Chorão, o Dono do Novo-Velho Rock

março 6th, 20130 Comments »Última Atualização: março 16, 2013

Colunista: Rubens Loureiro, da banda Reversi
Edição: Diego Centurione

Eu ganhei um dos meus apelidos mais conhecidos na Federal, por causa dessa banda (Rubão).

Muito antes disso, entre 1997 e 1998, enquanto eu formava minha primeira bandinha, depois de todo o sucesso do acústico do Titãs, essa banda de Santos estourou. Eu posso dizer que fiz parte da geração que abriu um sorriso na cara ao ver uma banda genial de rock, no estilo dos Raimundos, mas com outra atitude e muita personalidade – nenhuma banda tinha conquistado tantos skatistas por, pura e simplesmente, VIVER aquilo que eles falavam sobre. Vi dois shows da turnê do Transpiração Contínua Prolongada. E, exatamente por não estar pagando de fã só porque ele morreu, assumo que parei de acompanhar a banda quando a formação mudou. Mesmo as letras tendo, inclusive, melhorado e a outra banda sendo tão competente quanto a original, pra mim nunca foi a mesma coisa.

E o Chorão sempre me pareceu um cara que beirava a hipocrisia entre o que falava e o que vivia. Mas não de ato pensado; só quem vive/conhece esse meio podre musical – ainda mais de ter a cara e coragem de fazer rock no Brasil – é que sabe como Nadar (e Lidar) Com os Tubarões. e as histórias de bastidores são realmente de um cara tão humilde que praticamente se obrigou a se tornar Magnata ao perceber o número de inimigos que apareceram pelo simples fato de ele ter conquistado o que conquistou.

Sinceramente, esse sempre foi EXATAMENTE o fim que eu previa para o Axl Rose. Acabou acontecendo com o que há de mais próximo ao Axl brasileiro.

Algumas coisas não podem ser ignoradas jamais. Uma é a entrega e o amor à música. Outra é o fato de ter sido um dos últimos a apresentar personalidade ao rock brasileiro – coloco a Pitty nessa lista dos últimos roqueiros brasileiros de fato. Ainda outra é o não poder ignorar o tamanho e a força da suas palavras e letras, sendo elas vividas por ele ou não.

A maior de todas, na minha opinião, é a prova de que Chorão era um rockstar, e conquistou esse posto, que hoje é demonstrado pelas várias vozes e posts nas mídias sociais (ainda que alguns peguem embalo e virem fãs instantâneos, não se pode negar a repercussão e a grande maioria ter realmente se deixado levar por pelo menos uma de suas canções) por fazer música de gente grande, e encarar as barreiras – de forma certa ou errada – da mesma forma.

Quanto a ele ser sobrinho da Sônia Abrão, por mais que isso tenha influenciado-o a ter mais “sorte” em ser famoso, ainda o admiro muito mais por ter mantido a atitude e a personalidade, principalmente hoje, em tempos em que bandas semi-covers são confirmadas em eventos gigantescos às custas de eventos de cotas de ingressos, aparições como pseudo-personalidade e shows que só são salvos quando tocam músicas que não são suas, e “novos roqueiros” têm a moral de elevá-los a patamar de salvação do rock.

Obrigado, Chorão. E digo obrigado só por mim, e não por ninguém, porque eu fui um moleque de 13 anos assistindo um show seu, com seu filho em cima do palco, fazendo roquenrou com alma e com o que mais falta hoje em dia, na música e no cotidiano: personalidade.

Charlie Brown Jr – “Meu Novo Mundo” (single atual – lançamento):

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