Planeta Terra Festival 2013: shows e organização

novembro 11th, 20130 Comments »Última Atualização: novembro 12, 2013

Direto do Campo de Marte (SP)

Shows surpreendem e agradam maioria

Já faz um tempo que o Planeta Terra tem se destacado pela qualidade de seus shows. Tendo trazido nomes não tão comuns no circuito brasileiro, como Garbage, Iggy Pop, Beady Eye e, neste ano, Blur e Lana Del Rey, mais uma vez o festival trouxe surpresas agradáveis entre as apresentações menos badaladas.

Até mesmo a jovem Clarice Falcão, que apesar de uma música bastante simples, conseguiu trazer para si a atenção por brincar de maneira natural com seu aparente nervosismo, o que a colocou mais próxima do público.

Outras surpresas agradáveis foram The Muddy Brothers, vencedores do concurso “Rock on Top”, e Hatchets, ambos brasileiros, que aqueceram bem o público para o que viria pela frente. As bandas também mostraram enorme simpatia e simplicidade, rondando pela pista do evento após o show, tirando fotos e tietando o pessoal mais famoso no backstage. É sempre bom ver um grupo se divertindo como nunca em cima de um palco.

Como a qualidade altíssima dos shows de BNegão e seus Seletores da Freqüência não é mais surpresa, o fim de tarde proporcionou talvez a maior novidade desse festival: a apresentação do Travis. Claro, os caras não começaram ontem, mas convenhamos que a maioria do público por aqui não conhece as músicas dos escoceses, que nunca vieram para o Brasil e realizaram um show com potencial para ser chamado, sem loucuras, de o melhor do festival. Tocaram ainda, as bandas Palma Violets e The Roots.

Mais à frente, estaria o tridente principal do dia com Lana Del Rey, Beck e Blur. Em seus respectivos estilos, todos os três saíram ovacionados e agradaram a maioria dos 27 mil presentes no Campo de Marte (São Paulo).

Às 19h30, Lana Del Rey subiu ao palco para delírio dos fãs, que receberam beijos, autógrafos, abraços e até tiraram fotos com a cantora, que frequentemente descia em frente a grade para atender o pessoal da primeira fila.

Próximo dali, às 20h00 foi a vez do Beck fazer barulho, que de tão alto quase invadiu o show da Lana, e dançar com uma plateia menor que a do palco dela, mas muito mais animada. A apresentação foi regada de músicas rápidas, dançantes e com a cara alternativa que o festival tanto gosta.

Depois dessa mistura de emoção, com Lana, e festa, com Beck, sobraram cinco minutos de descanso até que “Girls & Boys” começasse a mudar a cara de tudo que tinha acontecido até ali, pois foi assim mesmo que o público se sentiu, como se o show do Blur fizesse parte de um outro evento, em outro lugar.

Não pela falta de qualidade das bandas anteriores que, somadas a uma organização acima da média, proporcionaram uma excelente experiência até então, mas sim porque grande parte dos fãs de Blur viam os ingleses pela primeira vez. Sem contar que o grupo de Londres é um dos grandes fenômenos mundiais da década de 90.

O show, de aproximadamente 01h30, mesclou uma série de hits com algumas músicas mais “lado B”. A escolha é uma opção de mão dupla: quem é fã adora curtir as faixas que jamais imaginou ver ao vivo, mas isso pode esfriar o show, pois em um festival não se pode imaginar que todos são conhecedores de carteirinha da banda.

Mas não foi o caso, já que “Parklife”, “Coffe and TV”, “Tender” e a rápida, porém intensa “Song2″, garantiram a atenção da plateia durante todo o tempo.

Em suma, o Planeta Terra conseguiu unir uma boa organização com shows de qualidade, para públicos diferentes, que souberam se respeitar, se relacionar e, o que é mais importante, se divertir.

Setlists

Travis
Lana Del Rey
Beck
Blur

Detalhes da organização

As 27 mil pessoas que compareceram no Campo de Marte (capacidade 30 mil), tiveram tranquilidade para acompanhar os onze shows do festival, que foram transmitidos ao vivo pela internet. Além do tempo firme sem chuva e com calor suportável, as apresentações foram distribuídas em dois palcos (Terra e Smirnoff), que ficavam próximos facilitando a locomoção. O som, quase sempre na medida certa, tinha potência concentrada no centro dos palcos impedindo que atrapalhassem um ao outro. Poucos problemas neste sentido foram percebidos.

Mais um fato merece muitos elogios. Diferente de outros festivais e shows, o Planeta Terra não utiliza grandes estruturas que tiram a visão de quem fica mais longe do palco. De qualquer lugar da pista, você tinha uma ótima visão das apresentações. O chão asfaltado e com pedrinhas nas áreas de maior circulação, também foram ideais para o evento.

O local também estava limpo e tinhas várias lixeiras. Os banheiros principais ficavam afastados dos palcos, porém não tão longe a ponto de atrapalhar. No masculino, os tradicionais químicos e  os mictórios, que são uma ideia simples e inteligente para agilidade e higiene. Torneiras também foram colocadas e eram úteis, quando estavam funcionando (em um momento à tarde não tinha água). Faltou o sabonete líquido, que nunca está presente.

O festival teve também lojas de merchandising, stands de patrocinadores, de produtos do humorístico “Porta dos Fundos”, de alimentação e bebidas, onde se concentravam as maiores filas (na retirada). Como sempre falamos aqui, o preço alto ainda é o grande problema dos eventos em geral. Por exemplo, uma camiseta oficial de banda saia por R$ 100 e uma mini-pizza por R$ 10. Nada que assustasse também.

Várias saídas de emergência indicadas, uma entrada/saída principal próxima ao evento e boa sinalização, também ajudaram muito. Algumas filas do lado de fora no começo do evento geraram algumas reclamações, mas nada crítico.

Na parte de brinquedos, a tradicional Roda Gigante e um Tobogã, ambas do Banco do Brasil. Vale pela diversão, mas estavam ali mais para manter a tradição.

Os horários dos shows também foram cumpridos a risca, o que facilita o planejamento de ida e volta do público, que contou com dois metrôs próximos ao Campo de Marte e uma saída tranquila. O evento foi muito acolhedor e neste caminho, tem tudo para ser considerado o festival mais bem organizado do Brasil.

Veja 120 fotos exclusivas do evento e dos shows

Álbum no flickr, clique aqui!

Por: João Victor Vieira e Diego Centurione
Fotos: Renan Facciolo para Reduto do Rock

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