Rock in Rio 2013: comentários sobre o segundo e terceiro dias

setembro 16th, 20131 Comment »Última Atualização: setembro 22, 2013

Opinião de Jamari França
Texto cedido ao Reduto do Rock
14 e 15/09/13

Raul Seixas teve uma homenagem digna no palco Sunset com os Detonautas reforçados por cordas e sopros e os convidados Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Rick Ferreira, guitarrista original de Raul, e Arnaldo Brandão, baixista que tocou com ele. O tributo teve pressão graças à base por uma banda com anos de estrada e muito bem entrosada e não tentaram reinventar a roda. Seguiram os arranjos originais acrescentando-lhes apenas o peso das guitarras e o colorida das cordas e sopros.

Tico Santa Cruz (na foto) anunciou que não cantariam apenas sucessos, mas canções para quem conhece a obra de Raul. Nesta área teve “Por Quem os Sinos Dobram”, “Ouro de Tolo” e “Cowboy Fora da Lei”. Zélia aplicou seus graves impecáveis em “Tente Outra Vez”, esta com Tico, e “Maluco Beleza”. Zeca Baleiro entrou de óculos escuros para cantar “Como Vovó Já Dizia”, com a introdução original chupada de Kansas City, executada por Rick Ferreira. Depois Zeca emendou com “Rock do Diabo”, foi o único a ler a letra numa dália, mas desculpável porque fez uma interpretação visceral. Teve ainda “Aluga-se”, que os Titãs repopularizaram e “Metamorfose Ambulante”, com a introdução chupada do arranjo de Joe Cocker para “With a Little Help From My Friends”, dos Beatles. Tico disse que o show foi uma versão condensada por só dispor de uma hora e prometeu que haverá outros na íntegra.

Antes deles, uma parceria muito bem entrosada e feliz entre BNegão e o trio Autoramas, Gabriel (guitarra), Flávia (arrasando num baixão Rickenbacker) e Bacalhau (bateria). Uma vez escrevi que se colocassem um vocalista e Gabriel se concentrasse na guitarra, os Autoramas melhorariam bastante. E isso ficou comprovado com BNegão soltando seus graves guturais num show que teve músicas próprias dos dois e gringas como “Walk On The Wild Side” (Lou Reed), “Let’s Groove” (Earth, Wind and Fire), “Psycho” (Sonics), “Wild Thing” (The Wild Ones, Troggs, Jimi Hendrix), “Kiss” (Prince) e “Surfin’ Bird” (Trashmen). Na genial “A verdadeira Dança do Patinho”, houve o reforço do DJ Paulão. BNegão mandou umas bases funkeadas na guitarra e se revelou um bom vocalista de rock.

A noite teve um cardápio variado. Teve punk verdadeiro a cargo de Marky Ramone, Michale Graves e banda com 23 canções que repassam a careira dos Ramones e o punk de boutique do Offspring com canja de Marky. Ramones é fundador de uma geração que redirecionou o rock de volta às origens, é História. Offspring, na boa, acho estéril e vazio, me desculpem os fãs.

Gosto do Capital Inicial, já levei muita porrada no lombo por causa disso, mas já há algum tempo acho que a banda precisa parar e reformular a sua sonoridade, principalmente nos timbres de guitarra. Eles não param nunca, engatam uma turnê com a outra há séculos e estão no piloto automático. Já passaram tempos difíceis, no tempo em que Dinho foi prum lado e eles pro outro e ambos se fuderam. Agora me dá impressão de querem chupar a fruta e comer o caroço, numa de aproveitar o sucesso e se precaver pra quando o publico saturar deles. Para o público continua tudo bem, dançam, cantam, pulam e Dinho continua a vitalidade em pessoa.

Não sou chegado a Florence, passei batido. O 30 Seconds To Mars teve a plateia no bolso com músicas que usam recursos de várias vertentes do rock numa colcha de sons que impressiona pelo punch e pelos climas, mas não é aquela coisa toda. Um bom show para festivais, um vocalista/ator bastante carismático que faz o povo beber na sua mão. Andar na tirolesa durante o show foi um lance ousado, um termo que não se aplica à sua música, apesar dos múltiplos elementos sonoros que usa.

O Muse teve uma postura bem diferente da última vez que esteve aqui em julho de 2008, quando vi no Vivo Rio. Agora é uma banda de arenas e estádios com zilhões de moving lights, raios laser telas, telinhas e telões. Na época entrevistei o baterista Dominic, que me falou do amor da banda pelas experimentações em estúdio, o que prolonga a gravação de seus discos. Era a turnê do disco Black Holes and Revelations. Nesses cinco anos, eles complicaram as coisas em The Resistance e deram uma relaxada em The 2nd Law. Sempre achei que o grandiosismo poderia levá-los a dar de cara na parede, mas Matt, Chris e Dom estão conseguindo ser grandes sem perder a relevância, so far at least. Fizeram um belo show, pesado, com pressão, apoiados por um público fanático que lhes injetou uma dose cavalar de adrenalina. Com um tecladista complementar cumpriram com louvor a responsabilidade que lhes cabia como headliners da segunda noite.

A terceira noite, nesse domingo, pertence aos admiradores do mainstream lixento daqui e lá de fora. Calo-me.

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Jam Sessions – O Blog do Jama: oglobo.globo.com/blogs/jamari
Edição Reduto do Rock: Diego Centurione
Fotos: Divulgação - Oficial

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1 Comment

  1. Cassio Amorim disse:

    A resenha mais sóbria e informativa que vi até agora. Concordo em absolutamente tudo, exceto o apreço pelo capital inicial, que pra mim, é a banda mais enfadonha da história do rock nacional.