Black Sabbath dá aula de rock em São Paulo

outubro 12th, 20133 Comments »Última Atualização: novembro 30, 2016

Direto do Campo de Marte (SP)

São raros os shows onde a reverência toma o lugar da empolgação e da insanidade de uma plateia, diante de seu ídolo. Nesses casos, quando aquele clássico é executado pelos caras que estávamos acostumados a ouvir de diversas maneiras, as bocas abertas, os olhos incrédulos e a falta de controle nos movimentos do corpo, substituem o grito estridente de um show “mais comum”.

Nesta sexta-feira (11), o Campo de Marte, foi palco de um desses momentos únicos. O Black Sabbath subiu ao palco cerca de 10 minutos adiantado e já nocauteou o público, bem aquecido pelo som pesado do Megadeth, com o hino do heavy metal “War Pigs”.

Uma sucessão de grandes canções carregaram os 70 mil presentes, por todos os longos 45 anos de carreira do grupo de Birmingham. Com a animação de uma banda em começo de estrada e a experiência de quem conquistou o mundo, o Black Sabbath deu uma aula de música em São Paulo.

Com o repertório padrão de toda a turnê “Reunion”, o grupo anestesiou seus fãs com faixas como “Snowblind”, “Black Sabbath”, “Iron Man”, “Dirty Woman”, “Children of the Grave”, “Paranoid” e as novas tijoladas ”End of the Beginning” e “God Is Dead?”.

O evento

Apesar de uma estrutura física compatível com o tamanho do espetáculo, a plateia sofreu com alguns detalhes. A comunicação via celular era praticamente impossível, o acesso à internet não existia e a maioria dos caixas estava sem sistema para cartão, o que deixou muita gente com sede e fome durante o dia todo.

Em contrapartida, shows em lugares abertos e sem arquibancadas costumam causar uma série de problemas em relação à visão de quem está atrás. Não foi o caso no Campo de Marte. A visão era boa e o local continha uma série de válvulas de escape, que permitiam ao público ficar mais confortável e serviam como uma saída de emergência em casos extremos.

No caso dos banheiros, em sua maioria funcionavam de maneira aceitável. Não faltou água e havia papel na maioria. Os banheiros móveis, na medida do possível, também não atrapalharam.

Em suma, foi um dia de experiência fundamental na vida de qualquer pessoa que pautou – e pauta – sua vida no rock’n'roll, uma noite de lua crescente para guardar na mente e no coração, para contar aos netos. O sentimento que tomou a caminhada para casa foi de utopia, um consenso geral de que tudo aquilo não se passava de um sonho, e a certeza de que todos ali tiveram a oportunidade única de ver os reis do heavy metal em plena forma e saúde.

Setlists

Megadeth

1 – Hangar 18
2 – Wake Up Dead
3 – In My Darkest Hour
4 – She-Wolf
5 – Sweating Bullets
6 – Kingmaker
7 – Tornado of Souls
8 – Symphony of Destruction
9 – Peace Sells

Bis

10 – Holy Wars… The Punishment Due

Black Sabbath

1 – War Pigs
2 – Into the Void
3 – Under the Sun/Every Day Comes and Goes
4 – Snowblind
5 – Age of Reason
6 – Black Sabbath
7 – Behind the Wall of Sleep
8 – N.I.B.
9 –  End of the Beginning
10 – Fairies Wear Boots
11 – Rat Salad
12 – Iron Man
13 – God Is Dead?
14 – Dirty Women
15 – Children of the Grave

Bis

16 – Paranoid (Sabbath Bloody Sabbath Intro)

Fotos

Veja imagens oficiais da apresentação:

Álbum no flickr, clique aqui!

Turnê pelo Brasil

Os shows do Black Sabbath com o Megadeth no país seguem para o Rio de Janeiro, no dia 13 de outubro, e Belo Horizonte, em 15/10. Saiba mais neste link e veja tudo que rolou na coletiva do Rio, aqui!

Por: João Victor Vieira
Edição: Diego Centurione
Fotos: T4F 

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3 Comments

  1. Fabio disse:

    Quem escreveu esse texto, não foi no mesmo show que eu. O som na apresentação do megadeth estava ridículo. Era possível conversar em tom normal de voz e no show do Black Sabbath tb não estava lá essas coisas. Assisti o show todo pelos telões, pois era impossível ver o palco. Lugar esburacado e desorganizado. Sem contar a zona no metrô, que fechou os portões principais e deixou um mínimo para milhares passarem. Somente Black Sabbath salvou a noite. O resto foi um lixo… Uma pena, mas nunca mais assisto shows no campo de Marte.

  2. [...] fotos de meu registro deste momento fantástico e também com um trecho da reportagem do site Reduto do Rock, que ilustra perfeitamente a sensação de ter visto o Sabbath ao [...]

  3. João Victor Vieira disse:

    Obrigado Lais!

    E Fábio, creio que fomos ao mesmo show sim, mas é uma questão de análise entre alguns aspectos. Considerando o desastre que shows só de pista costumam ser, esse do Black Sabbath teve uma funcionalidade maior. Claro, há problemas, e muitos. O palco mesmo tinha uma posição discutível, mas era a única possível, considerando que um lado estavam as saídas e do outro era a divisa com a área militar do local, onde o palco não pode estar.

    Os relevos são comuns nesse tipo de show, infelizmente. E isso é no mundo todo. Mesmo o Glastonbury sofre desse mal, isso deve ser considerado. E sim, quanto ao som, tem razão, especialmente no caso do Megadeth houve falhas.

    Mas em eventos dessa grandiosidade, penso eu, o mais importante é termos segurança, e isso existiu. Haviam saídas de emergência, saídas principais grandes e postos médicos, o que é fundamental. E os banheiros, em grande parte, funcionavam. Isso é raridade!

    Quanto ao Metrô, é algo que infelizmente não depende do evento, mas sim do governo. Devemos cobrar, sempre, mas é um caso de organização pública como um todo, não só do show.