Entrevista exclusiva com César Kiles do All You Need Is Love

abril 11th, 20140 Comments »Última Atualização: junho 18, 2014

Por: Igor Miranda para Reduto do Rock
Edição: Diego Centurione

Os Beatles encerraram as atividades em 1970. Desde então, ninguém mais teve a chance de ver John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr tocando juntos novamente. Aliás, em termos de shows, os fãs não puderam mais ver as apresentações do grupo a partir de 1966, quando os músicos decidiram trabalhar apenas em estúdio.

A banda mais popular da história da música popular, que vendeu mais de um bilhão de discos em todo o mundo, não pode ser completamente imitada. Mas o All You Need Is Love chega a um nível de semelhança jamais visto. O tributo é formado por César Kiles (vocalista e baixista, Paul McCartney), Sandro Peretto (vocalista e guitarrista, John Lennon), Thomas Arques (vocalista e guitarrista, George Harrison), Renato Almeida (vocalista e baterista, Ringo Starr) e Anselmo Ubiratan (tecladista, regente de orquestra e outros instrumentos, George Martin), além de Branco (idealizador e empresário).

Fatos inéditos de reconhecimento comprovam a qualidade do All You Need Is Love. Trata-se do único grupo a gravar um DVD no Abbey Road Studios e a ser convidado para se apresentar no Cavern Club, na comemoração dos 50 anos do primeiro disco, com direito a comercialização do registro. Ambas as ocasiões foram lançadas no DVD triplo Ao Vivo na Inglaterra. Além disso, o outro DVD lançado pelo tributo, Live At HSBC Brasil: São Paulo, chegou à impressionante marca de 70 mil cópias vendidas.

Hoje, o tributo apresenta o show descrito por si como “o maior espetáculo Beatle do mundo” na cidade de Uberlândia, Minas Gerais. A performance começa às 21h00, no Center Convention do Center Shopping: avenida João Naves de Ávila, 1.331, Tibery – piso C. Para “esquentar as válvulas”, o Reduto do Rock bateu um papo com César Kiles, o “Macca”. Confira abaixo:

Reduto do Rock: Como surgiu a ideia do All You Need Is Love enquanto espetáculo?

César Kiles: Acho que os Beatles mexeram e continuam mexendo com as vidas de quase todo mundo. Isso merecia um espetáculo à altura. Isso sem contar que nunca vieram ao Brasil. Esses e outros fatores nos levaram a montar o espetáculo All You Need Is Love.

RR: Por que a escolha do nome “All You Need Is Love”? É apenas em homenagem à música ou há algum significado por trás?

CK: O termo diz tudo. Se você parar pra pensar, o amor pode consertar qualquer problema do mundo, pode acabar com guerras, fome, miséria. Se todos tivéssemos mais amor e menos egoísmo, o mundo estaria muito diferente.

RR: Além da incrível semelhança de cada integrante, o All You Need Is Love conta também com um quinto elemento importante, que também foi decisivo para os Beatles, que é o George Martin. Como surgiu a ideia de trabalhar com o Anselmo Ubiratran e de que forma ele complementa o espetáculo?

CK: Anselmo é uma figura importantíssima. Além de amigo e super músico, tem formação erudita, assim como George Martin. E, assim como ele, nos dirige musicalmente, além de escrever e reger a orquestra que nos acompanha.

RR: Vocês conseguiram alguns fatos inéditos como o único grupo a gravar um DVD no Abbey Road Studios e o único a ser convidado para se apresentar no Cavern Club, na comemoração dos 50 anos do primeiro disco. Vocês se sentiram “um pouquinho mais Beatles” com esses eventos? Como foi cada ocasião?

CK: Sem dúvida foi uma grande honra. Uma realização tanto profissional como pessoal também. Mas somente em cena nos sentimos como os Beatles. Fora dos palcos, somos os fãs que se deliciaram na terra dos seus ídolos.

RR: Para um espetáculo em tributo aos Beatles, o All You Need Is Love conseguiu números expressivos até mesmo no mercado fonográfico, com mais de 70 mil cópias vendidas do DVD box triplo. Como é ter essa repercussão até mesmo no mercado de vendas de mídia, considerando que nem mesmo artistas consagrados andam conseguindo atingir números tão expressivos?

CK: Não esperávamos por essa marca. E continua subindo cada dia mais. O pessoal compra o segundo DVD e depois descobre que havia um primeiro e compra também. Vamos ver onde isso vai parar.

RR: A semelhança na execução musical das músicas não é o único atrativo do All You Need Is Love. A parte estética também recebe cuidados especiais. Qual a importância da mudança de figurino em determinado momento do show?

CK: Precisamos dar a mesma importância tanto à parte musical quanto à cênica. Essa sempre foi a proposta do All You Need Is Love. Passar ao público como foi a trajetória dos Beatles. Não podemos passar uma informação errada, por isso a preocupação, inclusive usando instrumentos iguais ao que foram usados em determinada música que está sendo tocada.

RR: É interessante observar que o All You Need Is Love também é acompanhado por jovens e até mesmo crianças. Como tem sido a recepção do espetáculo Beatle no que diz respeito às novas gerações?

CK: Isso é engraçado. Cada dia o público está mais jovem. Existem alguns casos onde a criança descobre a gente e só depois os Beatles.

RR: Posso estar enganado, mas o All You Need Is Love não adota muito a concepção de “banda”. É tido como um espetáculo Beatle, um tributo, algo que se assemelha até mesmo à concepção teatral. Estou redondamente enganado ou isso realmente acontece? Se sim, por quê?

CK: Sim. Como eu disse anteriormente, a ideia é justamente mostrar não só o som, mas o comportamento, as roupas e instrumentos que eles usavam. Ou seja, acaba sendo um teatro sim.

RR: Soube que alguns integrantes da banda têm projetos paralelos, alguns inclusive até autorais, enquanto outros são divisões “solo” do espetáculo beatle. Você poderia nos contar mais sobre?

CK: Assim como os Beatles, também somos compositores e todos amamos arte num geral. Então nós empenhamos nisso. Sendo gravações de nossas músicas ou em produções independentes.

RR: Vocês já pensaram em lançar material autoral enquanto grupo também?

CK: Sim, isso já está encaminhado. Inclusive, no nosso último DVD, gravado em Abbey Road, já temos uma canção autoral chamada “Begin Today”.

RR: Há uma mente por trás do All You Need Is Love, que é o Branco, idealizador, empresário e produtor da banda. Para maior precisão, o que exatamente o Branco faz?

CK: O Branco, assim como Brian Epstein, dirige toda a ideia, trilha e mostra os caminhos do AYNIL. Não adianta somente os artistas terem talento. Cada engrenagem da máquina precisa funcionar. Muitos grupos se perdem por não terem um empresário que tenha visão do caminho a ser seguido.

RR: Há algum plano futuro para a All You Need Is Love?

CK: Sempre estamos em busca da inovação, de desafios e posso garantir que vem muita coisa bacana ainda pela frente.

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