Entrevista com Celso Cardoso: Jornalismo, Futebol e Rock n’ Roll

setembro 7th, 20110 Comments »Última Atualização: setembro 12, 2011

Apaixonado por futebol, o jornalista e radialista Celso Cardoso, comentarista do Gazeta Esportiva – programa da TV Gazeta, de São Paulo -, também nutre uma outra paixão que começou a tomar forma de pouco tempo para cá: a música. Na realidade, para ele a música sempre esteve no sangue, mas devido ao comprometimento com a profissão, acabou deixando o hobby em segundo plano. Tanto que começou a fazer aula de canto e guitarra por pura curiosidade. Mas o talento falou mais alto e hoje está aprendendo a conciliar as carreiras de jornalista e músico.

Quem nos conta um pouco mais sobre esta história é o próprio Celso, que concedeu uma entrevista exclusiva ao Reduto do Rock.

Reduto do Rock – Quando e como surgiu a sua paixão pela música?

Celso Cardoso - Na infância. Minha mãe estudou piano em conservatório, tinha piano em casa; meu pai toca instrumentos de sopro (sax, clarinete, piston). No ginásio participei de um festival na escola, com composição própria. E sempre fui rato de show. A música está no sangue.

RR – Com uma longa carreira como jornalista e radialista, em algum momento pensou que viria a se tornar, também, músico?

CC – Não, sinceramente. Sabe que apesar de gostar de música, nunca havia estudado enquanto criança. Sempre tive outras prioridades. Além da escola, o futebol. Depois me tornei radialista – comecei como locutor aos 17 anos – e a vida tomou outro rumo. Mas sempre que ia aos shows, pensava: “se eu tivesse estudado poderia estar ali, no palco, fazendo carreira musical”. O tempo foi passando e eu achei, realmente, que não daria mais. Era uma frustração! Comecei a estudar guitarra já com 30 anos e perto de completar 40 fui estudar canto. Tudo por curiosidade. Aí, as coisas começaram a acontecer. Foi acaso! Não esperava, tampouco almejava algo. Minha maior ambição era dar uma canja na banda de um dos meus muitos amigos músicos. Já seria uma realização.

RR – Antes da Celso Cardoso e os Impossíveis, teve alguma outra banda?

CC – Não. Só fiz voz e violão no festival da escola nos anos 80. E 20 anos depois, fui convidado pelo violonista Luiz Márcio para um projeto, também voz e violão, intitulado “Cantar Por Aí”.

RR – Sua carreira de músico surgiu meio que por acaso, não foi? Conte um pouco sobre esse início.

CC – Foi puro acaso. Comecei a fazer aulas de canto e depois da participação na primeira audição rolou uma baita repercussão. Aí, souberam na TV, me convidaram pra participar do programa da Ione Borges – era a terceira vez que cantava ao vivo – e pessoas que assistiram ao programa me ligaram para contratar shows. Um em Santana do Paranaíba e para uma temporada em um bar na Vila Madalena. A partir daí pintaram mais de uma dezena de convites para shows e não parei mais. Como conseqüência, gravei o CD em 2008, com composições inéditas do Leoni, Pit Passarell, algumas regravações e com uma parceria com Wayne Hussey, do Mission UK.

RR – Que músicos e bandas te inspiram?

CC – Frank Sinatra, Elvis Presley, Chris Cornell, David Coverdale e Geoff Tate (Quensryche). Sobre as bandas… Mission, Cult, U2… Por aqui sou muito fã de Legião Urbana. Também gosto de Barão, Golpe de Estado, Ultraje…

RR – Você se apropria da experiência e técnica da locução para melhor desempenhar a função de vocalista?

CC – Sim, principalmente a respiração. Mas isso no começo. Hoje o domínio da respiração no canto é que permite uma locução ainda melhor.

RR – Como está sendo conciliar a carreira de jornalista e músico?

Já cheguei a programar shows fora de São Paulo nas minhas férias. Mas tenho conseguido conciliar. Não me vejo escolhendo entre uma ou outra carreira. Quero as duas!

RR – Como se deu o processo de composição de seu CD de estreia, “Deixa Acontecer”, e como ele se caracteriza?

CC – Inicialmente a idéia era fazer um disco acústico. Mas o Marquinhos (Marcos Kleine), produtor do disco, ao observar o repertório, achou que se fizéssemos um disco acústico, poderia soar pretensioso, ou pior, pobre. Então, decidimos fazer um disco de pop rock.  Consegui as liberações de “Noite de Balada”, “Nós” e “Flores do Mal”. O Wayne Hussey (The Mission) me mandou uma música para colocar letra; também compus em parceria com o amigo Leandro Rodrigues, o Leoni me cedeu outras quatro e “Vamos Comemorar” do Pit Passarell, na ocasião ainda inédita, foi a última escolhida, fechando o repertório. O CD tem uma forte influência dos anos 80.

RR – Antes de ter a banda, já costumava rabiscar algumas letras de possíveis canções? Como está sendo se tornar, também, compositor?

CC – Sim! Já havia composto na adolescência. Depois rabiscava apenas poesias, sonetos, mas nada muito regular. Quanto à música, só voltei a compor para o primeiro disco. Hoje é um hábito. Entro em estúdio nesse semestre pra gravar o segundo CD, que deve ter umas seis ou sete músicas minhas e em parceria com outros músicos.

RR – O álbum traz algumas parcerias e participações de outros músicos. Como se deram estes intercâmbios?

CC – Muitos músicos foram convidados pelo produtor Marcos Kleine. O Bocato foi por mim. Foi engraçado. Fui vê-lo em um show e ao cumprimentá-lo no camarim ouvi dele: “Tô sabendo do disco”! “Então, conto com você”, eu disse. Foi uma honra. Quanto ao Wayne, somos amigos há quase 10 anos. Sempre fui fã do Mission e também fiquei muito feliz com a parceria. Espero fazer outras com ele.

RR – Entre os artistas que você admira, tem algum com quem deseja fazer uma parceria musical?

CC – Com vários. Algumas devem estar presentes no CD novo, mas não vou revelar por enquanto. Prefiro deixar as coisas acontecerem naturalmente, como tem ocorrido. O título do primeiro CD, “Deixa Acontecer”, não foi por acaso.

RR – Podemos dizer que, além da música, sua outra grande paixão é o futebol? Por sua experiência como locutor e recentemente nos palcos, na sua opinião, existe alguma semelhança entre um jogo de futebol e um show de rock n’ roll?

CC – Sim, o futebol é uma grande paixão. E sem dúvida, podemos correlacionar as duas coisas. A presença do público tem forte influência naquilo que você faz no palco. Quanto mais animado, melhor sua performance. O mesmo acontece com os jogadores em campo.

Site: www.celsocardoso.com.br
Twitter: @celsocardoso

Videos ao vivo no Estúdio Showlivre:
“Vamos Comemorar”
“Deixa Acontecer”
“Noite de Balada”
“Flores do Mal”

Celso Cardoso e os Impossíveis (shows):
Celso (vocal)
Marcos Kleine (guitarra)
Mingau (baixo)
Caio Mancini (bateria)

Por Lisiane de Assis e Diego Centurione

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