Entrevista exclusiva: Fê Lemos, do Capital Inicial, fala sobre seus projetos e a banda

março 1st, 20130 Comments »Última Atualização: março 2, 2013

É certo que Fê Lemos, baterista do Capital Inicial, dispensa maiores apresentações. Aos 50 anos de idade, esbanja energia e competência que só quem carrega a bagagem de ser um dos criadores do Rock Brasília, juntamente com Renato Russo, André Pretorius e Flávio Lemos, pode ter.

Depois de se aventurar no mundo da música eletrônica e lançar em 2006 seu primeiro álbum solo Hotel Básico, Fê se divide entre a turnê “Saturno”, do Capital Inicial, e as sessões de lançamentos de seu primeiro livro de crônicas “Levadas e Quebradas”, que o próprio descreve como: “histórias e ‘causos’ dos últimos seis anos da minha vida na estrada com o Capital Inicial! Além de memórias, histórias do Aborto Elétrico e do meu projeto solo Hotel Básico”.

“Levadas e Quebradas” relata de forma inteligente, divertida e filosófica, lembranças de shows, viagens, encontros com fãs, curiosidades e outros tantos assuntos, com um olhar único de quem tem muita história pra contar.

Em um desses encontros fora dos palcos, Fê Lemos conversou com o Reduto do Rock. O bate-papo aconteceu na Livraria da Vila e no The Pub Augusta, onde o músico falou sobre os seus projetos, o Capital Inicial e mais.

Reduto do Rock – Sabemos que o livro surgiu em função do blog, que teve início por conta de seu projeto solo Hotel Básico. Mas como letrista do Capital Inicial desde a década de 1980, por que começar esse diário de bordo, lembranças e histórias, somente nos últimos anos?

Fê Lemos - Porque o blog surgiu da vontade de tornar meu projeto Hotel Básico conhecido pelos fãs do Capital Inicial. Achei que eles se interessariam por um blog sobre a estrada, e indiretamente tomariam contato com o Hotel Básico. Mas, porque não escrevi antes? Não sei. Escrever não é fácil. Escrever bem então… Se dedicar à escrita toma uma grande parte do tempo de qualquer um. Escrever é como malhar, ou estudar um instrumento. Tem que ser feito sempre, todo dia, muitas horas por dia. Eu simplesmente não tinha a rotina, estava escrevendo muito pouco. Talvez o fato de eu não estar escrevendo mais letras para o CI tenha me deixado preguiçoso. Porque não é questão de inspiração. A inspiração vem com a transpiração. Só escrevendo é que o texto bom, as ideias novas, aparecem. Agora, quisera eu ter escrito as histórias dos anos 80 e 90…

RR – O livro expõe sua vivência como parte importante do cenário musical nacional. Quando garoto, que imagem você tinha sobre esse cenário? O que você acha que os jovens de hoje pensam sobre a vida de músico? Essas noções mudaram?

FL - Eu adorava rock, mas não pensava sobre como era a vida dos músicos e artistas, nem tinha fantasias a respeito. Simplesmente gostava das músicas e das histórias das bandas e artistas. Por exemplo, quando li sobre a Janis Joplin na revista “Rock – A História e a Glória”, me apaixonei perdidamente por ela. Adorava as histórias do The Who, os meninos feios e mal-amados quebrando instrumentos. Mas eu não fantasiava que um dia seria um roqueiro famoso, ou algo assim. Comecei a pensar seriamente em gravar um disco apenas depois que formei o Capital Inicial, e vi a cena do rock brasileiro dos anos 80 dar os primeiros passos. Na época do Aborto Elétrico minha maior preocupação era onde seria o próximo show, em qual calçada, em qual boteco. Eu não sei o que a garotada pensa sobre a vida de músico. Talvez alguns queiram ser celebridades ao invés de músicos, e ainda não perceberam. São duas coisas muito distintas. Talvez achem que estão vivendo na época errada, que naquela época era mais fácil… Nada foi fácil. Mas sim, nós tínhamos uma novidade, falávamos (e tocávamos) de coisas de um modo original. Nossa poesia era urbana e tosca, porém autêntica. Hoje parece que tudo já foi feito. Mas não, o rock se reinventa sempre. Cabe às novas gerações inventarem a reinvenção do reinventado!

RR – Nos shows a reação dos fãs é imediata, no blog quase que instantânea. Que reação você espera receber dos leitores sobre o “Levadas e Quebradas”?

FL – Acredito que será algo muito mais vagaroso. Um livro é outro universo, tem outras regras. Ele pode ser lido e causar repercussão muitos anos após ter sido escrito. Acho que poucos fãs descobrirão o livro num primeiro momento. Acredito no boca-a-boca, acredito que com o passar do tempo o retrato da época que eu mostrei no livro se tornará cada vez mais interessante, para cada vez mais pessoas.

RR - Se o “Levadas e Quebradas” é uma memória de Fê Lemos nestes anos de estrada, pode ser também considerado uma comemoração dos 30 anos do Capital Inicial, já que, diferente das outras bandas desta mesma época, o Capital optou por não fazer uma turnê comemorativa?

FL – Não, o livro não tem nada a ver com os 30 anos do CI. Foi uma coincidência ele ter sido lançado na mesma época. É importante lembrar que o “Levadas e Quebradas” não é uma ‘Memórias do Capital Inicial’, nem uma ‘Memórias de Fê Lemos’. É um livro de crônicas sobre nossa vida na estrada, num período relativamente curto de tempo, cinco anos, de 2006 a 2011. E também sobre os primeiros passos do meu projeto solo, o Hotel Básico.

RR – Já que encontramos você durante uma de suas apresentações no The Pub Augusta, vale perguntar, o DJ Fê lemos está de volta? Os fãs podem aguardar novidades?

FL – Sim, voltei a tocar neste início de 2013. Pretendo tocar muito neste ano e nos próximos, e me aprimorar como DJ.

Informações

Fê Lemos estará dia no 12 de março, às 19h30, na Livraria Cultura Bourbon Shopping (São Paulo), para bate-papo e autógrafos.

Levadas e Quebradas

Fê Lemos
Prefácio de Jamari França
Pedra na Mão, 2012
Brasilia, DF
339 páginas

Em todas as livrarias do Brasil!

Vídeo de lançamento:

Por: Malú Botelho (Colaboradora Reduto do Rock)
Edição: Álvara Bianca e Diego Centurione
Foto: Diana Lemos 

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