sala de estar entre amigos – apesar da grandiosidade da casa de shows – Eddie Vedder subiu ao palco às 21h30, e deu início a um show de aproximadamente 2h20 com “The Moon Song”, de Karen O do Yeah, Yeah, Yeahs – mais uma trilha sonora, dessa vez do aclamado Ela - seguida do primeiro cover de seu trabalho barulhento, como brincou mais tarde, “Can’t Keep”, do Pearl Jam.

Tímido, Eddie demorou a falar com a plateia, mas quando começou disse coisas que nem pareciam ter vindo dele. Provavelmente, seu inseparável garrafão de vinho, fez sua parte para ajudar a “enfrentar” os fãs sem a ajuda dos amigos de banda. Em dado momento, após justificar que seu português “é uma merda”, questionou se era verdade que todas as mulheres que estavam ali queriam dormir com ele. Seguido da máxima que só costumamos ouvir o que queremos e após os gritos das fãs, rindo, garantiu que nesse caso não deveria ser verdade. Pouco depois também fez piadas com maconha e até arriscou uma poesia com a lua, dizendo que os fãs brasileiros são a força da gravidade que o puxou até aqui para apresentar seu trabalho solo.

Variando entre guitarra, violão e ukelele, Vedder seguiu por músicas fortes e pesadas como “Lukin” – provavelmente a música do Pearl Jam que menos faria sentido estar neste projeto solo e curiosamente funciona muito bem nele – até canções suaves e relaxantes como “Just Breathe”, sem perder o controle do público em um só momento.

Covers dos amigos também parecem sempre ser necessários, como se ele quisesse demonstrar a admiração que tem pelas pessoas importantes da sua vida. Assim foi com “Good Woman” de Cat Power, “Needle and the Damage Done” de Neil Young e “I Believe in Miracles”, dos Ramones.

Os fãs pediram insistentemente “Crazy Mary” e após dizer que não sabia tocar a música, Eddie sai do palco por uns instantes, volta andando de skate e poucas músicas depois entoa os primeiros versos da canção que foi cantada praticamente em uníssono pelos presentes. O refrão “Take a bottle, drink it down, pass it around”, casou perfeitamente com o momento.

Em seguida, continuando o clima de amizade, Vedder chama Glen Hansard ao palco e antes brinca, em português e rindo muito, que o irlandês gosta muito de pornô. Entre risadas, emendam o trio de músicas mais emocionantes da noite “Sleepless Nights”, do Everly Brothers, “Society”, de Jerry Hannan e a belíssima “Falling Slowly”, música do repertório de Glen.

E ainda tiveram muitas canções do Pearl Jam em versões folk, que até o fã mais atento tinha dificuldade em acompanhar no novo ritmo: “Better Man”, “Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town”, “Immortality”, “Drifting”, “Porch”, “Nothing as it Seems”, “Arc”, “Parting Ways”, entre outras. Obviamente as músicas dos dois álbuns solo de Eddie Vedder – Into the Wild, de 2007, e Ukelele Songs, de 2011 – também figuraram no setlist: “Far Behind”, “Guaranteed”, “Rise”, “No Ceiling”, “Sleeping by Myself”.

Quando o show parecia ter chegado ao fim, Eddie volta ao palco e toca uma divertida versão de “Bugs” ao piano, canção do Pearl Jam do disco Vitalogy, que combinou perfeitamente com o clima de embriaguez instalado. A música foi seguida da última da noite, “Hard Sun”, trilha sonora do filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007), tocada com Glen Hansard, com um grande telão mostrando o mar ensolarado no fundo do palco e todos em pé celebrando o espetáculo que acabaram de assistir e fazer.

Sem dúvida Vedder estava agradecido. Assim como na primeira vez que o Pearl Jam se apresentou em São Paulo – no estádio do Pacaembu, em 2005 – ele ainda parece não ter consciência da dimensão que seu trabalho tem por aqui. Apesar de garantir que em todos os shows que faz ao redor do mundo sempre há muitas bandeiras brasileiras, ao sair do palco o rosto de Eddie mostrava um semblante de surpresa, felicidade e de certeza de alguém que realmente faz o que gosta e recebe de volta toda a beleza e energia que passa com sua música. Foi uma bela noite de terça-feira para os paulistas.

Nesta quarta (7) e quinta (8), Vedder e Hansard se apresentam novamente no Citibank Hall, em São Paulo. Domingo (11) e segunda (12), são os dias dos cariocas presenciarem o show, também no Citibank Hall. Todos os ingressos estão esgotados, com exceção do show extra do RJ, no dia 12 de maio (serviço aqui).

Setlist Glen Hansard – 06/05/14 – SP

Say it to me now
Love don’t leave me waiting
When your mind’s made up
Come away to the Water
Lies
Leave
This Gift

Setlist Eddie Vedder - 06/05/14 – SP

The Moon Song (Karen O)
Can’t Keep
Without You
Sleeping by Myself
More than You Know
Sometimes
Immortality
Needle and the Damage Done (Neil Young)
Driftin’
Good Woman (Cat Power)
Thumbing My Way
Far Behind
Guaranteed
No Ceiling
Rise
Better Man
Lukin
Hold on for Your Darest Life (cover do Name Taken)
Porch

Bis

Just Breathe
Unthought Known
Crazy Mary
Sleepless Nights (Everly Brothers, com Glen Hansard)
Society (cover de Jerry Hannan, com Glen Hansard)
Falling Slowly (com Glen Hansard, música do repertório de Glen)
Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town
Parting Ways
I Believe In Miracles (Ramones)
The End
Arc

Bis 2

Bugs
Hard Sun (Indio, com Glen Hansard)

Por: Roberta Lopes (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione e Álvara Bianca
Fotos: MRossi (T4F)

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