Espetáculo Beatles, All You Need Is Love, conquista Uberlândia

abril 14th, 20146 Comments »Última Atualização: novembro 4, 2014

Cobertura – Direto do Center Convention, Uberlândia (MG)

Por: Igor Miranda (texto)
e Juliana Gaspar (fotos) para RR

Edição: Diego Centurione

O perfeccionismo é uma marca muito presente na arte. Não apenas nesta: eu, jornalista, tenho alguns traços de perfeccionismo com o meu trabalho. Como revisar os textos mais elaborados que faço inúmeras vezes para me certificar de que não cometi erros. Como não conseguir dormir direito ou partir para outra atividade quando não finalizo algo que deveria estar pronto.

Mas é inevitável que, na arte, o perfeccionismo seja ainda mais presente. Ele é almejado justamente pela arte ser a atividade humana que mais esteja próxima à perfeição. O conceito de deixar tudo lindo, alinhado, ensaiado, redondo e milimetricamente associado à proposta original marca, também, está no trabalho do All You Need Is Love.

Na apresentação que assisti nesta sexta-feira, 11 de abril, no Center Convention do Center Shopping de Uberlândia (Minas Gerais), confirmei que eles realmente apresentam um espetáculo. No site do grupo, é garantido que tudo é feito como os Beatles faziam nos mínimos detalhes. Perfeccionistas, como eu, procuram falhas e erros naturalmente – e sem maldade alguma – para conferir se é mesmo tão redondo quanto o prometido. Mas não consegui achar definitivamente nada que pudesse tornar infundado o argumento do AYNIL.

O espetáculo apresentado em Uberlândia contou com dois momentos. O primeiro homenageia a fase inicial dos Beatles, em que eles utilizam ternos e cabelos cortadinhos como figurino e abordam o conteúdo dos seis primeiros discos – de Please Please Me a Rubber Soul. A fidelidade à performance original do Fab Four de Liverpool é assustadora: não apenas musicalmente, mas visualmente. A postura, o figurino e os trejeitos são os mesmos. Assim como os instrumentos, os mesmos que o grupo original utilizava – o que parece ser um detalhe estético, mas interfere muito mais na parte sonora. E, claro, os diálogos em inglês com o público. Com sotaque britânico pulsante.

Particularmente, não gosto muito dos primeiros trabalhos dos Beatles. Aprecio, mas não estão entre os meus favoritos. Mas é impossível não se empolgar com canções do porte de “Rock And Roll Music”, “She Loves You”, “A Hard Day’s Night”, “Can’t Buy Me Love” e “Help”, além da versão de “Roll Over Beethoven”. Também não há como deixar de se emocionar com “In My Life”, “Norwegian Wood” (com participação especial de Rico no sítar) e “Yesterday”. Ainda mais com uma performance simplesmente matadora de César Kiles (vocalista e baixista, Paul McCartney), Sandro Peretto (vocalista e guitarrista, John Lennon), Thomas Arques (vocalista e guitarrista, George Harrison), Renato Almeida (vocalista e baterista, Ringo Starr) e Anselmo Ubiratan (tecladista, regente de orquestra e outros instrumentos, George Martin). A similaridade vocal de Kiles e Peretto em relação a McCartney e Lennon, respectivamente, é espantosa.

Após uma primeira etapa sensacional, com 20 canções executadas, Anselmo Ubiratan apresenta duas músicas no formato violão e voz: “Here, There And Everywhere” e “Michelle”. O músico versátil domina o palco enquanto a segunda parte do show é preparada, com a troca de figurino dos demais músicos. O quarteto retoma a performance com canções dos três últimos discos do grupo – do autointitulado, conhecido como White Album, até Let It Be.

O AYNIL acertou em cheio no repertório dessa parte do show, apesar de ser mais curto. Petardos como “Get Back”, “Revolution”, “Lady Madonna”, “Come Together” e “Hey Jude” animaram bastante o público, que era composto por pessoas de todas as idades, mas com grande maioria de senhores e senhoras a partir dos 40 anos. A fidelidade na performance nesse momento é ainda mais incrível, pois algumas canções resgatam timbres e execuções tão iguais que a sensação é de se estar ouvindo os próprios discos de estúdio. O grupo faz um exercício de imaginação aqui, pois muitas dessas faixas jamais foram executadas pelos Beatles ao vivo, por terem decidido não fazerem mais shows de 1966 em diante, além do figurino, pensado na perspectiva de como Paul McCartney, Ringo Starr, George Harrison e John Lennon se vestiriam no palco nos últimos anos do Fab Four.

Após o tradicional coro de “Hey Jude” e o encerramento da canção, o grupo encerrou o show convencional e voltou pouco tempo depois para o bis. Mais descontraídos no bis, os músicos interagiram mais com a plateia e passaram a conversar em português. O momento final trouxe duas canções da fase de transição do grupo – “Drive My Car” e “Day Tripper” – e foi encerrado com a música que é considerada por muitos o marco zero do heavy metal: “Helter Skelter”. A faixa escolhida para o fim foi acertada a ponto de fechar a apresentação pra lá da estratosfera. Reconhecidamente, o público não economizou aplausos aos perfeccionistas do AYNIL. O show em si foi, sim, perfeito.

Dois detalhes contam pontos negativos para o evento como um todo. O primeiro é que não havia área de imprensa, para que os fotógrafos trabalhassem durante o show. Ou seja, as imagens tiveram de ser feitas de onde estávamos. Não era possível transitar muito pelo local pois o público estava sentado, ou seja, facilmente atrapalharia a experiência do outro. Creio que esse detalhe, imperceptível aos presentes que foram somente para se divertir, será corrigido para os próximos eventos da produtora – este foi o primeiro e já mandaram muito bem, com bons telões, boa seleção da casa (Center Convention) e ótima aparelhagem, que garantiu uma qualidade cristalina de som. O segundo foi o atraso em pouco mais de 30 minutos, por problemas na questão estrutural. Isto, porém, a produção garantiu que não irá se repetir mais.

No mais, restam aplausos ao All You Need Is Love, que voltará à Uberlândia em dezembro com a Orquestra AfroReggae. A sensação que tive ao ir embora é que, depois de assistir a tantos tributos aos Beatles ao longo dos anos, estive diante do melhor. Disparadamente.

Músicos

César Kiles (vocal e baixo, Paul McCartney)
Sandro Peretto (vocal e guitarra, John Lennon)
Thomas Arques (vocal e guitarra, George Harrison)
Renato Almeida (vocal e bateria, Ringo Starr)
Anselmo Ubiratan (teclados e demais instrumentos, George Martin)

Músico convidado

Rico (sítar)

Setlist

01. I Wanna Hold Your Hand
02. She Loves You
03. From Me To You
04. Please Please Me
05. All My Loving
06. It Won’t Belong
07. In My Life
08. And I Love Her (vídeo do show)
09. Norwegian Wood (com Rico)
10. A Hard Day’s Night
11. I Should Have Known Better
12. Can’t Buy Me Love
13. Help (vídeo do show)
14. Ticket To Ride
15. Rock And Roll Music
16. Roll Over Beethoven
17. I Saw Her Standing There
18. Boys
19. Twist And Shout
20. Yesterday
21. Here, There And Everywhere (Anselmo Ubiratran)
22. Michelle (Anselmo Ubiratran)
23. Don’t Let Me Down
24. Get Back
25. Revolution
26. Lady Madonna
27. Something
28. I’ve Got A Feeling
29. Come Together
30. Let It Be
31. Hey Jude

Bis

32. Drive My Car
33. Day Tripper
34. Helter Skelter

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Comentários

6 Comments

  1. Felipe disse:

    Igor, assisti ao show do AYNIL no Netflix e concordo, é realmente espetacular!!! Mas já que você falou em perfeccionismo, não posso deixar de comentar um pequeno ponto: você reparou que o “Paul” toca algumas músicas como se fosse destro? São poucas mesmo, principalmente quando ele toca violão ou guitarra…reparou nisso? Que coisa estranha…hahahaha! É canhoto ou não é? Hehehehe! Apenas por esse fato não dou um 10 pra eles, mas vai um 9,9 com louvor! Abs

    • Igor Miranda disse:

      Felipe, tudo bem?
      Vou ser sincero que não reparei nesse detalhe. Ele, de fato, usa os instrumentos invertidos. Mas não observei se ele toca como se simplesmente tivesse virado o baixo (com a corda mais aguda para cima) ou se ele mexeu nas cordas (tendo a mais grave para cima, adaptando o instrumento). Também não reparei se ele toca piano como destro ou como canhoto (ou se realmente há uma diferença entre piano para destro e para canhoto).
      Claro que não são cópias perfeitas, um ou outro detalhe acaba passando. Tanto é que, ao final do show, eles conversam em português até para mostrar que eles também são seres humanos particulares, individuais. Mas tirando um ou outro detalhe (que provavelmente passou despercebido por mim), o tributo é realmente idêntico. Já vi muitos tributos aos Beatles e nenhum chegou perto deste em termos de fidelidade.
      Abraço!

      • Jefferson Bastos disse:

        Olá, Igor e Felipe. O césar, na verdade, é destro, mas depois de anos de treino e ao menos 2 horas por dia, ele consegue tocar com instrumentos canhotos. Isto garante maior fidelidade ao espetáculo. Saudações.

    • Marco Antonio Domingues disse:

      Respondendo sua pergunta , Felipe, nâo, êle não é canhoto. Conheço o pessoal da banda e posso te afirmar que o baixista “aprendeu” a ser canhoto para dar mais autenticidade ao show.

    • Marcelo Sales disse:

      Felipe, o Cesar é destro e isso que o deixa mais impressionante ainda. Se dedicou para tocar canhoto como Paul. Não acha?


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