Shadowside fala ao Reduto sobre turnê que fará com Helloween e Gamma Ray, na Europa

janeiro 4th, 20131 Comment »Última Atualização: janeiro 5, 2013

Há mais de 10 anos na ativa, a banda brasileira Shadowside encontra-se em um momento de grande consolidação em sua carreira. Tendo acabado de receber o 11th Annual Independent Music Awards, o quarteto se prepara para pegar a estrada ao lado de, nada menos que, Helloween e Gamma Ray, em uma turnê pela Europa. De fevereiro a abril, Dani Noelden (vocal), Fabio Buitvidas (bateria), Raphael Matos (guitarra), e o novato do grupo Fabio Carito (baixo), farão 37 apresentações de abertura para os alemães.

Quem nos conta sobre a expectativa para a turnê e o atual momento do “Brazilian Metal Hurricane” (Furacão Brasileiro do Metal), como a banda é conhecida, é a Dani Nolden e o Fabio Buitvidas.

Reduto do Rock – Como surgiu a oportunidade de fazer a tour com o Helloween e Gamma Ray?

Dani Nolden - Nós temos um relacionamento muito legal com o pessoal do Helloween, já há algum tempo. Eu e Michael (Weikath, guitarrista do Helloween) somos amigos há mais de 10 anos, ele testemunhou não só o começo da Shadowside, mas também o meu início como cantora. Ele sempre foi como um mentor para mim, sempre me deu muitos conselhos e muitos acertos que tivemos com a banda foram graças a isso. Essa amizade abriu as portas para a turnê que fizemos abrindo para o Helloween aqui no Brasil, em 2006, quando todos nós conhecemos os outros integrantes e a equipe também. Mantivemos esse contato e, desde então, conversávamos sobre a possibilidade de repetir a experiência na Europa. Eles não escolhem as bandas convidadas pessoalmente e a decisão final é do manager deles, portanto aguardávamos que ele considerasse que estávamos prontos para acompanhá-los em turnê, o que aconteceu agora. Nós já planejávamos fazer uma turnê europeia em 2013, de qualquer forma, então quando recebemos o convite oficial, aceitamos com o maior prazer do mundo e tudo se encaixou perfeitamente!

RR – Recentemente, vocês receberam o 11th Annual Independent Music Awards, na categoria álbum de metal/hardcore. O que o prêmio representa para a banda?

DN – Representa apenas mais um passo na nossa carreira, na verdade. Nós não esperávamos sequer ser indicados ao prêmio, quanto mais vencer… E foi ainda mais especial termos vencido por voto popular e não pelo voto dos jurados, porque isso nos mostrou a opinião do público e que realmente estamos crescendo no mundo inteiro. Eu acredito que a escolha dos fãs mostra que estamos no caminho certo, especialmente com o nosso álbum mais recente, Inner Monster Out. Fizemos um trabalho espontâneo, pesado, exatamente do jeito que queríamos, pois pensamos que os fãs seguiriam naturalmente se fizéssemos um trabalho com gosto e não apenas por obrigação. Não tentamos adivinhar o que os fãs queriam e fazer algo mecânico para vender, apenas nos entregamos de coração no álbum e o resultado disso está sendo incrível, tanto com os prêmios que recebemos com o trabalho quanto com os números de vendas e de execuções em rádio. Ficamos entre as bandas mais vendidas no Japão, de acordo com a revista BURRN!, maior publicação do gênero de lá, lida por mais de um milhão de pessoas, e por seis semanas entre as 15 bandas de rock e metal mais tocadas nos Estados Unidos, ficando entre as 10 mais tocadas por duas semanas. Isso para nós significa que os fãs estão dizendo que estão se divertindo com a nossa música tanto quanto nós mesmos!

RR – Em 2010 vocês se apresentaram em diversos países, na turnê ao lado da banda W.A.S.P. Na época, o público de fora já conhecia a banda? Como foi a experiência?

Fabio Buitvidas - Em cada lugar que íamos havia alguém que já conhecia a banda. Na Suiça, por exemplo, haviam fãs que estavam lá apenas para nos ver e é curioso, porque eles iam embora logo após nosso show. Mas, certamente, grande parte do público não havia ainda tido contato com nossa música, e foi muito proveitoso poder mostrar nosso trabalho a novas pessoas e assim conquistar novos fãs. E isso nós notamos agora com esta tour com o Helloween, pelas mensagens que recebemos de fãs que nos conheceram com o W.A.S.P. e agora retornarão para nos ver com estas duas grandes bandas.

DN – Nós não sabíamos o que esperar quando começamos esta turnê, pois era nossa primeira passagem longa pela Europa. Havíamos tocado na Espanha, Romênia e Bósnia-Herzegovina, portanto não tínhamos ideia se alguém nos conhecia fora desses lugares. Eu fiquei bastante surpresa com estas pessoas que apareciam nos shows cantando as músicas. Tivemos experiências incríveis, tanto durante os shows quanto fora dos palcos também. É muito interessante passar por países com culturas completamente diferentes da nossa, até mesmo o comportamento dos fãs é outro, especialmente na Finlândia, onde eles são bastante reservados. Aqui, o comum é que os fãs venham conversar conosco, mas lá eles não se aproximam de você a menos que sejam convidados. Estávamos no nosso stand de merchandising em Helsinki e observamos que várias pessoas olhavam de longe para nós e ninguém chegava perto para comprar nosso material. Começamos a ficar preocupados, achando que o público havia achado o show um lixo (risos). Porém, uma amiga nossa, que é brasileira filha de finlandeses e mora lá, nos avisou que eles estavam esperando que falássemos um oi, pois eles queriam falar conosco. Quando acenei e disse olá, eles se aproximaram e compraram os CDs, camisetas, tiraram uma foto. A impressão que tive é que eles achavam que estariam incomodando se não fossem convidados. São mundos completamente diferentes e você convive com uma realidade nova diariamente, pois dorme em um país e acorda em outro. Parecia um show contínuo, porém em cenários diferentes e todos foram excelentes.

RR – Como surgiu o apelido “Brazilian Metal Hurricane”?

DN – Eu lembro de ter escutado isso pela primeira vez na Flórida, onde tocamos em Dezembro de 2007. Estávamos sendo promovidos dessa forma tanto pelos fãs quanto pelos organizadores de shows, eles diziam que tínhamos uma performance de palco muita intensa, por isso o apelido, e a coisa acabou pegando. Adotamos como agradecimento pelo carinho do público norte-americano, que nos recebeu tão bem desde a nossa primeira turnê por lá.

RR – A maioria das bandas de metal preferem cantar em inglês, pois acham que a língua combina melhor com a sonoridade. Vocês já pensaram em arriscar algo em português?

FB – Quando tive minha primeira banda, nos idos de 1986, cantávamos em português, porém logo passamos para o idioma bretão. Há dois pontos, o inglês tem uma sonoridade perfeita para este tipo de música e, cantando em outra língua, você dificilmente consegue projeção internacional. É muito difícil escrever em português, além da língua ser dificílima, é difícil casar as frases com as melodias, ao menos neste estilo de música, mas eu gostaria muito de escrever algo em português. Neste novo álbum chegamos perto, mas pegando uma música emprestada de outro compositor, “Inútil” do Ultraje a Rigor. Para mim, a letra perfeita do rock nacional, sempre estará atual. Pegamos a música e a transformamos em um Heavy Metal e ainda tivemos a aprovação do Roger, que inclusive dividiu vocais conosco na gravação.

RR – Na opinião de vocês, como anda a cena do metal no Brasil? Tem bandas boas? Todos tem o seu espaço?

FB – A cena no Brasil sempre foi excelente; há a dificuldade por aqui não ser um mercado consolidado com o europeu e estarmos longe de lá, o que inviabiliza a ambição da maioria das bandas. Desde o inicio dos anos 80, com bandas como Viper, Vodu, Performances, Harppia, entre tantas outras, até hoje, que temos bandas de grande destaque no exterior, como o Torture Squad, Krisiun, Hibria. São tantas as bandas, que é difícil conhecer todas, ao menos para mim, que estou sempre na estrada. Mas sabemos que a cena é tão boa quanto sempre o foi, a diferença é que mais e mais bandas estão aprendendo como é trabalhar no exterior.

RR – Qual é a expectativa para a turnê?

FB – Toda tour é o clímax da realização do trabalho, tudo o que você faz é com este objetivo. Isso, por si só, gera uma grande expectativa porque é quando você vai colocar à prova sua condição. Já temos uma certa experiência com tours deste tipo, então já sabemos o que esperar, o que gera uma expectativa ainda maior. Só podemos agradecer a oportunidade de estar ao lado de duas bandas lendárias.

DN – Estamos muito animados! Esta turnê será ainda mais longa do que todas as que já fizemos até agora, o que é perfeito para mim. Adoro a vida na estrada e tudo fica muito melhor quando a turnê é com bandas que você já conhece e tem um bom relacionamento. Estamos muito honrados, sem dúvida alguma. O convite foi algo inesperado e foi recebido com muita gratidão. Estamos nos preparando para fazer os melhores shows possíveis, tanto para corresponder a expectativa dos dois grupos, que obviamente esperam uma banda que deixe o público em alta, quanto para agradar os fãs que já nos conhecem e os que vão nos ver pela primeira vez. Tenho certeza de que voltaremos com muitas histórias!

Por Lisiane de Assis e Diego Centurione

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