Rock in Rio: The Boss magistral e antológico

setembro 22nd, 20131 Comment »Última Atualização: setembro 30, 2015

Opinião de Jamari França
Texto cedido ao Reduto do Rock
21/09/13

Como todo artista que demora a vir ao Brasil, Bruce Springsteen se encantou e prometeu voltar em breve. Na verdade ele esteve aqui em 1988 no coletivo da Anistia Internacional com show só em São Paulo. Depois esqueceu o Brasil por 25 anos e agora descobriu que aqui também ele é The Boss, manda no coração dos fãs. Graças à transmissão do Multishow, os 85 mil presentes à Cidade do Rock se multiplicaram pelo país nas TVs e praças. Bruce foi muito bem assessorado na hora de escolher uma música brasileira para tocar. Sem “Mas Que Nada” ou “Garota de Ipanema”, ele foi direto na jugular da multidão com “Sociedade Alternativa” do bruxo Raul Seixas num português enrolado, mas compreensível.

Depois desencadeou um repertório impecável com uma musicalidade consistente a cargo de uma das melhores formações já reunidas na história do rock, a E Street Band. Graças a isso ele fica a vontade para se soltar com suas interpretações viscerais com uma veemência impressionante. Ele pagou o furo de sua longa ausência descendo várias vezes para a multidão, se entregou ao mar de mãos que o puxavam, abraçavam, beijavam e até o seguravam pelas costas para que ele não caísse do alambrado. Duas horas e meia de uma interação amorosa a que se entregou dando piques de um lado a outro e chegou a oferecer a guitarra para que os fãs dessem sua tocadinha.

Essa entrega e movimentação fez com que ele se mostrasse visivelmente cansado lá pelas duas horas e brau, o que deve ter feito com que o show não tivesse a duração maratonica de até quatro horas ou três horas e meia na média. Ele nos deu de presente a íntegra do álbum Born in the USA, seu maior sucesso, com a canção título contra a guerra do Vietnam. Bruce é o menestrel da classe operária, suas canções falam de gente com a vida simples, os deserdados do sonho americano, os que dão o suor para conseguir a felicidade possível na companhia de um amor e seu despojamento prova que ele também é um deles, um operário que deu certo na vida por ter talento para interpretar o sentimento de seus pares. Um show que mais do que qualquer outro merece o hino de Neil Young que diz “Hey hey my my, Rock’n’Roll can never die.”

John Mayer dividiu opiniões na internet entre os que gostaram e os que acharam chato. Ele consegue ser chato mesmo em alguns momentos, mas brilha quando se trata de domínio na guitarra. Não à toa já foi chamado de Slowhand Junior, numa alusão ao apelido de Eric Clapton, que parece ter inspirado seu estilo. Ao lado de canções de apelo popular, ele fez um trabalho refinado de guitarra, ainda que nem tanto na veia blues que apregoam ser seu estilo.

O palco Sunset teve dois grandes momentos na noite de sábado. Uma reunião de quatro integrantes dos Novos Baianos – Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Didi e Jorginho Gomes – com reforço de Reppolho na percussão e Roberta Sá na voz. Um repertório que se mostrou atemporal pelo entusiasmo com que a plateia jovem cantou. “Dê Um Rolê”, “Tinindo Tricando”, “Preta Pretinha” e algumas carnavalescas fizeram a festa. O Gogol Bordello fez um show com a mesma disposição do Bruce com uma sonoridade diversa, puxada para o punk misturado com música cigana e o escambau, No final teve o reforço de Lenine que, mais tarde, fez seu impecável show Chão, não tão elétrico como anteriores, mas com a qualidade de sempre.

P.S. Amanhã, segunda, às 20 horas, a Rádio Varanda.com apresenta um programa com seleções minhas de rock. Produção Renato Ladeira e Carlos Savalla.

Fotos

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Jam Sessions – O Blog do Jama: oglobo.globo.com/blogs/jamari
Edição Reduto do Rock: Diego Centurione
Fotos: Divulgação - Oficial

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