Red Hot Chili Peppers mostra disposição com hits, em São Paulo

novembro 8th, 20130 Comments »Última Atualização: novembro 10, 2013

Direto da Arena Anhembi (SP)

Recomeçar. A capacidade de refazer planos e seguir em frente, após a superação de obstáculos, é fundamental na vida de qualquer pessoa. Não é diferente para uma banda de rock com 30 anos de estrada. O Red Hot Chili Peppers por várias vezes precisou se reformular. Foi assim com a morte do guitarrista Hillel Slovak, depois com a saída – e volta – de John Frusciante.

Nos últimos anos, o Red Hot Chili Peppers passou por profundas mudanças e precisou encontrar seu caminho. Após o sucesso estrondoso dos álbuns Californication e By the Way, o grupo lançou ainda em 2006, o álbum duplo de inéditas Stadium Arcadium, uma viagem em 28 músicas com influência de tudo o que eles já haviam produzido. O hiato após o disco traz a notícia da saída do guitarrista John Frusciante e a impressão de que aquele álbum poderia ser o último da veterana banda.

Não foi. Marcada por se renovar nos momentos em que o grupo – e seus membros – parecem não ter mais força para continuar, o Red Hot Chili Peppers anuncia Josh Klinghoffer. O músico já tocava com a banda e participou ativamente do novo disco, que trazia uma mensagem simples, porém significativa, logo em seu título: I’m With You.

A atual turnê demonstra que o RHCP segue com os fãs. No show desta quinta-feira (7), no Anhembi (São Paulo), as jams fizeram parte do início ao fim da apresentação, como logo na abertura, quando a banda emendou de cara três de seus maiores hits: “Can’t Stop”, “Dani California” e “Otherside”. A plateia estava ganha e a partir daí coube à eles administrar o empolgado público.

Não faltaram as características já conhecidas do Red Hot Chili Peppers: Chad Smith divertia os fãs – e se divertia – brincando com as baquetas, Flea dançava e se declarava para o público brasileiro, Anthony Kiedis mostrava vigor com seus saltos bem planejados e Josh com sua característica introspecção; vale ressaltar a melhora e maior sintonia de Josh, em comparação com a última passagem pelo Brasil. As décadas de experiência deram a capacidade de entender o que os fãs querem; a resposta a cada chamado dos integrantes era imediata. O excelente trabalho do brasileiro Mauro Refosco é fundamental na nova fase, sendo cada vez mais membro do grupo. Até uma cuíca apareceu no show.

Músicas do trabalho mais recente, I’m With You, estiveram presentes, como “Factory of Faith”, “Ethiopia”, “The Adventures of Rain Dance Maggie” e “Meet Me at the Corner”, pouca modificação em relação aos últimos shows – e que poderiam ser alternadas por outras boas canções do álbum, como “Monarch of Roses” (que abriu as apresentações da turnê em 2011), “Brendan’s Death Song” e “Did I Let You Know” (executada com sucesso no último Rock in Rio e que tem um clipe feito por brasileiros).

Mais singles da fase Californication em diante estiveram no setlist, como a própria “Californication”, “Snow ((Hey Oh))”, e as explosivas “By the Way” e “Around the World”, que respectivamente fecharam a primeira e abriram a segunda parte do show. Além do tradicional cover “Higher Ground”, de Stevie Wonder, um dos momentos de maior entrega público/banda, a surpresa ficou por conta de um pequeno teaser de “Dosed”, puxado por Josh, que não prosseguiu.

Novidades na passagem sul-americana foram “I Like Dirt” e “If You Have to Ask”, assim como “I Could Have Lied”, que só não emocionou mais do que a grande canção do Red Hot Chili Peppers, “Under the Bridge”. Os telões, dois nas laterais do palco e um maior central, agradaram e desagradaram. O central encanta pela mistura de imagens ao vivo, gravadas e verdadeiras obras de arte. Já os laterais apresentam efeitos em alguns momentos, que acabam prejudicando quem está mais distante do palco e só pode ver o grupo pelos telões.

Cerca de uma e quarenta após o início do show, as primeiras notas de “Give It Away” fizeram os fãs gastarem as últimas energias e encerraram a apresentação na capital paulista. Os 30 anos de carreira e a vitalidade dos membros da banda seriam argumentos suficientes para que os shows contassem com mais músicas, principalmente dos quatro primeiros álbuns; escolha que poderia assustar os fãs mais novos, mas agradaria quem, por exemplo, ficou feliz com “If You Have to Ask”. Assim, o Red Hot Chili Peppers segue após 30 anos: reencontrando e refazendo seus caminhos, mas seguindo ao lado dos fãs.

Yeah Yeah Yeahs

O Yeah Yeah Yeahs segue com sua turnê abrindo os shows do RHCP. Em São Paulo, o grupo mais uma vez encontrou as dificuldades de ter que tocar para um público ansioso para a próxima banda entrar no palco. A apresentação começou com a excelente “Sacrilege”, do álbum mais recente do YYYs, Mosquito. A música-título, aliás, também é outro bom destaque.

No geral, a banda fez um bom show. Karen O, como de costume, esbanjava sorriso e disposição, combinando com a intensidade do seu grupo. Carismática, a vocalista até chegou a animar os ansiosos fãs dos Chili Peppers, como nas duas canções citadas, em “Zero” e na sequência final, com “Maps” e “Heads Will Roll”. Apresentação sólida e que agradaria um público muito maior se acontecesse na mesma cidade, mas dois dias depois, no Planeta Terra Festival.

Vale destacar ainda a boa organização do show, com público de 34 mil pessoas, entrada e saída tranquilas, assim como uma estrutura sem problemas dentro da Arena Anhembi.

Por: Tiago Keese (Colaborador RR)
Edição: Diego Centurione
Fotos: Stephan Solon/XYZ Live

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