Kim Dotcom declara guerra a indústria musical com novo projeto

agosto 15th, 20120 Comments »Última Atualização: agosto 15, 2012

Talvez pelo nome você não o reconheça. Porém, basta refrescarmos sua memória com o nome Megaupload  que tudo fica mais claro. Sim, é ele, Kim Dotcom. O mesmo que foi preso na Nova Zelândia, no início do ano, como parte da operação mundial contra a ‘pirataria’ liderada pelos Estados Unidos e que levou, posteriormente, à morte de muitas das raridades que costumávamos encontrar na internet.

Pois bem, Dotcom está livre e desimpedido e, não desistiu de acabar com a indústria musical. Seu novo projeto pode parecer mais comportado, mais político, porém traz um veneno contra as gravadoras que pode indicar grandes mudanças no futuro da música em todo o mundo.

É simples. Dotcom quer lançar, até o final do ano, o Megabox, que seria uma plataforma ao estilo Megaupload, com a diferença de que o site quer vender álbuns e faixas diretamente dos artistas para o público, tornando o trabalho dos selos de mercado praticamente inúteis.

Segundo Kim Dotcom, os artistas receberão 90% do preço dos arquivos vendidos e serão remunerados mesmo nos casos em que os internautas baixarem as músicas gratuitamente.

O empresário ainda justifica a ideia do programa dizendo que “o modelo de negócios já foi testado com milhões de usuários e funciona”.

Agora, pare e imagine a proporção que, em caso de sucesso total, esta ideia pode ter. Gravadoras e produtores vem dominando o mercado da música nos últimos 20 anos pelo menos, e isso não influência apenas na venda e no preço dos álbuns, mas sim na própria música em si. Produtores em todo o mundo incentivam jovens músicos a compor e agir de forma superficial e comercial, o que leva a produção de músicas sem conteúdo, paixão ou qualquer sentimento que seja, e diminui consideravelmente a qualidade musical dessas bandas, uma vez que o trabalho feito não está sendo totalmente sincero.

Em um momento de utopia, caso a ideia se torna uma realidade e realmente pegue, esses músicos estariam livres para vender suas ideias, seja lá quais forem elas, em um contato muito mais próximo e pessoal com o cliente/ouvinte/fã.  Serviria para bandas já famosas por seu estilo pop experimentarem um pouco mais e mostrarem vertentes de seus trabalhos que não conhecemos; tal como serviria para jovens bandas arriscarem mais e mais diante do público e disponibilizarem tudo na internet. Além de acabar com os impostos cobrados pelos selos nos CDs das prateleiras das lojas de músicas e tornar mais fácil o acesso a novos álbuns, sem ter que se preocupar com falta de produto no estoque e tudo mais.

Via de duas mãos, pois isso implicaria em uma bela cavada na já quase pronta cova do CD, do trabalho físico e de tanto valor. Coisas da tecnologia; cabe a cada um tirar suas conclusões.

Por: João Victor Vieira (Colaborador Reduto do Rock)
Edição: Diego Centurione
Fonte: Terra
Foto de Kim Dotcom: AFP

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