Hail! apresenta o melhor do heavy metal em show impecável

março 5th, 20120 Comments »Última Atualização: junho 29, 2012


Há vários clichês que simplesmente vem à tona quando começamos a falar de rock ou, mais especificamente, de metal. Entre todos estes, um nunca fica gasto, exatamente por retratar a realidade: os headbangers são os fãs mais fiéis ao seu estilo dentro do rock. O que se pôde ver nesta noite de domingo (4) no Blackmore, em São Paulo, foi mais uma prova desse argumento.

O show estava marcado para as 19h00, mas este foi o horário de abertura da casa. A informação era de que o show começaria, de fato, às 20h30. Na parte de dentro já havia um bom número de fãs ansiosos pelos maiores clássicos do metal. A conexão com o estilo era tanta que, mesmo depois de quase meia hora de atraso sobre o novo horário, com a casa já totalmente cheia, pouquíssimos eram os que se incomodavam; todos cantavam, em uníssono, “Wasting Love” e “Hallowed Be Thy Name”, do Iron Maiden, junto com o DVD que tocava no telão, como se estivessem ao vivo.

Às 21h00, Andreas Kisser (Sepultura), Tim “Ripper” Owens (ex-Judas Priest), Paul Bostaph (ex-Slayer) e James Lomenzo (ex-Megadeth) sobem ao palco. “Estão prontos pra cantar?’ pergunta Ripper, e a banda já detona “Ace of Spades” (Motorhead) e “Territory” (Sepultura) nos ouvidos do público, extasiado!

Logo em seguida, “Stand Up and Shout” (Dio) e “Symphony of Destruction” (Megadeth) faz todo mundo pular e cantar junto cada parte. De cara, a banda mostra muita consistência e personalidade, com cada integrante imprimindo suas melhores características, tendo as músicas sido compostas por algum deles ou não. Tim reclama sobre a falta de retorno pra ele – o som que vinha para o público estava perfeito – e eles começam a inesperada “Children of the Damned” (Iron Maiden), arrancando gritos de “Ripper! Ripper!” ao seu final. Sua assinatura real no set list da banda vem com “Burn in Hell”, seu clássico pessoal da época do Judas Priest.

Andreas chega ao microfone pela primeira vez, falando em português e apresentando a banda. “Teremos alguns convidados hoje!”, diz Andreas, apresentando seu filho Yohan, de 14 anos, como o primeiro da noite, pra dividir as guitarras de “Seek and Destroy” do Metallica. O segundo convidado é o vocalista João Luis, que sobe para cantar “The Mob Rules” do Black Sabbath. E a primeira grande surpresa da noite: ao encontrar Fábio Colombini, do Beatles 4ever, na platéia, Andreas começa a tocar “Get Back” dos Beatles, que é bem recebida pelo público do metal.

Outra surpresa vem com Andreas explicando “Essa banda com certeza influenciou muito o heavy metal”. E a banda começa “Blitzkrieg Bop”, dos Ramones. Tido entre roqueiros como o público mais “fechado” a outras vertentes do rock que não o metal, os headbangers pareceram mostrar exatamente o contrário, ou exatamente o simples fato de serem seus representantes tocando aqueles sons ajudou a não se importarem com isso.

Fato é que, sem dó, eles emendam uma dobradinha de Pantera, com “Walk” e “Fucking Hostile” (esta última com Edu Garcia, da banda Threat e também da Unscarred, Pantera Cover). Entre uma e outra, rolam umas brincadeirinhas e trechos de músicas como “Johnny B. Goode” e “Smoke On The Water”. “Não sei nem as letras de minhas próprias músicas”, diz Tim, carismático e humilde. “Tenho muitos amigos em SP. I love you guys!”, declara, antes de tocar mais uma de sua ex-banda, “Living After Midnight”, outra vez cantada em coro com o público. Os quatro músicos demonstram claramente estar se divertindo muito com o projeto e com a apresentação.

Convidado de maior expressão, Silvio Golfetti, do Korzus, chega para tocar “South of Heaven” do Slayer, fazendo com que os fãs do metal nacional fiquem ainda mais orgulhosos. As próximas são “Creeping Death” (Metallica), “Peace Sells” (Megadeth) e “Balls To The Wall” (Accept). “Ao Ronnie James Dio, o melhor vocalista da história da música”, dedica Ripper, e a banda toca “Heaven and Hell” (Black Sabbath), antes de fechar com “TNT” (AC/DC).

A banda deixa o palco, mas a plateia grita euforicamente por “Painkiller” do Judas Priest. Ao voltarem, eles atendem fazendo outro pedido de volta: “Vamos tocar porque vocês pediram… só não reclamem depois!”, diz humildemente Andreas. A música é executada excelentemente. A última carta da manga vem com Ripper perguntando “Estão prontos para pular?” e o começo de “Refuse/Resist” do Sepultura, fazendo a última roda de bate-cabeça abrir no meio do Blackmore, exatamente às 23h00, duas horas após o primeiro acorde.

Um show que trouxe momentos clichês e inesperados com a mesma intensidade, sinceridade e competência. A quem tem curiosidade de ver o projeto, fica a certeza de que a banda faz muito jus ao que seu público espera receber.

Veja fotos exclusivas do show no nosso flickr!

Por Rubens Loureiro, da banda Reversi (Colaborador Reduto do Rock)
Edição: Diego Centurione
Foto Hail!: por Rosana Enomoto

« Supergrupo com ex-integrantes do Guns N’ Roses será headliner do Metal Open Air
Charlie Brown Jr lança novo DVD em São Paulo »

Categorias

Exclusivo! Shows & Eventos

Tags

Nenhum comentário