Nesta sexta (23), estreia nos cinemas o documentário “Raul – O Início, o Fim e o Meio”, do diretor Walter Carvalho (veja onde assistir aqui). O filme reúne imagens raras de arquivo, encontros com familiares, conversas com artistas, produtores e amigos. O Reduto do Rock esteve presente na pré-estreia, na última segunda (19), onde o diretor (o mesmo de “Cazuza – O Tempo Não Para”) deu detalhes sobre o processo de produção.
Ao todo foram entrevistadas 94 pessoas que resultaram em 200 horas de material e mais 200 horas de arquivos. Tudo isso para dar origem a um grande filme onde é possível conhecer ou mesmo redescobrir vários pontos da trajetória do Maluco Beleza.
No longa, uma cena interessante é durante a entrevista de Paulo Coelho, quando uma mosca pousa em seu rosto. O escritor, a principio, evita matar o inseto e depois diz: “é Raul”.
Há depoimentos, ainda, de Roberto Menescal, Pedro Bial, Caetano Veloso, Marcelo Nova, Sylvio Passos, líder do fã clube oficial, e até mesmo de um dentista de Raul. “As pequenas coisas é que transformam o filme”, ressalta Carvalho.
No quesito amoroso, há entrevistas com as quatro companheiras de Raul, menos Edith, sua primeira esposa e grande amor, que preferiu mandar uma carta para a filha ler.
Quando o diretor foi questionado, no bate papo com a plateia, sobre a escolha das cenas que fariam parte do filme ele respondeu: “Eu não tiro um frame desse filme. Faria tudo igual”. Uma falta sentida por Carvalho foi não ter entrevistado a mãe de Raul, dona Maria Eugênia, e o delegado que o prendeu, todos já falecidos.
Para organizar o trabalho de pesquisa, o diretor comenta que montou uma genealogia da trajetória. Onde ao centro de uma cartolina colou uma foto de Raul e traçou duas linhas que se cruzam, no formato de cruz, com os dados da vida pública e privada, que passam desde o nascimento até a morte. “Fiz uma colcha de retalho para construir Raul. Dividi as pessoas em bloco, e tirei desse bloco a essência”, revelou.
O documentário resultou em quase duas horas de um conteúdo intenso, povoado de cenas do universo sexo, drogas e rock n’ roll do compositor de “Metamorfose Ambulante”, “Sociedade Alternativa” e “Mosca na Sopa”. Há, inclusive, cenas do último show realizado pelo músico no dia 13 de agosto de 1989, em Brasília. “Raul não acabou, continua, é uma metáfora. O Raul está aí”, concluiu Carvalho.
Por: Álvara Bianca (Colaboradora Reduto do Rock)
Edição: Diego Centurione
Nenhum comentário