O melhor, o pior e o que porra é essa do Rock in Rio

setembro 24th, 20133 Comments »Última Atualização: setembro 30, 2015

Opinião de Jamari França
Texto cedido ao Reduto do Rock
23/09/13

Os Medina tem uma linha de trabalho de convidar para o Rock in Rio seguinte nomes que fizeram sucesso com a massa no festival anterior. Daí repetições como Metallica, Skank, Capital Inicial, Jota Quest e Frejat. Pela empolgação da plateia nesses shows pode até ser que voltem em 2015. Iniciativa gigantesca de marketing – só os principais patrocinadores entraram com R$ 100 milhões – o Rock in Rio deixa os conceitos musicais de lado no seu palco principal em favor do que atraia as massas para dar retorno aos investidores. A campanha de propaganda é de tal ordem que mobiliza todo mundo e provoca um desejo incontrolável de estar lá ou de assistir pela TV. Também abrem um palco B, o Sunset, onde acontecem encontros em geral bem pensados pela equipe de Zé Ricardo. Um palco cuja importância cresce a cada festival, menos na sofrível parte técnica.

Mas existe pelo menos um bem vindo critério de não contratar o mainstream empobrecido que temos hoje no Brasil. Nada de Naldos, Anittas, Zezé Camargo e Lucianos ou Shitãozinho e Shitorós. Sim, tem a Ivete, mas do males o maior rsrs.

A transmissão pelo Multishow sofreu críticas pelas mancadas dos apresentadores e pela mixagem do áudio, mas o mais importante e louve-se a emissora por isso, é a possibilidade de ver todos os shows pela TV e internet, o que amplifica enormemente o festival. Existem pessoas qualificadas como Rodrigo Pinto, Beto Lee e Jimmy London. O problema é que se trata de uma transmissão chapa branca, então eles tem que falar um “mandou bem” pra todos os shows e sinto um certo constrangimento deles por conta disso. Fazer o que, as contas do fim do mês não perdoam, cobram.

Os headliners mais elogiados do rock são todos bem veteranos. Jon Bon Jovi completa 30 anos de carreira este ano, o aclamado Bruce Springsteen está na estrada há 44 anos, o Metallica há 32 anos e o Iron Maiden há 38. O caçula do rock é o Muse com 19 anos de vida. Na área pop, Beyonce tem 16 anos de carreira e Justin Timberlake 20.

O aclamado unânime no Facebook foi o mais veterano de todos, Bruce Springsteen, pela soma de repertório impecável, banda idem, potência vocal, carisma e forma física aos 64 anos. Seguido de Metallica e Iron Maiden, todos com um alentado repertório de sucessos, exigência essencial para o posto de headliner.

O festival teve muita coisa boa, não-fede-nem-cheira e ruim também. No Top 5 coloco, pela ordem, Bruce Springsteen, Metallica, Iron Maiden, Sepultura + Tambours du Bronx e Ben Harper com Charlie Musselwhite. Como não fede nem cheira Ghost B.C., que ao menos valeu pela estranheza, 30 Seconds to Mars, Avenged Sevenfold, Rob Zombie e Kiara. Como piores, Philip Philips, Jessie J, Sebastian Bach, David Guetta, Justin Timberlake.

Como erros de escalação, o Hibria e o Helloween podiam entrar na duas noites de metal, o primeiro no lugar do Ghost B.C., que esfriou a plateia depois do tsunami Sepultura Tambours du Bronx e o segundo no lugar do Kiara Rocks. Ben Harper com Charlie Musselwhite caberiam bem na noite de Bruce Springsteen.

Com o que vimos não dá para fazer um top 5 de bandas nacionais. Em carreira solo, Frejat está em busca de um formato. Tocou um punhado de canções alheias da MPB, três da carreira solo e sete do Barão Vermelho. Quo vadis Frejat. Skank e Capital Inicial apresentaram praticamente o mesmo com show com algumas mudanças no repertório e o tributo a Cazuza foi um equívoco com apenas dois salvos, a formação original do Barão Vermelho e Ney Matogrosso.

O melhor show nacional para mim foi a reunião do trio Autoramas com o rapper BNegão, uma mistura que deu muito certo e foi uma novidade. Viva Raul, o tributo a Raulzito com Detonautas, Rick Ferreira, Zélia Duncan e Zeca Baleiro foi fiel à obra de Raul com os arranjos originais turbinados. A união do Sepultura com Zé Ramalho gerou o Zépultura, que agradou a plateia e a mim também.

Funcionou muito bem a recriação dos Novos Baianos através de quatro ex-integrantes: Moraes Moreira (de voz detonada), Pepeu Gomes, Jorginho Gomes e Didi Gomes, com o reforço de Roberta Sá e Davi Moraes. Canções antigas que o público jovem cantou inteiras como “Dê um Role”, “Preta Pretinha” e “Tinindo Trincando”.

Destaco ainda o som denso do Alice In Chains, a porralouquice de Gogol Bordello, o Ramones revival de Marky Ramone e Michale Graves, o Slayer, ainda que na versão baixos teores e a grandiosidade do Muse. Last But Not Least, o prêmio Que Porra É Essa teve como vencedor nacional André Matos e da gringa Ghost B.C.

Fotos

Veja imagens oficiais do festival: clique aqui!

Jam Sessions – O Blog do Jama: oglobo.globo.com/blogs/jamari
Edição Reduto do Rock: Diego Centurione
Fotos: Divulgação - Rock in Rio

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3 Comments

  1. Carol disse:

    Meu top 5: Bruce Springsteen, Muse, Metallica, Iron e Gogol Bordello. Sebastian Bach foi foda! Não entendi porque entrou no top 5 dos piores shows.. O som ficou mesmo horrível na maior parte do festival, infelizmente.

    Os melhores nacionais pra mim foram o Zépultura e o Viva Raul, que me surpreendeu MUITO, não esperava tanto.

  2. Rafael disse:

    Cara, o QUE PORRA É ESSA deveria ir para o Almah, ou pra Maria Gagu introsada, cagando o pau no tributo cazuza e no show da Alicia Keys

  3. Moa disse:

    Ok, o meu QUE PORRA É ESSA? vai para essa opinião de Jamari França.