Mesmo com efeito reduzido, PEC da Música dá fôlego para artistas nacionais

setembro 28th, 20132 Comments »Última Atualização: setembro 28, 2013

Foi aprovada pelo Senado na última terça (24), a Proposta de Emenda Constitucional 123/2011, conhecida como PEC da Música. Com intenso apoio de músicos como Lenine, Marisa Monte, Gal Costa, Caetano Veloso e Erasmo Carlos, além da Ministra da Cultura Marta Suplicy, o projeto isenta de impostos a produção e venda de CDs, DVDs e clipes musicais de artistas brasileiros.

A expectativa é que os preços dos produtos sejam reduzidos em 25%, equiparando com livros, revistas e servindo como uma espécie de combate à pirataria. Na proposta também consta o barateamento das canções vendidas na web, acompanhando assim o desenvolvimento natural da tecnologia no Brasil e no mundo, atraindo o mercado para o aparecimento de novas indústrias e alavancando a produção e divulgação da música independente.

O grande problema é a falta de vontade das pessoas em ter as obras para si. A cultura de compra de álbuns perdeu força no século 21, com a chegada da internet e o livre acesso em rádios online e site de downloads gratuitos. O fanatismo pela música no Brasil, por parte do seu povo, caiu consideravelmente, especialmente em relação aos artistas nacionais.

Esse nariz torcido para a música brasileira fica evidente na composição dos grandes festivais. O Rock in Rio, por exemplo, maior festival do mundo e principal produção da indústria fonográfica tupiniquim até hoje, não teve sequer um artista brazuca como atração principal nos seus sete dias de duração. Não por culpa de seus organizadores, mas porque o público em geral não compra mais a ideia da música de qualidade feita no país, o que dificulta na divulgação de novos trabalhos e, consequentemente, na sua venda.

Nesse cenário, a força da internet é um obstáculo. A circulação livre de downloads ilegais faz com que as pessoas não consigam encontrar sequer uma razão para ter o novo álbum em casa. São raros (porém louváveis) os casos de gente que ainda se interessa em comprar o CD, folhear o encarte, ouvir as canções e ter a obra ali na prateleira, como um tesouro.

Mesmo assim, a PEC da Música é uma conquista que deve ser comemorada, e muito! Há tempos nossos artistas não conseguiam se unir e lutar pela sobrevivência da música nacional, que é um dos principais produtos que nosso país exporta. Lá fora, o Brasil é altamente conhecido por sua bossa-nova, samba, ritmo e, por que não, rock’n'roll.

A sanção da PEC é um incentivo para que o fanático pela sonzeira, aquele que respira rock, MPB, samba ou o que for, vá às lojas e valorize o trabalho de seu ídolo, fazendo com que a grana gire, a estrutura cresça e nosso meio musical se renove.

Por: João Victor Vieira (Colaborador RR)
Edição: Diego Centurione
Fontes: G1, FSP, MC e BF (CC)
Foto: Agência Brasil 

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2 Comments

  1. Talita L. disse:

    Excelente texto. É um debate muito bem-vindo. Porém, não concordo que a internet seja um obstáculo, em nenhum sentido. Menos ainda que a falta de atrações nacionais em destaque nos grandes festivais como o RnR seja unicamente por falta de interesse da audiência. Acho que existem, no mínimo, duas frentes aí. Pode ser que ainda estejamos engatinhando no uso da internet como fonte de informação. Ao organizadores de festivais não caberia fazer uma bela pesquisa no ambiente virtual para descobrir quem são os artistas e bandas que têm conseguido alcançar algum destaque no público da internet e aí então revelá-los ao grande público num festival que tem transmissão nacional via tv? Então, colocar a “culpa” na falta de interesse da audiência não basta. Por que os organizadores não usam a internet como termômetro e apostam em novos nomes? Existe, sim, uma questão cultural, comportamental em jogo mas não é só isso, acredito. A internet não pode ser vista como vilã, definitivamente. O festival SXSW, do Texas, por exemplo, todo ano revela nomes do médio underground. Quem sabe a vilã tenha sido, na verdade, a ganância de algumas empresas acostumadas ao modelo de negócio no qual estiveram muito bem acomodadas durante anos. Temos que aprender a conviver com a internet e com as possibilidades que ela nos trás.

    • João Victor Vieira disse:

      Talita, concordo bastante contigo. Mas no cenário em que nos encontramos atualmente, vejo a internet como obstáculo pelo seguinte: a cultura de compra de CDs em físico está muito em baixa nos dias de hoje. A internet é de uma facilidade incrível para a divulgação de novos trabalhos e novas bandas, mas dificulta na circulação física de CDs exatamente por conta dessa facilidade. iPods hoje comportam mais de 160 GB de músicas. Em casa, por exemplo, tenho 192 GB de espaço para música de uma imensidão de artistas. Nesse cenário, é necessário um envolvimento muito mais sentimental do que de necessidade para irmos atrás desses trabalhos físicos. Mas claro, sem demonização da internet. Longe disso.

      Outro fator é esse que você colocou, estamos engatinhando na utilização dela, em diversos campos. Por isso, a fiscalização na rede é praticamente zero, o que permite a veiculação de um monte de coisa pirata por aí, que, sem hipocrisia, é bom para quem quer ter tudo em casa, bootlegs e etc, mas para as bandas é uma sentença de morte.

      Quantos aos artistas brasileiros, mantenho a opinião baseado na falta de investimento atual no cenário daqui, uma vez que novos artistas já nascem vendidos para as gravadoras, seguindo suas produções sem qualquer tipo de ideologia ou originalidade. Quem tem isso, não faz sucesso e não chega ao grande público, o que para o sistema também não serve.

      E sim, existe preconceito do brasileiro com o produto brasileiro. Sempre existiu, desde quando Caetano Veloso trouxe a guitarra elétrica para a MPB e levou uma vaia massante do público, como se essa guitarra só funcionasse nas mãos do pessoal lá de fora.

      Mas claro, sua opinião é pra lá de válida e levarei em consideração nos meus próximos estudos sobre o assunto.

      Valeu!


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