Show do Alice In Chains transforma São Paulo em Seattle dos anos 90

setembro 27th, 20130 Comments »Última Atualização: outubro 14, 2013

Direto do Espaço das Américas (SP)

Os gritos e os acordes sujos característicos de “Them Bones” anunciaram às 21h30, desta quinta-feira (26), que o show do Alice In Chains em São Paulo estava iniciado. A apresentação foi a última da mini-turnê brasileira da banda, que também contou com performances no Rock in Rio e em Porto Alegre.

Na sequência vieram “Dam that River, “Hollow” e “Check my Brain”; durante todas estas e as que viriam a seguir, projeções em telões de alta qualidade, no fundo do palco, garantiam um verdadeiro espetáculo; as imagens casavam completamente com as músicas e enchiam os olhos do público.

Antes da quinta canção da noite – “Again”, o vocalista William Duvall cumprimentou a todos em um português muito bem falado: “É muito bom ver vocês novamente em São Paulo”, disse sorridente. Duvall carrega provavelmente a maior responsabilidade do Alice In Chains nos dias de hoje, a de ser o vocalista de um grupo que teve uma das vozes mais marcantes dos anos 90, a de Layne Staley, encontrado morto em 2002, vítima de uma forte depressão e dependência química. Porém, isso não parece ser problema algum a ele e também aos fãs, que o receberam com muito entusiasmo e respeito, desde a sua entrada na banda em 2006. E se a personalidade dos dois parece ser muito diferente, o timbre de voz em algumas vezes é extremamente parecido.

A hora mais empolgante da noite veio a seguir, com o hit máximo “Man in the box”, cantado por todos a plenos pulmões; era bonito ver a onda que se formava pelos pulos cadenciados das duas pistas. Invariavelmente, em resposta, também foi o momento em que todos os integrantes mais se soltaram.

Jerry Cantrell, o guitarrista e segunda voz do grupo, continua tocando impecavelmente e é uma das bases do Alice In Chains, mas o longo cabelo loiro faz falta na pose, a camisa agora fica por dentro da calça e o rosto marcado dá um semblante de calma e por vezes timidez. Mike Inez (baixo) e Sean Kinney (bateria), também executam os instrumentos com maestria e mostram simpatia durante todo o show.

As canções da nova fase da banda vieram em seguida com “Your Decision”, “Last of my Kind” e “Stone”, todas cantadas por grande parte dos presentes que não se apegaram somente aos clássicos. Porém, a empolgação é claramente percebida na sequência com “No Excuses” e as antigas e pesadas “It Ain’t like that”, “We die Young”, “Sludge Factory”, “Grind” e a belíssima “Nutshell”, que encerra a primeira parte da apresentação.

Após uma breve pausa todos, com exceção do baixista Mike Inez, retornaram ao palco vestindo camisas da seleção brasileira (veja aqui) e visivelmente agradecidos ao público. Eles tocaram “Would?” – eterna trilha sonora do filme Singles, um retrato de Seattle nos anos 90, dirigido por Cameron Crowe – e “Rooster”, do segundo álbum de estúdio e perfeita para fechar o show, com o tom certo de peso, distorção e melancolia, as principais características do Alice In Chains.

Ao fim da apresentação, algumas pessoas ainda esperavam uma possível volta da banda, já que o show teve apenas 01h30 de duração e o hit “Down in a Hole”, informado no setlist, não tinha sido tocado. Mas não aconteceu. Ainda sob os holofotes, no palco, figuravam duas camisas da seleção brasileira de futebol. No lugar reservado aos nomes dos jogadores, se lia Staley e Starr, em memória ao ex-vocalista Layne Staley e ao ex-baixista Mike Starr, mortos em 2002 e 2011 respectivamente. Vale dizer que outra homenagem aos dois sempre é feita pelo grupo, com as inicias “LSMS”, na bateria de Sean Kinney.

O público deixou aos poucos o Espaço das Américas e os comentários de satisfação pareceram unânimes. Nesta quinta, sem dúvida, a casa de show em São Paulo se transformou em um clube underground de Seattle, repleto de camisas xadrezes de flanela e a apresentação de uma das melhores bandas de lá.

Setlist

1 – Them Bones
2 – Dam That River
3 – Hollow
4 – Check My Brain
5 – Again
6 – Man in the Box
7 – Your Decision
8 – Last of My Kind
9 – Stone
10 – No Excuses
11 – It Ain’t Like That
12 – We Die Young
13 – Sludge Factory
14 – Grind
15 – Nutshell

Bis

16 – Would?
17 – Rooster

Fotos

Veja imagens do espetáculo:

Álbum no flickr, clique aqui!

Por: Roberta Lopes (Colaboradora RR)
Edição: Diego Centurione
Fotos: Renan Facciolo (Colaborador RR)

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