Principais atrações do Lolla, Foo Fighters e Arctic Monkeys, mostram que o rock está vivo

abril 10th, 20120 Comments »Última Atualização: abril 12, 2012

Em sua primeira edição brasileira, o Lollapalooza mostrou ao público paulista duas grandes provas de que o rock está vivo, em direções opostas. No primeiro dia, o Foo Fighters, do lendário Dave Grohl, superou todas as expectativas e trouxe um show emocionante, animado e histórico. Mais de 75 mil fãs alucinados realizaram um sonho que já durava, pelo menos, 11 anos. Pela entrega, parecia que a banda estava tão empolgada quanto o público, em tocar no Jockey Club (São Paulo).

Foram mais de 2h30 de show, com um setlist quase perfeito, agradando qualquer geração de fãs do grupo. Com homenagens e muito carisma, o Foo Fighters fez acreditar que o rock existe e que Dave Grohl é uma estrela diferenciada. Mesmo debilitado, o ex-baterista do Nirvana, mais uma vez, brilhou; conseguiu segurar a atenção da plateia, até mesmo quando pulou para trás da bateria (saiba mais sobre o show aqui). Se não fosse por Roger Waters, o público paulista estaria vendo o melhor show do ano.

Já no segundo dia, o Arctic Monkeys subiu no palco com uma postura um pouco mais blasé e intimista; mesmo com um show extremamente curto, de apenas 1h15 (veja setlist), os ingleses agradaram e se mostraram uma banda mais madura, com um som muito mais poderoso e uma presença impecável. Gostando do som ou não, Alex Turner atrai os olhos do público; o vocalista conseguiu segurar 60 mil brasileiros suados, cansados e molhados durante todo o show que, apesar de minúsculo, atingiu o propósito: agradar a quem esperou cinco anos para vê-los novamente.

Definitivamente, não se pode comparar o Foo Fighters ao Arctic Monkeys, chega a ser até apelativo, injusto. Afinal, não é qualquer banda que tem um líder com uma história de superação tão surpreendente como a de Dave Grohl; ver Dave ao vivo é impressionante, parece, até mesmo, que cada segundo de suas apresentações são mais uma página virada e vencida de sua dramática estrada. Grohl era baterista do Nirvana, a maior sensação dos anos 1990, se viu sem chão quando o vocalista e estrela do grupo, Kurt Cobain, simplesmente enfiou uma arma na boca e disparou contra seu próprio cérebro. Mesmo assim, o atual guitarrista se reergueu, fez um álbum sozinho, montou uma banda e conseguiu a admiração dos mais variados artistas; de Joan Jett à Paul McCartney.

O Foo Fighters é uma exceção nos dias de hoje, é banda para lotar todo e qualquer estádio em que passa, nos quatro cantos do mundo, e fazer um show que empolga até mesmo o mais saudosista e chato dos roqueiros.

Já o grupo de Alex Turner está em formação, com apenas seis anos de história pública, quatro álbuns lançados e um som desafiador. É uma banda, ainda, sem poder para ser destaque em um grande festival, porém, tem um enorme potencial para crescer no futuro.

É preciso que se diga, também, que o rock está sim vivo. O Lollapalooza, festival sempre alternativo, com atrações que fogem daquilo que um bom roqueiro espera, saiu de suas características e, ao menos nas atrações principais, surpreendeu. Mostrou que o bom roqueiro ainda tem aonde ir e com o que se empolgar, mostrou que o rock está a salvo por pelo menos mais algumas décadas e, acima de tudo, mostrou que, tanto o Foo Fighters quanto o Arctic Monkeys, em vertentes opostas, fogem da mesmice atual, agregando qualidade ao conteúdo, nos tornando, em vários sentidos, mais inteligentes.

Por: João Victor Vieira (Colaborador Reduto do Rock)
Edição: Diego Centurione

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