Em entrevista ao Reduto, Guto Goffi fala sobre trabalho solo e reencontro do Barão Vermelho

outubro 18th, 20120 Comments »Última Atualização: março 2, 2013

Após seis anos de dedicação, o eterno baterista do Barão Vermelho, Guto Goffi, lança seu primeiro CD solo. Contrariando o que se espera de um trabalho próprio de quem normalmente comanda as baquetas, Alimentar é uma mistura de diversos sabores. Diferentes influências, que vão do samba ao tango, compõem o cardápio, que traz uma série de parcerias e destaca o lado compositor do músico.

Em entrevista, Guto compartilhou com o Reduto a satisfação que está experimentando com este trabalho e mais uma alegria: o reencontro em comemoração aos 30 anos de Barão.

Confira a conversa:

Reduto do Rock – Por que Alimentar?

Guto Goffi - Faço um tipo de arte musical de interação, absorvendo ambientes e pessoas que alimentem meu pensamento. Queria muito um título com a letra “A”, para marcar um início de uma coisa que já enxergo que será longa. Tenho facilidade para compor e quero dar seguimento a um resultado que me agradou. Gosto do conceito de alimentar o “corpo” (CD físico com 10 faixas) e a “alma” (músicas em “streaming” no site, com 22 faixas).

RR – Por que os fãs demoraram tanto para ouvir um trabalho solo seu?

GG - Eu quis realmente me dar tempo para começar e terminar esse projeto solo. Gravei 22 composições, na verdade – no CD são apenas 10 faixas. Tive a preocupação de não querer um CD longo e “boring”. Meu primeiro trabalho individual é como se fosse um LP duplo, tive cuidado com a arte do site e da capa. Isso tudo dá trabalho mesmo, até chegar o momento em que você se livra daquela coisa que gerou.

RR – Como surgiram as parcerias tanto para as composições quanto para as participações no CD?

GG - Esses caras do Barão são meus parceiros de vida. A parceria com meu amigo João de Aquino é um luxo musical que eu preciso ter, sempre fui elegante e sei escolher o melhor, que é violão do João. A galera dos Detonautas eu me aproximei através do Rodrigo Netto, ficamos amigos e fizemos três músicas antes dele ser assassinado no Rio. Me deixa muita saudade e sei que fizemos coisas bem bonitas, além das três canções que tivemos tempo pra fazer. Os Britos são uma farra gostosa, rock n’ roll e diversão. E o meu parceiro mais recente, Claudio Gurgel, com quem tenho duas parcerias no trabalho, foi também co-produtor do CD. Ele e o Luciano Lopes têm uma parceria comigo em uma das músicas que estão disponibilizadas em “streaming” no site (www.gutogoffi.com). E por último a Maria Hernandez, que foi a primeira pessoa a me incentivar a escrever, compor e externar meus sentimentos.

RR – Como foi a elaboração do álbum? Por que teve um processo tão longo?

GG - Eu já tinha esse armazenamento de músicas inéditas, faltava começar a gravá-las. Fiz a primeira base desse trabalho em 2005, depois trabalhamos um ano direto em cima das músicas. Então, parei por um ano para fazer um trabalho para o MEC, FNDE, através da PUC, lá conheci a galera que me ajudou mais tarde no site e na capa do CD. Depois, retornei ao CD já determinado a cantar as músicas, coisa que não tinha pensado em fazer quando comecei a gravar. A minha voz foi outro processo lento e gradual, precisei do auxílio de uma fonoaudióloga, Maria Luiza, e da professora de canto Sueli Mesquita, que me acompanhou em estúdio para a gravação das vozes. Recomendo o trabalho delas, cantar é difícil e sem a orientação que me deram não conseguíamos o resultado que tivemos. Sempre toquei bateria, tenho uma boa divisão rítmica para cantar, mas a afinação é outra coisa, me prejudiquei por não ter tocado a mais tempo instrumentos de harmonia e treinar solfejo.

RR – O que mais surpreende em Alimentar é a mistura de ritmos, por você vir de uma vertente do puro rock nacional. De onde vêm essas diferentes influências?

GG – Olha, eu realmente sou uma pessoa bastante diversa e que começou ouvindo Bob Dylan aos 10 anos, aos 13 anos, comprei Martinho da Vila e adorava Elton John por causa de Rock n’ Roll Lullaby. Depois veio o roquenrou brasileiro, Pepeu Gomes, A Cor do Som, Banda Black Rio, Moraes Moreira, Alceu Valença. Esses caras são anárquicos musicalmente e fizeram da mistura seu prato. E ainda tem a Maracatu Brasil, que fundei em 2000 e que me fez olhar além do meu umbigo de roqueiro.

RR – Como está sendo a recepção do álbum por parte dos fãs?

GG - Acho que algumas pessoas não esperam que um baterista faça um álbum original variado, de compositor e bem cuidado. Em CD de batera, geralmente o cara já começa entortando tudo e disparando notas a esmo. O meu começa de vassourinha bem baixinho, com uma canção romântica. Eu amo bateria, mas quis dar ênfase ao meu lado de criação e concepção, dos arranjos e dos instrumentos gravados em cada faixa. Fiz essa limpeza na última hora, gravamos muita coisa que não foi utilizada na mixagem final.

RR – O público poderá conferir Alimentar ao vivo?

GG - Vamos fazer o lançamento do CD dia 26 de novembro, no Casarão Ameno Resedá, no Catete, Rio de Janeiro. Fico torcendo para ser contemplado em um desses editais para colocar meu bloquinho na rua, viajar e fazer shows pelo Brasil, mas não é fácil sem apoio.

RR – Com o retorno do Barão em comemoração aos 30 anos, surgiu a vontade de retornar de vez com a banda?

GG - O Barão é uma delícia que todos nós queremos preservar para sempre, não tem jeito, aquela galera se ama. A união da formação atual com a formação original está sendo muito legal, todos juntos no mesmo projeto, uns mixando, outros ensaiando. Temos uma fã page oficial no FB (Facebook). O Barão vai crescer absurdamente diante dos olhos dos nossos fãs novamente.

RR – Qual é a expectativa para a turnê?

GG – Estamos muito felizes com tudo, convivência, carinho mútuo, por estarmos tocando juntos e todos com saúde para o rock n’ roll, que amamos e fazemos bem pra caralho, ensaiando por horas e vendo aquilo florescer de forma intensa, magnética e por que não dizer mágica.

Por Lisiane de Assis e Diego Centurione

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