Tom Hamiltom fala da atual fase do Aerosmith

maio 25th, 20100 Comments »Última Atualização: maio 25, 2010

Tom Hamilton (Toronto, 1975)

O Aerosmith que chega ao Brasil esta semana vive um ótimo momento. Depois de uma das crises mais graves de seus 40 anos de história, o quinteto americano está novamente reunido e faz show em Porto Alegre nesta quinta-feira, 27 de maio, no estacionamento na Fiergs. Confira abaixo entrevista do baixista Tom Hamiltom ao jornal Zero Hora.

Tom Hamilton - Acabei de achar Porto Alegre (pronuncia, corretamente, com forte sotaque americano) no mapa. É assim que se pronuncia?
ZH – Sim, está certo.

Hamilton – Como está o clima aí?
ZH – Estamos no outono, a temperatura anda por volta dos 15ºC.
Hamilton – Nada mau, uns 60 graus Fahrenheit. É legal, é frio o bastante para usar umas jaquetas bacanas (risos).

Como  estão os preparativos para a viagem à América do Sul (a entrevista foi no dia 13 de maio, quatro dias antes da estreia da turnê, em Caracas)?
Hamilton – Estou preparando muita bagagem. Ensaiamos por umas três semanas e tudo saiu bem. Deu tempo de tocar, tínhamos uma grande coleção de canções para escolher. Estou bem empolgado com o repertório, acho que todo mundo vai gostar. Normalmente é meio difícil. Costumamos passar bastante tempo conversando sobre isso. Muitas ideias diferentes determinam o que a gente eventualmente escolhe. Há muitas cidades, nessa turnê, nas quais nós nunca tocamos antes. Ao montar o repertório, procuramos nos certificar de que haverá canções que as pessoas estarão esperando para ouvir. Não gostamos de tocar só os hits, mas certamente tocamos alguns dos principais, aqueles que as pessoas querem ouvir. E aí escolhemos músicas dos discos, coisas que sabemos que a plateia vai gostar, e nisso voltamos até o primeiro disco, de 1973, e seguimos até os blues do Honkin’ on Bobo (de 2004).

É um repertório grande.
Hamilton – Sim. Tem uma música do Honkin’ on Bobo que, na verdade, é uma das nossas favoritas para tocar ao vivo, é Baby, Please Don’t Go, um rock bem rápido.

E conta também o sentimento de tocar determinadas canções, não? há canções que vocês têm mais vontade de tocar?
Hamilton – Sim. Eu gosto de tocar Livin’ on the Edge, é uma das minhas favoritas ao vivo. Mas tem uma outra – ainda não sei ao certo se vamos tocá-la em Porto Alegre – mas uma que andamos escolhendo é Lord of the Thighs, do nosso segundo disco. Do primeiro disco, demos uma ensaiada em One Way Street. Ainda não definimos o roteiro todo, mas deveremos tocar uns rocks antigos. Tocamos músicas de quase todos os discos, normalmente tocamos por uma hora e 40, ou algo assim, mas talvez toquemos um pouco mais desta vez.

Você falou de três semanas de ensaios. Foi a primeira vez que a banda se reuniu desde que Steven voltou da reabilitação?
Hamilton – Nós fizemos quatro shows em outubro, em São Francisco, no Havaí e em Abu Dhabi – esse foi bem no início de novembro, e aí foi a última vez em que tínhamos tocado juntos. O ano passado foi bem difícil, Steven teve muitos problemas, como todos sabemos, mas ele ficou muito inspirado para se recuperar e ficar bem de saúde para essa turnê, e agora ele está ótimo.

E qual era a sensação nesse período de ensaio? Era algo como “Vamos lá, vamos tocar e quebrar tudo!”?
Hamilton – Sim, exatamente. Justamente porque o ano passado foi tão difícil, estávamos muito empolgados para começar de novo. Os ensaios rolaram muito bem, tocamos muito e realmente tivemos a chance de ver em que forma a banda está. E soou super bem.

É fácil reunir todo mundo, todos moram próximos?

Hamilton – Quatro de nós moram aqui na região de Boston. O Brad mora na Carolina do Norte, então tem que pegar um avião e se hospedar por aqui. Mas estamos bem próximos aqui, então não é tão complicado reunir todo mundo.

Este seria um momento de alívio, depois de tudo o que aconteceu? Em algum momento do ano passado, você chegou a sentir que a banda poderia acabar?
Hamilton – Eu nunca senti que estávamos fazendo nosso último show, sabe? Mas eu ainda não achava que fôssemos nos reunir tão cedo. Eu estava me preparando para ficar um longo período sem que a banda se reunisse, talvez um ano, ou dois. Então, tudo está acontecendo mais cedo do que eu esperava. Mas a sensação é fantástica. Nós realmente estivemos perto de perder a banda por um tempo. De certa forma, era um sentimento terrível, mas também era tipo um desafio: eu sabia que poderia lidar com isso, se fosse preciso – porque eu tenho ensaiado e criado bastante sozinho, e também tenho me envolvido com outras coisas relativas à música, que eu sempre quis aprender. E posso fazer tudo isso até mesmo quando a banda está em turnê. Então, sinto que tenho muita sorte de ter minha banda.

Esse material novo pode eventualmente aparecer em um novo disco? há o plano de gravar novas músicas logo?
Hamilton – Não tão cedo. Estaremos na estrada até setembro, provavelmente. Durante a turnê ou depois, deveremos parar um pouco e começar a trabalhar num disco novo. Acho que em algum momento entre setembro e abril de 2011, nós provavelmente já tenhamos gravado um novo álbum. Não sei quando vai sair, provavelmente no outono (primavera no Hemisfério Sul) do ano que vem. Mas nunca se sabe. Do jeito que as coisas estão agora, com a tecnologia de gravação, você não tem necessariamente que estar ou em turnê ou trabalhando nas músicas novas, agora é mais fácil trabalhar no material novo mesmo durante as turnês.

Sim, é mais fácil registrar no computador uma ideia que surgir.
Hamilton – Exato. É uma das coisas a que eu venho me dedicando bastante, meus equipamentos de gravação. Eu uso um programa da Apple, estou sempre tentando dominar melhor essa tecnologia e, assim, ter mais opções de ideias. Eu curto muito isso, desde guri eu adoro equipamentos de gravação. Eu me dedico basicamente a três coisas: melhorar como baixista, dominar melhor as técnicas de gravação e desenvolver melhores ideias para canções.

Qual a expectativa de voltar ao Brasil? Qual a sua memória das outras turnês por aqui?
Hamilton – O que mais lembramos é do quanto os fãs são entusiasmados aí. As pessoas me perguntam sobre as diferentes partes do mundo onde tocamos, e sobre o quanto as plateias são diferentes. No Brasil, elas são mais enérgicas do que na maioria dos outros lugares. Os fãs são muito empolgados – e, quando eu vejo isso, lembro do que víamos quando éramos jovens e começamos a banda e estávamos super excitados para fazer rock’n’roll. Quando vemos uma plateia com essa mesma inspiração, tocar fica muito divertido.

Qual a sua opinião sobre o fato de as pessoas baixarem música e não comprarem mais discos?
Hamilton – Obviamente, fazemos música e queremos que as pessoas a comprem, demonstrem seu apreço pela nossa música comprando-a. Mas é claro que há muita gente, especialmente os mais jovens, que vieram a conhecer o nosso som porque ele está disponível na internet – o que na verdade é bem legal. Há muitos jovens que conhecem nossas músicas – e que talvez não as conhecessem se tivessem que ir à loja de discos e comprá-las, porque é muito caro comprar toda a música de que você gosta. Mas eu me preocupo com as bandas mais novas que estão começando a gravar, porque acho que terão menos oportunidades. O importante para eles será dedicar-se a ir para a estrada e tocar ao vivo, porque você não pode baixar da internet uma apresentaçao ao vivo. As pessoas sempre vão querer sair e ver bandas tocando ao vivo. Então, meu conselho para as bandas novas é realmente se concentrar nisso. Sabe o termo word of mouth (“boca-a-boca”)? Isso é super importante. Quando você toca ao vivo, quer se sair bem, para que as pessoas saiam do bar e contem aos amigos que viram um baita show. A internet apenas multiplica esse boca-a-boca.

Algo que sempre aconteceu, mas agora há um novo canal para isso.
Hamilton – Sim. Acho que tem bem mais gente hoje aprendendo a tocar guitarra, aprendendo música. Eu fico contente quando alguém chega ao ponto de sentir que pode viver de fazer música – porque, definitivamente, é um jeito divertido de ganhar a vida.

Fonte: Zero Hora

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