Leia trecho da entrevista onde Dave Grohl revela que tem um cisto na garganta

março 9th, 20120 Comments »Última Atualização: março 9, 2012

Prestes a retornar ao país, o vocalista do Foo Fighters, Dave Grohl, falou com à Rolling Stone Brasil e revelou o motivo pelo qual a banda cancelou, recentemente, shows em Cingapura e no Japão. “Tenho um cisto na minha garganta. Só que eu vinha evitando mexer nele”, contou.

Na entrevista, ele também relembrou a mítica passagem do Nirvana pelo Brasil, em 1993, divagou sobre seu futuro na música e constatou, em meio à avalanche de elogios e parcerias (incluindo uma com Paul McCartney no palco do Grammy 2012) após o sucesso de Wasting Light: “Se tudo acabasse hoje, eu seria o cara mais feliz do mundo”.

Leia abaixo um trecho do bate-papo. A íntegra você encontra na edição de março da revista, que estará nas bancas a partir de segunda-feira (12).

Vocês divulgaram que cancelaram parte dos shows na Ásia por causa da sua voz. Qual é o problema? Como está se sentindo? 

Eu estou bem. É algo que existe faz um bom tempo. Eu tenho um cisto na minha garganta já há anos. Só que eu vinha evitando mexer nele. Quando voltei pra casa da última viagem, aquilo acabou se transformando em algo que me obrigou a procurar um médico pra valer. Fui lá e tive de fazer uma ressonância magnética, passei por diversos médicos, só para ter certeza de que não era algo realmente perigoso.

Sabe, eu já estou viajando há muito tempo, berrando até a minha cabeça estourar pelos últimos 18 anos [risos]. A coisa mais importante para mim… quero dizer, honestamente, a coisa mais importante da minha vida é a felicidade, família e amigos. A segunda coisa mais importante para mim é a música. Então, ter certeza de que minha garganta irá funcionar pelo resto da vida é o mais importante neste momento. Eu só precisava mesmo me consultar com uns médicos, cuidar disso e ficar pronto para voar para aí e encontrar vocês.

Esse acontecimento fechou um mês bem movimentado para você. Teve a cerimônia do Grammy, os prêmios que o Foo Fighters ganhou, aquela jam no final com Paul McCartney. E teve o seu discurso. Você improvisou a coisa toda ou foi algo já preparado na sua cabeça? 

Sabe, é engraçado. Meu pai era um redator de discursos. Ele escrevia discursos para políticos em Washington DC. E minha mãe era uma professora de discursos. Ela ensinava as pessoas a falar em público. E o melhor conselho que eles me deram na vida foi: jamais leia um discurso. Você pode até escrevê-lo e ler para si mesmo. Mas, quando chega a hora de ficar na frente das pessoas e falar, você não lê: apenas fala.

Bem, eu sabia o que queria dizer na hora. Sabia que queria transmitir para as pessoas que eu estava orgulhoso do nosso disco, porque é uma representação realmente verdadeira da banda. Porque o fizemos sem nenhuma manipulação digital, e porque o gravamos em fita analógica na minha garagem. Meu desejo era fazer esse disco soar como o Foo Fighters de verdade. Não queria que ele soasse perfeito, nem polido, nem melhor do que nós realmente somos. Eu queria que ele soasse exatamente como a gente é. E era isso que eu estava tentando dizer na hora.

E qual é a real mensagem por trás disso? 

Acho que a coisa mais importante é que as pessoas – e as crianças, principalmente – compreendam que música é um processo humano. É uma forma de arte humana, entende? Esteja você programando música em um computador ou tocando um violino, é preciso um ser humano para se fazer música. Esse tipo de música que o Foo Fighters faz: eu gosto quando ela soa como se fosse realizada por pessoas. Como uma banda de rock. E eu não curto quando bandas de rock parecem que foram aperfeiçoadas por computadores. Gosto quando soa cru, como se fosse um grupo de gente tocando em uma sala. E era isso que eu estava tentando passar ali: que as pessoas precisam entender que o fator mais importante é o elemento humano. É o que vem da sua cabeça, do seu coração, das suas mãos… Se você quer que a próxima geração de crianças acredite na música, elas precisam acreditar que isso vem da mente e do coração. E que é ok soar como um ser humano. Simples assim.

Fonte: Rolling Stone Brasil

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