“O nosso work é playá”: artistas brasileiros que cantam em inglês

fevereiro 13th, 20131 Comment »Última Atualização: fevereiro 14, 2013

Colunista: Rubens Loureiro, da banda Reversi (reversi.com.br)
Edição: Diego Centurione

O Rock não nasceu no Brasil. Não há, nessa frase, nenhuma intenção em virar as costas para todo o legado musical que nosso país criou – e inclusive exportou – para se tornar referência lá fora como um dos lugares mais cheios de criatividade do planeta. O que há naquela primeira frase é um fato histórico, uma constatação cultural de origem e, principalmente, uma resposta bem clara a todo aquele que vive se perguntando porque o rock não é tão popular no Brasil como deveria, mesmo com tantas bandas espalhadas por seu território tão grande quanto a própria qualidade das mesmas.

E não, não estou falando aqui de mídia aberta, nem do que não está “nos eixos”, nem dos que sábia ou levianamente mesclam os dois impondo-se como o que há de melhor e mais artístico dentro da música. Estou falando das bandas que lutam diariamente e investem o que podem e o que não podem para tentar um espaço e serem ouvidas. Mas, por incrível que pareça, essa também é uma briga nada popular, fazendo com que qualquer banda – independente da forma com a qual se expressa – fale sozinha, como se falasse um idioma que ninguém compreende, mesmo em português alto e claro.

Isso significa, caros leitores músicos – sim, esse texto é para todos, mas principalmente para vocês –, que de gente “ditando” o que pode ou o que não pode, o que é bom ou não é, e o que é “ameaçador” demais ou não é para as hierarquias do rock brasileiro, o inferno, os céus, e muitos outros lugares, estão cheios. E isso não é nenhuma novidade.

Portanto, quando alguém vier dizer como você deve ou não se expressar, qual o idioma oficial do rock aqui ou acolá, lembre-se de fatos, iguais àquele da primeira frase do texto. Lembre-se do Sepultura, do Angra, do Dr. Sin (na foto), que sempre levaram a bandeira do Brasil lá pra fora, cantando em inglês. Lembre-se de Chico Science, do Skank e até de Engenheiros do Hawaii, que fizeram turnês lá fora e levam a musicalidade do português. Lembrem-se do Cansei de Ser Sexy, que era alvejada por latinhas de cerveja e garrafas d’água no palco do Kazebre abrindo show dos Los Hermanos e, quando passou a compor em inglês e estourou lá fora, passou a ser cultuada por aqui – talvez pelo mesmo público, aliás. Vale lembrar também do Scorpions (alemães), Pain of Salvation (suecos), e de outras bandas e artistas que não tinham o inglês como sua língua-mater e, ainda assim, fizeram história no rock e em suas respectivas variantes.

Em suma, o que faço aqui é, exatamente, não defender com unhas e dentes nem a ideia de bandas nacionais escreverem suas músicas em português nem em inglês, nem em qualquer outro idioma. O que faço aqui é um apelo àqueles músicos que fazem música com a alma e com o recorte de visão de mundo que mais lhes seja natural e honesto: não mudem sua forma de ver o mundo para agradar ninguém. A arte sempre foi uma quebra de paradigmas, de modelos, de idéias comuns e, principalmente, ditadas. O rock, em qualquer lugar que seja, em qualquer idioma – e por vezes mesmo instrumental – sempre foi feito para quebrar regras e normas. Fazer o contrário é fazer arte ao contrário.

Abaixo à criação de uma Novilíngua musical em território nacional. Que o rock brasileiro continue retratando a pluralidade cultural marcante do Brasil, sem precisar escolher idioma ou ter a necessidade de misturar forçadamente elementos clichê da nossa cultura. Vivemos em um mundo globalizado e sem fronteiras, em todos os aspectos, e não há meio de difusão melhor que a arte e a música.

Já dizia o poeta roqueiro bilíngue: “o nosso work é playá” (Mamonas Assassinas – “1406″).

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Comentários

1 Comment

  1. Caneschi disse:

    Realmente, bandas brasileiras representam MUITO! Mesmo em inglês! Temos como exemplo Bullet Bane, banda hc que nem parece ter sotaque brasileiro de tão bem que cantam!


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